EUA dependem do aço brasileiro e querem trazer produção “de volta à América”, diz secretário de Comércio

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta segunda-feira (28) que os EUA dependem atualmente do Brasil para a produção de aço e trabalham para trazer essa atividade “de volta para a América”. A declaração ocorreu durante o anúncio, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma nova siderúrgica de US$ 15 bilhões no leste de Iowa.

Trump afirmou que os Estados Unidos ultrapassaram o Japão na produção de aço e disse que a nova unidade “será explorada, fundida e fabricada bem aqui nos EUA”. O presidente também relacionou a expansão da capacidade siderúrgica à política tarifária de seu governo. “Todo mundo está construindo suas usinas aqui porque não quer pagar tarifas”, declarou.

O empreendimento será desenvolvido pela Mesabi Metallics e deve começar a produzir aço em 2030. Segundo informações da Casa Branca, a primeira fase terá capacidade estimada de 7,5 milhões de toneladas anuais, com possibilidade de atingir 10 milhões de toneladas por ano quando o projeto estiver totalmente implantado. A previsão é de até 6 mil empregos durante a construção e pelo menos 1.750 postos permanentes em Iowa.

Trump afirmou ainda que a construção deverá gerar quase 6 mil empregos e disse que o empreendimento injetará US$ 90 bilhões na economia. O investimento direto anunciado para a siderúrgica é de US$ 15 bilhões.

A fábrica utilizará minério de ferro extraído pela Mesabi Metallics em Minnesota. A companhia, controlada pelo conglomerado indiano Essar Group, colocou recentemente em operação uma nova mina no estado, parte de uma estratégia de integrar nos Estados Unidos as etapas de mineração e produção siderúrgica.

Tarifas e dependência do aço brasileiro

A tentativa de ampliar a produção doméstica ocorre sob um regime de tarifas adicionais imposto pelo governo Trump às importações de metais. Uma proclamação da Casa Branca estabeleceu em abril alíquota adicional de 50% para diversos artigos de aço, com percentuais menores para determinadas categorias, produtos derivados e exceções específicas. O regime recebeu novos ajustes em junho.

A relação entre Brasil e Estados Unidos no setor, porém, envolve fluxos nos dois sentidos. O próprio Departamento de Comércio norte-americano descreveu em análise publicada em 2025 uma “interdependência estratégica”: siderúrgicas brasileiras importam carvão metalúrgico dos EUA, enquanto o aço produzido no Brasil abastece indústrias norte-americanas.

Lutnick não detalhou, no trecho divulgado do evento, quais produtos siderúrgicos brasileiros sustentariam a dependência mencionada por ele, nem apresentou volumes ou um prazo para que a ampliação da produção doméstica reduza as compras externas. A nova usina de Iowa, segundo as projeções divulgadas pela Casa Branca, só deverá iniciar a produção em 2030.

Fonte: Brasil 247

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