Número de jovens sem trabalho e fora da escola cai ao menor nível em dez anos no Brasil

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Por Rodrigo Chagas — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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O número de jovens sem trabalho e fora da escola caiu ao menor patamar dos últimos dez anos no Brasil. No segundo trimestre de 2026, 8,8 milhões de pessoas de 14 a 29 anos estavam nessa situação, o equivalente a 17,9% dos 49,1 milhões de jovens dessa faixa etária no país.

O contingente vem diminuindo desde 2020, quando chegou a 14,6 milhões, o maior valor da série apresentada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em 2025, eram 8,9 milhões. Os dados estão no boletim Emprego em Pauta nº 34, intitulado “Número de jovens sem-sem diminui”, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda acompanha a melhora do mercado de trabalho para essa parcela da população. A taxa de desemprego entre pessoas de 14 a 29 anos chegou a 10% no segundo trimestre deste ano, o menor nível da série histórica apresentada pelo Dieese. Em 2022, estava em 16,6%.

Segundo o levantamento, o mercado de trabalho mais aquecido, especialmente nas vagas formais, é o principal fator por trás da redução. Entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o número de jovens que não estudavam, mas tinham emprego formal, cresceu 6,2%. O grupo que conciliava trabalho e estudo aumentou 2,8%, enquanto o número dos que buscavam emprego recuou 42%.

O Dieese também questiona o uso da expressão “nem-nem” para definir os jovens que não trabalham nem frequentam a educação regular. Segundo a entidade, o termo sugere uma situação de passividade que não corresponde à realidade da maior parte desse grupo.

Dos 8,8 milhões, ao menos 60% estavam procurando emprego, fazendo algum curso fora do ensino regular ou dedicados a afazeres domésticos. Apenas 2% afirmaram que não trabalhavam porque não queriam. Por isso, o boletim utiliza a denominação “sem-sem”, de jovens sem trabalho e sem escola.

A melhora dos indicadores de emprego não eliminou as diferenças nas condições de trabalho. No segundo trimestre, 26,6 milhões de jovens estavam ocupados e recebiam, em média, R$ 2.459 por mês. O valor é 32% menor que os R$ 3.621 recebidos pelos trabalhadores com 30 anos ou mais. Entre os jovens ocupados, 41% ganhavam até um salário mínimo.

As desigualdades também aparecem dentro da própria juventude. Entre as mulheres negras, 27,2% estavam sem trabalho e fora da escola, proporção que caía para 10,5% entre homens não negros. Os afazeres domésticos têm peso especialmente elevado entre elas: 12,7% das jovens negras estavam fora do trabalho e da escola e dedicadas a essas atividades.

Quase metade dos jovens ocupados tinha carteira assinada. Ao mesmo tempo, eles permaneciam concentrados em postos que, segundo o Dieese, em sua maioria não exigem qualificação formal. Entre as 20 ocupações mais frequentes nessa faixa etária, nenhuma era de nível técnico ou superior. Balconistas e vendedores de lojas, escriturários e trabalhadores da construção apareciam nas primeiras posições.

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Fonte: Brasil de Fato

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