Proibição das bets foi maior evento político nas redes no ano, aponta Instituto DX
Por Gabriel Anjos — ICL Notícias
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Por Gabriel Gomes
A proibição das bets anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25) se tornou o evento político de maior repercussão nas redes sociais no período de 12 meses analisado pelo Instituto Democracia em Xeque (DX).
Segundo relatório, a medida gerou 1.332.600 menções nas primeiras 24 horas, superando a repercussão registrada em episódios como a disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que havia alcançado 1.011.186 menções no mesmo intervalo.
Entre 25 e 28 de setembro, até as 9h, foram contabilizados 2,5 milhões de posts e 40 milhões de interações sobre o tema nas redes monitoradas.
O anúncio provocou três ondas sucessivas de repercussão. O primeiro pico ocorreu na noite de sexta-feira (25), quando o volume chegou a 85,8 mil publicações por hora. No sábado (26), uma segunda onda atingiu 75,4 mil publicações por hora, enquanto no domingo (27) uma terceira chegou a 47,3 mil por hora.
Na comparação com outros episódios políticos monitorados pelo DX, a proibição das bets teve o maior volume nas primeiras 24 horas. O caso superou, além da crise entre Mendonça e Moraes, eventos como a condenação de Jair Bolsonaro, o caso Dark Horse e o debate sobre Nossa Senhora Aparecida. Nas primeiras 63 horas, foram registradas 2.494.800 menções ao tema.
A medida foi anunciada por Lula por meio de uma Medida Provisória que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e cassinos on-line. O governo estabeleceu 5 de outubro como prazo para que apostadores retirem voluntariamente os valores mantidos nas plataformas, enquanto os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.

Oposição publicou mais, mas favoráveis tiveram mais interações
O relatório mostra uma diferença entre o volume de publicações e o engajamento. Entre os posts com posicionamento definido, as narrativas contrárias à medida somaram 4.507 publicações, ou 57%, enquanto as favoráveis reuniram 3.389.
Nas interações, porém, a proporção se inverteu: as narrativas favoráveis alcançaram 8,8 milhões de interações, contra 8,2 milhões das contrárias. Considerando apenas os conteúdos com posicionamento definido, o campo favorável ficou com 52% das interações e o contrário com 48%.
Entre os argumentos favoráveis, o principal eixo foi a defesa da medida como forma de proteger famílias contra endividamento, dependência e perdas financeiras. Essa narrativa reuniu 1.912 posts e 6,23 milhões de interações. O apoio político ao governo apareceu em 2.825 posts, com 6,15 milhões de interações.
Já entre as narrativas contrárias, o principal eixo foi a acusação de “eleitoralismo, hipocrisia e responsabilidade do governo”, com 3.076 posts e 5,87 milhões de interações. Também ganharam espaço argumentos sobre perdas econômicas, arrecadação, insegurança jurídica e possíveis impactos sobre clubes de futebol e patrocínios.
Tigrinho e disputa eleitoral
A análise dos perfis políticos e da imprensa identificou seis principais eixos de discussão. O maior, responsável por 34% das publicações, foi classificado pelo DX como “Ataque do Tigrinho e a manobra eleitoral”. Segundo o levantamento, 74% das publicações desse eixo partiram de perfis classificados como extrema direita.
Outro eixo, responsável por 31% das publicações, concentrou argumentos sobre prejuízos às famílias e defesa da proibição. Nesse caso, 64% das publicações vieram de perfis classificados pelo instituto como de esquerda.

A reação de Flávio Bolsonaro também ocupou espaço relevante no debate. Segundo o relatório, o candidato passou a defender a manutenção das apostas esportivas e a proibição dos cassinos on-line e do chamado Tigrinho. Essa contraproposta representou 11% das publicações da amostra qualitativa e gerou cerca de 1,07 milhão de interações.
Instagram concentrou maior parte das interações
O levantamento encontrou diferenças significativas entre as plataformas. O X (antigo Twitter) concentrou 84,4% dos posts analisados, mas apenas 19% das interações. O Instagram, por outro lado, respondeu por 12,4% das publicações e 77,5% das interações, indicando maior capacidade de circulação de conteúdos publicados na plataforma.
As páginas de fofoca e entretenimento também tiveram participação desproporcional. Elas produziram 280 posts, ou 5% da amostra, mas alcançaram 3,8 milhões de interações, equivalentes a 16% do total. A média foi de 13.510 interações por publicação, acima das médias registradas entre esquerda e direita.
Entre os principais publicadores, o perfil oficial de Lula publicou 15 vezes e acumulou 2,8 milhões de interações. Nikolas Ferreira chegou a 1,1 milhão com apenas dois posts, enquanto Thiago Asmar registrou 1,2 milhão em oito publicações. A Choquei, classificada no relatório como página de fofoca, teve 35 posts e 1,7 milhão de interações.
O relatório conclui que a repercussão combinou quatro frentes principais: proteção social, disputa eleitoral, modelo regulatório e impacto sobre o futebol. A combinação desses temas, segundo o DX, ajudou a manter a discussão em alta por vários dias e levou a proibição das bets ao maior nível de repercussão política registrado pelo instituto no período analisado.
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Fonte: ICL Notícias




