‘Enquanto eu for presidente, ninguém vai mexer com Nossa Senhora Aparecida’, diz Lula

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu Nossa Senhora Aparecida e o respeito entre diferentes religiões durante um ato de campanha nesta segunda-feira (28) em Belém (PA). A manifestação ocorreu depois de a padroeira do Brasil entrar no centro do debate eleitoral com a circulação de informações nas redes sociais associadas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. 

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai mexer com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. Ninguém é dono da verdade”, afirmou Lula.

A declaração coloca a defesa da liberdade religiosa no centro do discurso do presidente em um momento no qual a religião passou a ocupar espaço relevante na campanha eleitoral.

Nossa Senhora Aparecida é oficialmente a padroeira do Brasil. A polêmica eleitoral surgiu após conteúdos divulgados nas redes sociais associarem Flávio Bolsonaro a uma proposta para retirar esse título da santa. O político da extrema direita negou qualquer intenção de apoiar uma medida dessa natureza.

Ao citar também as religiões de matriz africana, Lula ampliou sua manifestação para além da controvérsia ligada ao catolicismo e apresentou a tolerância entre diferentes crenças como princípio a ser observado pelo poder público.

Tema chega ao STF

A controvérsia sobre a remoção de publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais deve ser analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (30). 

Os ministros deverão decidir sobre o referendo da decisão de Flávio Dino que autorizou a permanência das postagens e levantou dúvidas sobre os poderes atribuídos às plataformas digitais para retirar conteúdos durante o processo eleitoral.

O presidente do STF, Edson Fachin, deve encaminhar a decisão de Dino ao plenário. Na condição de presidente da Corte, cabe a Fachin definir a pauta e, assim, estabelecer a data em que o tema será submetido aos demais ministros.

Pesquisas

O presidente Lula segurou a imagem em um contexto de repercussão de pesquisas sobre a votação de presidenciáveis entre segmentos religiosos. Conforme pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, o petista avançou nas intenções de voto entre católicos e evangélicos.

As estatísticas publicadas no levantamento apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, recuou entre o eleitorado evangélico. A tendência aparece nas simulações de primeiro e de segundo turno.

Mais detalhes

Durante sua passagem pela capital paraense, o presidente defendeu uma reforma política e outra no Poder Judiciário. Lula fez críticas ao chamado orçamento secreto, como são conhecidas as emendas de relator no Congresso Nacional. O petista criticou investidas do governo Donald Trump no processo eleitoral brasileiro e aproveitou para defender a soberania brasileira.

O Tribunal Superior Eleitoral iniciou uma investigação sobre uma rede de perfis no Instagram. A campanha de Lula denunciou no TSE que aumentaram as publicações em formato de “collab” para beneficiar Flávio Bolsonaro e também pediu apuração sobre possível interferência dos EUA.

As “collabs” são publicações feitas conjuntamente por dois ou mais perfis e exibidas simultaneamente nas contas participantes, estratégia que permite ampliar o alcance e a circulação do conteúdo na plataforma.

Foram identificadas 492 publicações em collab entre 15 de agosto e 7 de setembro, envolvendo 324 perfis. Entre 8 e 17 de setembro foram registradas 1.334 publicações e 168 novos coautores.

Fonte: Brasil 247

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