TSE suspende candidaturas de Roberto Cláudio e Capitão Wagner e abre impasse para Ciro
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará entrou em uma nova fase de incerteza depois que uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atingiu diretamente dois nomes de sua chapa. O ministro Floriano de Azevedo Marques determinou a interdição das candidaturas de Roberto Cláudio (União Brasil), a vice-governador, e de Capitão Wagner (União Brasil), ao Senado.
Segundo reportagem de O Globo, a liminar foi concedida na segunda-feira (28) em favor dos diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas, que apoiam a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Nesta terça-feira (29), porém, Floriano Marques declarou-se impedido de continuar à frente dos processos, que deverão ser redistribuídos a outro integrante do TSE.
A mudança de relator deixa em aberto o futuro imediato da decisão. Caberá ao novo ministro responsável pelos casos avaliar se mantém, modifica ou revoga a tutela de emergência que atingiu os aliados de Ciro.
A medida não alcança apenas os registros de Roberto Cláudio e Capitão Wagner. Floriano Marques também determinou a suspensão do recebimento e da utilização de recursos ainda não gastos do Fundo Eleitoral destinados às quatro candidaturas afetadas, incluindo suplentes.
A decisão proibiu ainda a veiculação, no rádio e na televisão, da propaganda eleitoral da coligação destinada à candidatura de Capitão Wagner ao Senado. Como consequência, também houve redução do tempo de propaganda disponível para Ciro Gomes.
O TSE confirma que Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto integra atualmente a Corte como ministro oriundo da classe dos juristas. O tribunal é presidido por Kassio Nunes Marques.
Aliados de Ciro contestam decisão
Mesmo diante da liminar, Capitão Wagner e outros integrantes do grupo político de Ciro afirmaram nesta terça-feira que manterão as candidaturas. Em entrevista coletiva, Wagner classificou a decisão como “esquisita e esdrúxula” e afirmou que ela “traz uma série de dúvidas”.
Os aliados de Ciro também questionaram a participação de Floriano Marques no processo. Segundo eles, uma filha do ministro atua como advogada de Júnior Mano (PSB), suplente na chapa de Cid Gomes (PSB) ao Senado. Cid, irmão e adversário político de Ciro desde o rompimento entre os dois em 2022, apoia Elmano na disputa estadual.
Horas depois das críticas, Floriano Marques declarou-se impedido. De acordo com O Globo, o ministro registrou no despacho que tomou conhecimento de um “fato superveniente relacionado a processo de caráter sigiloso em trâmite no Supremo Tribunal Federal”.
O magistrado afirmou ainda que as circunstâncias eram desconhecidas quando proferiu a decisão anterior e “sequer tangenciam hipótese de impedimento”. Apesar disso, considerou inadequado continuar como relator diante da possibilidade de questionamentos sobre sua imparcialidade.
Disputa entre diretórios e federação chegou à Justiça
O conflito que desembocou no TSE nasceu de uma disputa pelo comando da estratégia eleitoral de União Brasil e Progressistas no Ceará.
Os diretórios estaduais das duas legendas realizaram convenções separadas daquela promovida pelo comando da federação no estado e decidiram apoiar Elmano. Já a direção da federação, presidida por Capitão Wagner, seguiu outro caminho e fechou aliança com Ciro Gomes.
Moses Rodrigues, deputado federal e presidente estadual do União Brasil, e AJ Albuquerque, que comanda o PP cearense, recorreram à Justiça Eleitoral para tentar invalidar a convenção que colocou a federação no palanque de Ciro e obter respaldo jurídico para a aliança estadual com o PT.
A disputa passou, desde então, a ser travada nos tribunais. A decisão de Floriano Marques representou uma vitória provisória dos diretórios estaduais, mas o afastamento do próprio ministro da relatoria recolocou a controvérsia em aberto.
Roberto Cláudio estava nos planos do União para a Câmara
Antes da formação da chapa, Ciro Gomes buscou apoio das direções nacionais do União Brasil e do PP e chegou a se reunir com Antonio Rueda, presidente do União, e Ciro Nogueira, presidente do PP.
Segundo integrantes da direção nacional ouvidos por O Globo, as negociações envolviam a expectativa de que aliados eleitoralmente competitivos de Ciro concorressem à Câmara dos Deputados.
Um dos nomes considerados importantes para esse projeto era Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza. O União Brasil esperava que ele disputasse uma cadeira de deputado federal e contribuísse para ampliar a bancada do partido no Ceará.
O desenho eleitoral, porém, tomou outro rumo: Roberto Cláudio foi escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa de Ciro. Capitão Wagner, por sua vez, tornou-se candidato ao Senado.
Com a votação do primeiro turno marcada para 4 de outubro, a definição sobre a validade dessas candidaturas passa agora pelo novo relator dos processos no TSE. A Justiça Eleitoral informou que quase 160 milhões de eleitores estão aptos a participar das eleições deste ano.
Fonte: Brasil 247