Luciana Matias: voz quilombola e dos povos de axé na Assembleia de Minas

0

Por Poderes Pretos — Mídia NINJA

28 de setembro de 2026

Luciana Matias: voz quilombola e dos povos de axé na Assembleia de Minas

Educação, justiça social e defesa dos territórios entre os eixos de candidatura a deputada estadual pelo PSOL

Poderes Pretos

Plataforma de visibilidade e apoio a produtores de conteúdo negro.

Por
Poderes Pretos

28 de setembro de 2026

17:25

Compartilhe:

Acompanhe nossas Redes Sociais







Poderes Pretos

Plataforma de visibilidade e apoio a produtores de conteúdo negro.

Eleger a primeira deputada estadual quilombola é nossa responsabilidade política!

Luciana de Souza Matias, mulher quilombola, liderança do Quilombo Família Matias, professora da Rede Pública de Belo Horizonte e mulher de tradição de matriz africana, apresenta sua candidatura a deputada estadual pelo PSOL. Sua trajetória política nasce da vivência no território, da educação e da luta coletiva. Professora, liderança quilombola urbana e militante dos movimentos negro e quilombola, Luciana construiu sua caminhada no enfrentamento às violações de direitos e na defesa de políticas públicas construídas com as comunidades e para as comunidades.

Entre os eixos de sua candidatura estão educação, justiça social, proteção ambiental e defesa dos povos e comunidades tradicionais, com especial atenção à pauta quilombola e aos povos de terreiro.

“Sou fruto de uma força ancestral construída com os meus e para os meus, reflexo de quem caminha na coletividade e na circularidade, porque é a partir do meu corpo quilombola que faço a luta e trago comigo a coragem que, ao longo dos anos, venho fortalecendo com cada uma e cada um”, afirma Luciana.

Para a candidata, a construção de uma política comprometida com os territórios precisa partir da escuta e da participação das próprias comunidades. “Compreendi que não andamos sós; estamos juntos e juntas por uma Minas Gerais mais comprometida com a pauta quilombola, contra toda e qualquer violação de direitos que possa nos atravessar.”

A pauta quilombola no centro da política estadual

A defesa de políticas de preservação dos territórios e de proteção à vida das lideranças é um dos eixos centrais da candidatura. Luciana defende que a pauta quilombola seja reconhecida como parte estruturante das políticas públicas de Minas Gerais.

A Lei Estadual nº 21.147/2014, que institui a Política Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais, estabelece entre seus objetivos a garantia de direitos territoriais, sociais, ambientais e econômicos; a permanência dos povos e comunidades tradicionais em seus territórios; a participação social; e o acesso às políticas públicas. A legislação também prevê proteção e assistência a representantes que atuem na defesa desses direitos e estejam expostos a situações de risco.

É nesse marco que Luciana apresenta compromissos construídos a partir das demandas das comunidades quilombolas:

  • segurança para as lideranças quilombolas, com enfrentamento à violência física e emocional;
  • combate ao racismo climático, especialmente diante dos impactos provocados por mineradoras e outros empreendimentos nos territórios;
  • valorização dos saberes ancestrais e tecnológicos construídos ao longo da formação dos territórios quilombolas;
  • garantia da permanência dos modos de vida e das formas de organização social e cultural, com atenção à agricultura familiar, à segurança alimentar e aos saberes tradicionais de saúde;
  • fortalecimento de uma educação territorial, construída a partir dos saberes das comunidades e de debates que ampliem a presença da pauta quilombola na educação pública.

Povos de terreiro, ancestralidade e defesa da vida

A candidatura de Luciana também tem entre seus compromissos a defesa dos povos de terreiro e das tradições de matriz africana.

Ekede, iniciada na tradição de axé e conhecida em sua comunidade pelo nome de santo Asà Omí, Luciana afirma que os valores que orientam sua trajetória política estão relacionados ao compromisso com a coletividade, ao respeito à ancestralidade, ao cuidado com a vida e à defesa dos territórios.

Os povos de terreiro fazem parte da construção histórica e cultural de Minas Gerais. Seus territórios preservam saberes ancestrais, produzem cultura, acolhem comunidades, promovem solidariedade e mantêm relações de cuidado com a natureza.

Entre os compromissos em construção da candidatura estão:

  • fortalecimento das políticas de proteção aos povos e comunidades tradicionais, com atenção aos povos de terreiro, seus territórios, saberes, tradições e direitos;
  • implementação e fortalecimento da Política Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais;
  • enfrentamento ao racismo religioso e ao racismo ambiental;
  • valorização das culturas afro-brasileiras e das tradições de matriz africana, ampliando o acesso aos recursos públicos para iniciativas culturais desenvolvidas por terreiros e comunidades tradicionais;
  • reconhecimento e proteção dos patrimônios culturais materiais e imateriais preservados pelos povos de axé;
  • fortalecimento da educação pública, com efetiva implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica;
  • construção de políticas públicas que coloquem o cuidado, a dignidade e a proteção da vida no centro das decisões do Estado.

Uma candidatura construída na coletividade

Para Luciana, a candidatura não nasce de um projeto individual. Ela é construída em diálogo com movimentos sociais, comunidades tradicionais, povos de terreiro, coletivos culturais, educadores, adolescências, juventudes e organizações populares.

“A defesa de uma Minas Gerais digna, com políticas de preservação dos territórios e de proteção à vida das lideranças, nos faz somar forças e acreditar que é possível construir, de forma efetiva e fortalecida, o caminho para uma política melhor”, afirma.

A proposta é ampliar a presença das comunidades quilombolas e dos povos de terreiro nos espaços de decisão e construir políticas públicas a partir das experiências e dos conhecimentos daqueles que historicamente tiveram seus territórios, saberes e direitos ameaçados.

“De forma que a pauta quilombola seja respeitada no Estado de Minas Gerais e tenha como princípio a valorização da vida do nosso povo quilombola, estamos construindo coletivamente as nossas lutas.”

Kò sí ewé, kò sí Òrìṣà

Luta atual: contra o PL 574 – https://docs.google.com/document/d/1MAu5aZWOtY7Mo-y6-Y8yerM3VG-A61VUU3PDXNoSLcQ/edit?usp=sharing

Fonte: Mídia NINJA

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *