Dinheiro na economia real: duas medidas que fortalecem o empreendedorismo

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Por Rodrigo Soares — Brasil 247

Duas medidas anunciadas pelo governo federal vão fazer o dinheiro circular onde ele gera oportunidades, emprego, renda digna e desenvolvimento. O fim das bets e o Desenrola Brasil 3.0 são iniciativas que protegem as famílias, recuperam sua capacidade financeira e fortalecem a economia real.

O fim das bets, além do impacto sobre o bolso de quem aposta, possui uma dimensão social e de saúde pública. Os problemas associados às apostas podem provocar endividamento, perda de qualidade de vida, ansiedade, depressão e outros impactos que acabam sendo compartilhados por toda a sociedade. Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos relacionados a jogos on-line e problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. O governo federal estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos, sendo R$ 30,6 bilhões relacionados à saúde.

Uma parcela significativa da renda das famílias estava sendo direcionada para apostas e deixava de circular em atividades que geram emprego e renda nos territórios. Os pequenos negócios do comércio e serviços eram impactados, pois estão na ponta do consumo das famílias.

Tomando como base R$ 65 bilhões por ano de perda líquida dos apostadores e aplicando um multiplicador entre 1,3 e 1,7, compatível com o perfil de consumo das classes C, D e E que concentram o público das apostas, esse montante devolvido ao consumo geraria entre R$ 85 bilhões e R$ 110 bilhões de PIB adicional. Com uma carga tributária efetiva em torno de 32%, isso significa algo entre R$ 27 bilhões e R$ 35 bilhões de arrecadação nas três esferas de governo, contra cerca de R$ 7,8 bilhões obtidos hoje com a alíquota de 12% sobre a receita das operadoras. O saldo fiscal favorável ao consumo fica entre R$ 19 bilhões e R$ 30 bilhões por ano, sem contar os custos evitados com endividamento e saúde mental, e o maior beneficiário direto seria o varejo de bairro, exatamente onde estão os pequenos negócios brasileiros.

Mais do que uma transferência de recursos, trata-se de recolocar dinheiro em circulação: no supermercado, na loja do bairro, no salão de beleza, no restaurante, na oficina, no pequeno prestador de serviço. É aí que a economia acontece todos os dias.

Por sua vez, o Desenrola Brasil 3.0 atua em outra frente, que é a recuperação da capacidade financeira das famílias. A Medida Provisória nº 1.393/2026 criou uma modalidade emergencial de renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes, com deságio mínimo de 90% na aquisição das carteiras elegíveis e limite de até R$ 15 bilhões em despesas da União. O programa poderá alcançar milhões de brasileiros e tem duração prevista até junho de 2028.

Quando uma família deixa a inadimplência, ela recupera a capacidade de consumir, de planejar, de acessar crédito e de voltar a participar plenamente da economia. E isso também chega aos pequenos negócios.

O empreendedor não vive isolado. Ele depende do consumidor que entra na loja, contrata um serviço, compra um produto, frequenta um restaurante ou faz uma reforma. Por isso, a saúde financeira das famílias é também uma questão de saúde dos pequenos negócios.

É preciso olhar para essas medidas, portanto, para além dos números fiscais ou financeiros. Existe uma dimensão de desenvolvimento econômico. De um lado, reduzir a drenagem de renda provocada pelas apostas. De outro, recuperar a capacidade de pagamento e de consumo de milhões de brasileiros.

O dinheiro precisa circular, movimentar o comércio, os serviços, o emprego e a renda. Quando ele chega aos pequenos negócios, ajuda a transformar consumo em produção, renda em investimento e sonhos em oportunidades.

Fortalecer a economia real é criar condições para que o brasileiro possa voltar a consumir, empreender, investir e crescer.

Fonte: Brasil 247

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