Em quem votar nas Eleições de 2026? Por Frei Gilvander Luís Moreira*

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Por Daniel Levi — Combate Racismo Ambiental

Em quem votar nas eleições de 2026? Esta pergunta deve estar   preocupando muita gente,  a menos de uma semana para o 1.º turno das eleições. O ideal seria que ninguém precisasse tentar convencer ninguém a votar em um candidato “x” ou “y”.

Seria bom que bastasse apenas dizer “vote consciente”, “não venda seu voto, pois voto não tem preço, tem consequência”. Vote em candidato/a com história de luta pelo bem comum. No entanto, na realidade, isso não basta.

Se vivêssemos em uma sociedade justa, ética, solidária, com responsabilidade socioambiental e geracional, uma sociedade de justiça, paz e respeito entre as pessoas e em convivência respeitosa com todos os seres vivos da Criação, com igualdade de oportunidades para todos e todas, as pessoas, via de regra, teriam acesso às principais informações que lhes garantiriam optar pelos melhores candidatos/as.

Entretanto, vivemos numa sociedade capitalista que reproduz diariamente a brutal desigualdade socioeconômica, com ideologia dominante, meios de comunicação controlados por grandes empresários e big  techs que inundam mentes e formam opinião sem crítica. Assim, cria-se uma cortina de fumaça multiplicada por uma montanha de fake news que embaçam o horizonte e que, por exemplo, nas eleições de 2018, levaram a maioria do eleitorado a eleger o pior presidente da história do Brasil – um fascista da extrema-direita que, com política de morte pelo não enfrentamento correto da Covid-19, por zombar de quem estava morrendo asfixiado sem oxigênio, por ter atrasado a compra de vacina, levou a óbito mais de 720 mil pessoas, entre as quais, ao menos, 400 mil poderiam ter sido salvas. Um “homem de bem” que disseminou armas e apoiou devastadores ambientais, “passando a boiada” sobre os territórios de povos e comunidades tradicionais.

Bispos da Igreja Católica, da CNBB, alertam que o discernimento sobre em quem votar precisa levar em conta os princípios e critérios assegurados na Doutrina Social da Igreja, que apregoa respeito à dignidade humana, compromisso com a ética, defesa da causa dos pobres e dos direitos humanos, o bem comum e a proteção à Natureza, que é sagrada e tem muitos direitos.

O Deus da Bíblia ouviu o clamor das pessoas  escravizadas no Egito e desceu para caminhar junto com o seu povo, rumo à terra prometida e à libertação. Jesus Cristo não ficou em cima do muro. Posicionou-se, firmemente, ao lado das pessoas empobrecidas, marginalizadas e excluídas. Em outras palavras, podemos intuir que, hoje, Jesus votaria em candidatos/as da esquerda.

Feliz quem aprende com a história. Ao olharmos para a nossa história, observamos que, para além do que os candidatos e candidatas falam, o que faz a diferença é o que fazem e o que deixam de fazer. A história de atuação dos candidatos eleitos demonstra que políticos de partidos de direita (e, pior, de extrema-direita) nunca defendem direitos do povo trabalhador e camponês, e nem defendem direitos da Natureza – que, repito, é sagrada e tem muitos direitos.

Políticos de direita e de extrema-direita defendem apenas regalias para uma minoria já privilegiada na sociedade capitalista. Pensam que, apenas,  com repressão irão resolver problemas de segurança pública e que só o mercado e o empenho individual levarão as pessoas a melhorarem de vida. São contra tudo o que beneficia os pobres e contribui para a sua emancipação. Quais são os partidos de direita e de extrema-direita? Existem vários: PL, NOVO, PP, Republicanos, União, PRD e  outros.

A história demonstra que são os políticos de partidos de esquerda os que se dedicam a aprovar leis e criar políticas públicas, que defendem os direitos dos pobres e da Natureza. Logo, quem é da classe trabalhadora, camponesa e até da classe média, se quiser colocar no poder alguém que, de fato, represente o povo, deve votar em candidatos do espectro político da esquerda. E quais são os partidos de esquerda ou de centro-esquerda? Há vários: UP, PSTU, PSOL, PT, PCdB, PCB, PSB, REDE, PDT e outros.

Entrará para a história como cúmplice quem se omitir ou ficar em cima do muro nesta eleição, na qual dois projetos diametralmente opostos estão em baila. De um lado, sob a liderança de Lula, um projeto que defende a Democracia, a soberania, políticas socioambientais, direitos trabalhistas, previdenciários e humanos. Do outro lado, sob a liderança de Flávio Bolsonaro, um projeto que entrega o país e o povo para os ditames da idolatria do mercado, para a subserviência aos EUA, para a tirania do colonialismo, com o aniquilamento das instituições que garantem a democracia.

Comparando os dois candidatos a presidente com real chance de serem eleitos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), é óbvio que, com Lula, estará assegurado o caminho para garantirmos o regime democrático, a luta por direitos do povo e da Natureza e a luta para que, de fato, o Brasil continue a ser um Estado laico, capaz de assegurar a liberdade religiosa. O outro candidato tem evidentes relações com milicianos, com a corrupção em muitos casos, e já declarou inúmeras vezes que pretende colocar o Brasil, de joelhos, diante dos Estados Unidos.

Em muitos países, a tentativa de implementação de governos ditatoriais e de tendência fascista tem sido característica básica da extrema-direita. O Brasil não pode cair nesta vala, que trará a amputação da Democracia e cortes brutais em direitos trabalhistas, previdenciários, humanos e ambientais, conquistados nas últimas décadas, com muita luta, suor e sangue. Que, nessa hora grave, na qual devemos votar no Presidente da República, assim como para o governo dos Estados, deputados e deputadas estaduais, a Câmara Federal e 2/ 3 do Senado, a espiritualidade de todas as religiões e os diversos caminhos de fé nos guiem para escolher e votar em candidatos e candidatas que, de fato, tenham compromisso com a justiça ecossocial e a Paz. Que o Amor Divino nos ilumine e conduza nesse caminho.

*Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI e Ocupações Urbanas; autor de livros e artigos

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Fonte: Combate Racismo Ambiental

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