Disputa apertada leva Lula e Flávio Bolsonaro a buscar eleitores que podem se abster, votar branco ou anular o voto

0

Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – A perspectiva de uma eleição presidencial decidida por uma margem estreita fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentrarem esforços na mobilização de eleitores para o primeiro turno, em 4 de outubro. Ambos tentam convencer seus potenciais apoiadores a comparecer às urnas, em uma disputa na qual cada voto pode ser decisivo.

Segundo reportagem de O Globo, a preocupação das campanhas é alimentada pela possibilidade de aumento da abstenção e dos votos brancos e nulos. Pesquisadores ouvidos pelo jornal apontam sinais de desinteresse nesta eleição, mas ressaltam que ainda não é possível prever o tamanho da participação nem determinar qual candidato seria mais prejudicado por uma eventual queda no comparecimento.

Lula tem dirigido apelos aos eleitores mais velhos. O voto é facultativo a partir dos 70 anos, e pesquisas recentes de Quaest e Datafolha mostram que o presidente alcança sua maior vantagem sobre Flávio entre os eleitores com mais de 60 anos. Em um vídeo de campanha, o petista cita que a abstenção entre pessoas acima dos 70 ficou próxima de 60% em 2022.

“Precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar. Levanta a bunda e vai votar, o Brasil precisa de você”, afirmou Lula durante uma carreata na quinta-feira em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O presidente também gravou um vídeo com a influenciadora Ademara para incentivar o comparecimento desse público. O governo anunciou ainda que o voto na eleição servirá como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS.

Flávio procura mobilizar eleitores com o argumento de que sua candidatura representa uma mudança de governo. Em entrevista à TV Globo, em agosto, o senador relacionou a abstenção de 2022 à margem de vitória naquela disputa: “Foram mais de 32 milhões de pessoas que não foram votar nas eleições de 2022, e ela foi decidida por algo em torno de 2 milhões de votos. É muito importante que você participe se você também quer uma mudança no seu país”.

A rejeição é um dos fatores considerados nas análises sobre a participação eleitoral. Na Quaest, 55% dos entrevistados disseram conhecer Lula e não votar nele; para Flávio, o índice foi de 56%. O Datafolha, que pergunta em quem o eleitor não votaria “de jeito nenhum”, registrou rejeição de 45% a cada um. Como as perguntas são diferentes, os percentuais dos institutos não são diretamente comparáveis.

Há também diferenças na avaliação que os eleitores fazem das candidaturas dentro de seus respectivos campos políticos. De acordo com a Quaest, 50% dos entrevistados que se dizem de direita, mas não bolsonaristas, consideram Flávio o melhor nome desse campo para a disputa. Entre os eleitores de esquerda não lulistas, 79% apontam Lula como a melhor opção. Para o diretor do instituto, Felipe Nunes, o dado indica um risco de desmobilização para o senador.

O cientista político Jairo Nicolau, professor da FGV-CPDOC, afirma que as pesquisas não permitem antecipar com segurança um aumento da abstenção. Ainda assim, sua percepção da campanha aponta nessa direção. “Intuitivamente, acredito que haverá um incremento das duas coisas: abstenção e brancos e nulos. Posso estar errado”, disse a O Globo. Ele acrescentou que uma disputa mais acirrada no segundo turno pode levar às urnas eleitores hoje pouco mobilizados.

Lucio Rennó, professor da Universidade de Brasília, também vê indícios de desânimo. Um estudo do ObservaDF com eleitores do Distrito Federal identificou baixo engajamento com a eleição, embora seus resultados não possam ser aplicados ao país inteiro. “Pelo conjunto, por esse desalento, não seria surpresa uma abstenção maior”, afirmou.

Em 2022, a disputa entre Lula e Jair Bolsonaro teve forte mobilização e uma queda expressiva dos votos brancos e nulos em comparação com 2018. Neste ano, o efeito de uma eventual redução da participação permanece incerto — razão pela qual as duas campanhas tratam o comparecimento de seus eleitores como parte central da reta final do primeiro turno.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *