Homem morto em perseguição levou mão à cintura antes de ser baleado em Vila Velha, diz comandante da PM

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Publicado em 28 de Setembro de 2026 às 10:20

Jaciele Simoura

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O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou, nesta segunda-feira (28), que o movimento feito por Caio Abreu Rodrigues, de 33 anos, durante a perseguição em Ilha das Flores, em Vila Velha, foi interpretado pelos policiais como uma possível reação armada. 

Caio morreu após ser baleado por um policial militar durante a perseguição, na manhã de domingo (27). Câmeras de videomonitoramento (veja acima) registraram parte da ocorrência e mostram o homem correndo enquanto era seguido por dois militares. A PM informou anteriormente que ele teria feito menção de estar armado antes de os policiais atirarem.

” Quando a gente desce com a arma em punho, isso é protocolar. O policial precisa estar em vantagem em relação ao cidadão a ser abordado. A ocorrência evoluiu e ele correu com a mão na cintura. Em dado momento, ele retira, o que aparenta ser um celular, e o movimento do braço vai para trás. Nós já tivemos ocorrência em que o infrator em fuga atirou para trás e matou um soldado anos atrás em Guarapari. É rápido e complexo “, afirmou o comandante.

Rubim disse que não é possível afirmar, pelas imagens analisadas até o momento, se Caio estava ou não armado.

Pelo ângulo não é possível identificar. No momento da ocorrência, no ângulo que cada um estava conforme a situação, não me atreveria a dizer sim e não

Coronel Ríodo Lopes Rubim Comandante-geral da PM

Segundo o comandante-geral, antes da abordagem de Caio, o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes/190) havia recebido uma chamada sobre um homem com características semelhantes às repassadas posteriormente aos policiais.

De acordo com Rubim, a denúncia inicial relatava que um homem estaria causando tumulto, ameaçando pessoas e estaria em uma motocicleta vermelha, portando uma arma de fogo.

“Os policiais não sabiam dessas informações, mas tanto as informações que chegaram ao Ciodes, quanto as informações que eles receberam de cidadãos em via pública davam conta de um cidadão com aquelas características”, afirmou.

Rubim também classificou a ocorrência como complexa e disse que a PM evita fazer, neste momento, um julgamento sobre a correção ou não da atuação dos policiais.

“Todas as nuances pertinentes à ocorrência estão sendo investigadas”, afirmou.

O comandante-geral também afirmou que apenas um dos dois policiais que perseguiam Caio efetuou disparos.  Segundo ele, foram dois tiros. 

“Um primeiro disparo que teria sido por advertência. Pelo vídeo é possível ver pelo ângulo. O segundo disparo é que teria alvejado o cidadão. Somente um”, disse.

Rubim afirmou ainda que, preliminarmente, o tiro teria atingido a região da escápula, mas ressaltou que a informação ainda não foi confirmada.

Ele foi socorrido ao Hospital Evangélico de Vila Velha, mas morreu.

Questionado se Caio tinha envolvimento com crimes, o  coronel Rubim  afirmou que os policiais não tinham informações sobre a vida pregressa dele no momento da abordagem.

” Para a ocorrência dita, os policiais não tinham informações que tinha problema com a ex-mulher, que portava arma de fogo quando usava drogas e ia para frente da casa dela e a ameaçava. Ela fez esse registro, pediu medida protetiva. Para a abordagem em si, nós não tínhamos essas informações”, destacou o comandante-geral da PM.

Após a morte, moradores fizeram um protesto na região. Houve incêndio de pneus e bloqueio de uma via, e a PM informou ter reforçado o policiamento no bairro diante de denúncias sobre possíveis ameaças de incêndio de ônibus. Equipes do Batalhão de Missões Especiais (BME) foram acionadas para liberar a via.

A Polícia Civil informa que a ocorrência de morte por intervenção legal de agente do Estado foi entregue na Delegacia Regional de Vila Velha. O corpo do suspeito, de 33 anos, foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) da Polícia Científica, em Vitória, para ser necropsiado e, posteriormente, liberado aos familiares. 

O caso seguirá sob investigação do Serviço de Investigações Especiais (SIE) do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), responsável por apurar ocorrências de morte por intervenção legal de agente do Estado.

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