Fundo Amazônia destina R$ 56 milhões à saúde de 20 mil indígenas no Alto Rio Negro
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – Pela primeira vez desde sua criação, o Fundo Amazônia financiará um projeto voltado diretamente ao atendimento de saúde de povos indígenas. Cerca de R$ 56 milhões serão destinados, ao longo de quatro anos, a ações que devem alcançar aproximadamente 20 mil indígenas do Alto Rio Negro, no Amazonas.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, os recursos financiarão nove expedições com realização de exames, cirurgias e consultas especializadas, além da reforma e estruturação de três polos de atendimento em território indígena.
A primeira etapa do projeto “Cuidar para Preservar”, conduzido pela organização Expedicionários da Saúde (EDS), será realizada na comunidade indígena de Iauaretê, no Amazonas. A iniciativa também prevê ações permanentes de apoio à rede pública de atenção à saúde indígena na região.
O financiamento será feito com recursos do Fundo Amazônia, mecanismo que recebe doações internacionais e é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O fundo apoia projetos relacionados à conservação ambiental, ao desenvolvimento sustentável e à proteção da Amazônia Legal.
Atendimento continuado em região remota
O presidente e fundador da EDS, médico Ricardo Affonso Ferreira, afirmou que o financiamento permitirá uma atuação de longo prazo em uma área marcada pelas dificuldades de deslocamento e acesso a serviços especializados.
“Pela primeira vez, contamos com um suporte de longo prazo focado em uma única região altamente remota da Amazônia. Esse investimento nos dá estabilidade para ampliar nossas ações, desenvolver novas tecnologias sociais e aprimorar os atendimentos, além de permitir mensurar concretamente o impacto real na vida das comunidades ao longo destes quatro anos”, afirmou.
A organização realiza expedições médicas na Amazônia há 23 anos. Segundo os dados divulgados, foram promovidas 58 missões até agora, com mais de 11 mil cirurgias, 80 mil atendimentos e 170 mil exames. A missão em Iauaretê será a 59ª realizada pela entidade.
Antes da definição das ações, a EDS conduziu, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um diagnóstico antropológico, sanitário e socioambiental da região.
O levantamento, realizado em maio, ouviu moradores e profissionais que atuam nas comunidades de Taracuá, São José II, Caruru do Tiquié e Pari-Cachoeira. Os resultados foram utilizados para estabelecer as prioridades do programa.
Cirurgias, telemedicina e formação de profissionais
Entre as ações previstas estão a compra de equipamentos, cursos de formação e treinamento para profissionais locais, apoio a diagnósticos e atendimentos itinerantes.
O projeto também pretende ampliar o uso da telemedicina por meio do programa Telefloresta e oferecer próteses ortopédicas pelo programa Floresta em Movimento, voltado principalmente a pessoas amputadas. Acidentes com animais peçonhentos estão entre as causas de amputações registradas na região.
Os atendimentos especializados incluirão oftalmologia, com cirurgias de catarata e pterígio, procedimentos de cirurgia geral de baixa e média complexidade, saúde da mulher, pediatria e odontologia.
Também está prevista a melhoria da estrutura de três unidades públicas de saúde indígena dentro do território atendido.
Rede de instituições participa do projeto
A execução do “Cuidar para Preservar” contará com participação do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro, da Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Conselho Distrital de Saúde Indígena e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
Também integram a articulação a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, a Secretaria de Saúde de São Gabriel da Cachoeira, comunidades da região e a 2ª Brigada de Infantaria de Selva de São Gabriel da Cachoeira.
A iniciativa busca combinar os atendimentos realizados durante as expedições com o fortalecimento da estrutura permanente de saúde existente no Alto Rio Negro, reduzindo a dependência de deslocamentos de longa distância para procedimentos especializados.
Fonte: Brasil 247