Lula propõe dividir indicação de ministros do STF
Por Hiroshi Bogéa — Opinião em Pauta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (27) que pretende mudar o atual modelo de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à TV Bandeirantes, gravada pela manhã no Palácio da Alvorada, Lula defendeu a criação de um colegiado que permita maior participação da sociedade civil no processo de indicação.
“A única coisa que eu posso dizer é que não pode continuar do jeito que está”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, o modelo atual é “muito vulnerável” por concentrar no presidente da República a escolha dos nomes. Ele defendeu a criação de critérios que permitam avaliar os candidatos antes da indicação ao STF.
“Eu quero mudar o critério de escolha. Acho que nós temos que criar um critério para envolver a sociedade civil, para indicar alguém que não seja simplesmente da vontade do presidente. Tem que ser alguém que passe pelo crivo de um colegiado”, disse.
O presidente também afirmou que a análise dos candidatos deveria considerar com mais atenção a trajetória e a biografia de quem será escolhido para integrar a Suprema Corte. Para Lula, os ministros precisam demonstrar coerência e responsabilidade ao longo do exercício da função.
“Estou preocupado agora é com o critério de indicação. Estou preocupado com o mandato. O cidadão não pode ficar 40 anos, 45 anos, 35 anos”, afirmou, ao defender uma discussão sobre a duração do período de permanência dos ministros no STF.
Lula também fez críticas ao comportamento de integrantes da Corte depois de assumirem o cargo. Em tom irônico, afirmou que existe uma diferença entre o momento da indicação e aquele em que o ministro veste a toga.
“Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota a toga. E quando o cara coloca a toga, ele vira Deus”, disse.
Durante a entrevista, o presidente também defendeu maior rigor ético na atuação dos ministros. Segundo Lula, a função é incompatível com a busca por enriquecimento pessoal.
“Um ministro não pode querer ficar rico. É incompatível a função de quem recebe R$ 43 mil e ficar rico”, afirmou. Ele estendeu a mesma avaliação a deputados, governadores e presidentes da República.
Na entrevista, Lula também declarou acreditar na inocência de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado em investigações relacionadas à sua relação com a lobista Roberta Luchsinger. O presidente ainda saiu em defesa de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações do G1
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Fonte: Opinião em Pauta