Senadores democratas alertam governo Trump contra interferência nas eleições no Brasil
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Um trio de senadores democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao governo de Donald Trump alertando contra qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral do Brasil, a poucos dias da eleição presidencial marcada para 4 de outubro, informa o jornal The Hill.
No documento endereçado ao secretário de Estado, Marco Rubio, os senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch questionaram diretamente a postura de Washington sobre o pleito. “O governo se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas do Brasil de 2026 e a apoiar relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja escolhido de forma livre e justa pelo povo brasileiro?”, indagaram os parlamentares no texto direcionado a Rubio.
Segundo destaca a reportagem, embora o presidente Donald Trump tenha comemorado vitórias de candidatos de extrema-direita em outros países da América Latina, ele ainda não declarou endosso explícito na disputa brasileira, ainda que sinalize preferência pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, o líder norte-americano vem adotando medidas retaliatórias contra o país devido ao processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro (PL), seu aliado político. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Os senadores democratas destacaram com preocupação a atuação do assessor sênior do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Darren Beattie, apontado por eles como o principal articulador de ações agressivas contra a democracia brasileira.
“Beattie, um notório extremista de direita e supremacista branco, assumiu este cargo com um histórico de declarações públicas que sinalizam um compromisso ideológico ostensivo em minar as instituições democráticas do Brasil e promover os interesses da extrema-direita brasileira”, escreveram os senadores na missiva.
Beattie, que integrou a primeira gestão de Trump e foi demitido do cargo de redator de discursos após ter a presença confirmada em um encontro de supremacistas brancos, fundou posteriormente o veículo Revolver News, conhecido por amplificar teorias conspiratórias falsas sobre a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele assumiu a função de assessor sênior no Departamento de Estado em fevereiro, sem passar por sabatina ou confirmação do Senado, e figura no site do órgão como uma das principais vozes da política externa para o Brasil desde novembro de 2025.
Em março, Beattie teve o visto de entrada negado pelo governo brasileiro no contexto de uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O presidente Lula (PT) declarou à época que a negação do visto ocorreu após o governo Trump impedir a viagem do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), aos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o assessor norte-americano omitiu ou falsificou “informações relevantes sobre o motivo da visita”.
O episódio do visto é apenas um dos pontos de atrito recente entre a Casa Branca e o governo Lula. Em maio, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval para uma breve reunião e, na sequência, classificou as duas maiores facções criminosas de narcotráfico do Brasil – PCC e Comando Vermelho – como organizações terroristas — decisão criticada por Lula como uma interferência inaceitável nos assuntos internos do país. Adicionalmente, em julho, os EUA aplicaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros alegando “práticas comerciais desleais”, após uma investigação iniciada em decorrência do embate entre os chefes de Estado.
Diante do cenário, os senadores reiteraram na carta que as investidas de Washington representam um grave risco para a estabilidade regional e a cooperação bilateral.
“Hoje, em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão usando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que arriscam enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e infligir ainda mais danos ao nosso relacionamento com um parceiro comercial e aliado estratégico dos Estados Unidos”, advertiram os parlamentares.
“Essas ações refletem um padrão amplo e profundamente preocupante de interferência do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina. Esse padrão arrisca não apenas minar a integridade dos processos eleitorais em países individuais, mas também corroer progressivamente a confiança pública nos processos e instituições democráticas em toda a região”, concluíram os democratas.
Fonte: Brasil 247