Prerrogativas pede reabertura do caso das rachadinhas para investigar Flávio Bolsonaro

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O Grupo Prerrogativas pediu ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) que reabra a investigação do caso das chamadas “rachadinhas” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O pedido sustenta que novas informações sobre um cofre mantido pelo parlamentar no Banco do Brasil justificam a retomada das apurações.

A petição foi protocolada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e busca esclarecer uma possível relação entre o acesso ao cofre e operações imobiliárias realizadas por Flávio em 2012.

Segundo os documentos mencionados no pedido, Flávio teria acessado o cofre em 26 de novembro daquele ano. No dia seguinte, foram comprados dois imóveis no Rio de Janeiro em uma negociação que envolveu pagamento em dinheiro vivo. A informação sobre o acesso ao compartimento é apresentada pelo grupo como fato novo a ser considerado pelo MP-RJ.

A existência do cofre, no entanto, já havia sido revelada anteriormente. Reportagem da Folha publicada em 2020 mostrou que Flávio manteve por 12 anos um cofre no Banco do Brasil junto com o irmão Carlos Bolsonaro. A titularidade conjunta apareceu durante outra investigação sobre suspeitas de “rachadinha”, relacionada ao gabinete de Carlos.

Compra dos imóveis

As circunstâncias da aquisição dos apartamentos já haviam chamado a atenção dos investigadores. Conforme documentos citados anteriormente pela Folha, os antigos proprietários compraram os imóveis por R$ 440 mil em 2011 e os venderam a Flávio no ano seguinte por R$ 310 mil. Em 2014, o senador revendeu as unidades por R$ 1,12 milhão.

Na apuração anterior, o MP-RJ também identificou que o corretor responsável pela venda depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo em sua conta no mesmo dia em que a transação foi formalizada. A Procuradoria afirmou, na ocasião, que havia sido confirmada a suspeita de pagamento de valores não registrados formalmente na operação.

Com o novo pedido, o Prerrogativas quer que o Ministério Público investigue especificamente se há conexão entre o conteúdo ou a movimentação do cofre e as operações financeiras e imobiliárias realizadas naquele período. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade na aquisição dos imóveis.

Investigação foi arquivada após anulação de provas

O caso das “rachadinhas” investigou a suspeita de desvio de parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio quando ele exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A última investigação acabou arquivada após a anulação de provas utilizadas na apuração.

O episódio voltou ao debate durante a campanha eleitoral de 2026. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) utilizou uma acusação de “rachadinha” para indeferir a candidatura do ex-deputado Marcos Müller (Avante). A investigação que resultou na denúncia contra Müller teve origem no mesmo relatório do Coaf que havia citado Flávio Bolsonaro no período em que o atual senador era deputado estadual.

Fonte: Brasil 247

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