Rios Taquari e Jacuí superam cota de inundação após temporal no RS

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O temporal que atinge o Rio Grande do Sul deixou cerca de 50 mil pessoas afetadas em pelo menos 80 municípios, provocou interrupções no fornecimento de energia para mais de 81 mil clientes e elevou rios acima das cotas de inundação nesta terça-feira (29).

A Região das Missões aparece entre as áreas mais atingidas, com registros de vendaval, granizo, destelhamentos, queda de postes e prejuízos em lavouras.

De acordo com balanço das 9h15, 81.368 clientes estavam sem energia elétrica em todo o Estado. A RGE registrava 68.342 pontos sem abastecimento, com maior concentração de ocorrências nas Missões, enquanto a CEEE Equatorial contabilizava 13.026 consumidores sem luz.

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, afirmou à Rádio Gaúcha que pelo menos 80 municípios já haviam comunicado danos decorrentes do temporal. Segundo ele, aproximadamente 50 mil pessoas foram afetadas.

Do total, 90 pessoas estavam acolhidas em abrigos públicos e mais de 6 mil precisaram deixar suas casas e buscar abrigo com familiares.

Taquari e Jacuí superam cotas de inundação

Dados do Serviço Geológico Brasileiro atualizados às 9h20 apontavam dois rios acima do nível considerado de inundação.

Em Lajeado e Estrela, o Rio Taquari chegou a 20,39 metros, enquanto a cota de inundação é de 19 metros. A água avançou sobre áreas ribeirinhas e ruas de Lajeado.

Ao menos 81 pessoas foram encaminhadas ao Parque do Imigrante, segundo informações da reportagem da GaúchaZH. Esta é a segunda enchente registrada na região em uma semana e a quarta em um intervalo de dois meses.

No Rio Jacuí, em Dona Francisca, a medição indicava 8,85 metros, acima da cota de inundação de 7,50 metros.

A Defesa Civil acompanha com atenção a situação nas Missões, onde estão áreas de cabeceira de rios que alimentam a bacia do Taquari. Boeira estimou que os acumulados de chuva na região poderiam atingir entre 120 e 130 milímetros ao longo do dia.

Santo Antônio das Missões enfrenta apagão e falta de comunicação

Uma das situações mais graves ocorre em Santo Antônio das Missões. Mais de 3 mil pessoas ficaram sem energia após o temporal e o município chegou a permanecer sem comunicação desde a meia-noite.

Por volta das 6h, equipes da Defesa Civil foram deslocadas para o município com geradores e equipamentos de internet via satélite para restabelecer o contato com as autoridades locais.

O vendaval provocou destelhamentos, queda de postes e danos à rede elétrica. Até a manhã desta terça, não havia previsão para a normalização do fornecimento.

Apesar dos prejuízos materiais, a Defesa Civil regional informou que não havia registros de feridos, desabrigados ou desalojados. Bombeiros e equipes municipais iniciaram a distribuição emergencial de lonas e telhas às famílias atingidas.

Mais de 6 mil atingidos nas Missões

Somente na Região das Missões, mais de 6 mil pessoas foram afetadas por ventos fortes e queda de granizo.

Em São Luiz Gonzaga, árvores foram arrancadas, casas ficaram destelhadas e os vidros de uma revenda de veículos foram destruídos. Pelo menos 10 árvores caíram, e cerca de 2 mil pessoas foram afetadas, conforme a Defesa Civil.

Em Cerro Largo, a cobertura de um posto de combustíveis localizado às margens da BR-392, na saída para Santo Ângelo, desabou com a força do vento. Árvores e galhos também atingiram trechos da rodovia.

Também foram registrados destelhamentos, quedas de árvores e prejuízos em estruturas rurais e urbanas em São Miguel das Missões, Catuípe, Entre-Ijuís, Senador Salgado Filho, Rolador, São Pedro do Butiá, Vitória das Missões, Giruá, Santo Ângelo, Eugênio de Castro e Caibaté.

Em São Borja, moradores da área rural também relataram danos causados pelo vendaval.

Deslizamento leva à retirada de moradores em Santa Maria

Em Santa Maria, três residências foram isoladas após um deslizamento no Morro Cechella, na região nordeste do município.

A área já havia sido atingida por um grande desmoronamento durante as enchentes de 2024, episódio em que três casas foram soterradas e duas moradoras, mãe e filha, morreram.

No episódio desta terça, a terra alcançou a parede dos imóveis, mas a avaliação preliminar da Defesa Civil não identificou danos estruturais. Por precaução, os moradores foram retirados e encaminhados para casas de parentes.

Outras 20 residências em áreas consideradas de risco estão sendo monitoradas.

Santa Maria permanecia sob alerta para chuva e alto risco de deslizamentos até a tarde desta terça. Segundo o Cemaden, o município acumulou 165 milímetros de chuva em 48 horas, volume superior à média mensal registrada na cidade.

Fonte: Brasil 247

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