Vik Muniz transforma cédulas descartadas em onças, araras e paisagens; exposição chega a Goiânia
Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Fragmentos de cédulas que foram retiradas de circulação pela Casa da Moeda ganharão uma nova função em Goiânia. O material foi utilizado pelo artista Vik Muniz para criar imagens de animais e paisagens brasileiras que integram a exposição “Dinheiro Vivo”. A mostra será aberta no dia 6 de outubro, às 19h, na Galeria Léo Romano, no Setor Sul. A entrada é gratuita e a visitação segue até 31 de janeiro de 2027.
Com curadoria de Daniel Rangel, a exposição reúne 13 obras produzidas a partir de 2022. Os trabalhos fazem parte de uma série criada por Muniz depois que o artista conheceu, durante uma visita à Casa da Moeda, o processo de fabricação das notas e descobriu que folhas com imperfeições são retiradas de circulação e posteriormente trituradas.
O contato ocorreu durante um trabalho relacionado à recuperação do Museu Nacional, atingido por um incêndio em 2018. Parte das cédulas descartadas foi disponibilizada ao artista, que passou a utilizar os fragmentos como matéria-prima.
A série é dividida em dois núcleos. No primeiro, Muniz reproduz animais que aparecem nas próprias cédulas brasileiras. Estarão na mostra trabalhos como “Mico-leão-dourado”, “Arara”, “Garça”, “Garoupa”, “Lobo-guará” e “Onça-pintada”.
A produção segue uma regra específica: cada animal é construído somente com fragmentos da cédula em que a espécie está representada. O lobo-guará, por exemplo, é feito com pedaços da nota de R$ 200, enquanto a garça utiliza fragmentos da cédula de R$ 5.
O segundo núcleo reúne paisagens brasileiras reconstruídas com o mesmo material. As obras partem de imagens produzidas por artistas viajantes do século 19, como Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger.
Entre os trabalhos estão “Serra Ouro Branco, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Praia Rodrigues, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Vista da costa da Bahia, a partir de Johann Moritz Rugendas” e “Lagoa Rodrigo de Freitas, a partir de Franz Keller Leuzinger”.
A utilização das cédulas também impôs limitações ao processo criativo. Para representar a vegetação nas paisagens, por exemplo, o artista precisou selecionar fragmentos verdes disponíveis na nota de R$ 20.
Para Vik Muniz, o dinheiro também funciona como uma forma de comunicação. “Dinheiro, dentro de todos os veículos de troca simbólica que usamos, como uma imagem, é a mídia mais objetiva, mais direta. Sempre vi o dinheiro como meio de comunicação”, afirma.
A exposição permite ainda uma leitura relacionada à preservação ambiental, tanto pelas representações de animais e paisagens brasileiras quanto pelo reaproveitamento de um material que seria destruído.
Programação
A exposição integra uma programação temporária da Galeria Nara Roesler em Goiânia, desenvolvida no ano em que a galeria completa 50 anos. A iniciativa foi articulada pela Entrearte e também prevê a apresentação de obras de outros artistas representados pela Nara Roesler, como Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi.
A Galeria Léo Romano foi inaugurada em julho de 2026 e ocupa três pavimentos no Setor Sul. O espaço reúne propostas relacionadas à arte, arquitetura e design. A primeira exposição realizada no local foi “Travessia”, retrospectiva dos 30 anos de trajetória de Léo Romano.
Serviço
Exposição: Vik Muniz – Dinheiro Vivo
Abertura: 6 de outubro, às 19h
Visitação: até 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Léo Romano, Setor Sul, Goiânia
Entrada: gratuita
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Fonte: Jornal Opção