Procurador-geral da Bolívia liga veto dos EUA a investigações sobre Cerimedo

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, atribuiu a revogação de seu visto para os Estados Unidos às investigações sobre o ex-assessor presidencial argentino Fernando Cerimedo e o caso conhecido como “Gasolina do Lixo”. Segundo a teleSUR, Mariaca rejeitou a medida anunciada na segunda-feira (28) e afirmou que o Ministério Público seguirá com as apurações.

Em pronunciamento feito em Sucre, sede do Ministério Público boliviano, Mariaca disse que a decisão de Washington surpreendeu as autoridades do país. Ele pediu respeito à soberania da Bolívia e ao princípio da não interferência, e afirmou que o trabalho da Procuradoria causa desconforto a setores políticos nacionais e internacionais.

A investigação que envolve Cerimedo apura uma tentativa de feminicídio e lavagem de dinheiro. Ao tratar do caso, Mariaca declarou que não recuará “nem um centímetro”. O procurador-geral também mencionou episódios anteriores de atrito entre os dois países, entre eles a suspensão do visto do ex-presidente Jaime Paz Zamora e a expulsão de um embaixador norte-americano durante o governo de Evo Morales.

A decisão dos Estados Unidos atinge 13 autoridades e ex-autoridades bolivianas, além de um empresário. O governo do presidente Donald Trump os acusa de corrupção e de atuar contra governos democraticamente eleitos. A restrição de entrada no país também alcança familiares diretos das pessoas afetadas.

No Congresso boliviano, o presidente do Senado, Diego Ávila, e o presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Castro, anunciaram que pedirão ao Ministério das Relações Exteriores informações oficiais sobre as acusações por meio dos canais diplomáticos. Ávila afirmou que “uma denúncia não é uma sentença e nenhum cidadão pode ser condenado sem provas”.

O senador informou ainda que solicitou ao vice-presidente Edmand Lara, que preside o Legislativo, a convocação urgente de uma sessão parlamentar sobre o assunto. Ávila sugeriu que Mariaca se afaste temporariamente do cargo enquanto as acusações são esclarecidas. Castro disse que as informações recebidas de Washington serão encaminhadas às instâncias competentes para avaliar eventuais medidas legais e parlamentares.

Segundo o comunicado norte-americano citado pela teleSUR, a restrição se apoia em dispositivos da legislação de imigração e de dotações para segurança nacional dos Estados Unidos. Washington sustenta que a atuação das pessoas atingidas prejudicaria o combate ao narcoterrorismo e o fortalecimento das instituições democráticas bolivianas.

Fonte: Brasil 247

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