Deputado Ofer denuncia ato ditatorial do Comitê Eleitoral israelense que desqualifica partidos árabes
Por Hora do Povo — Hora do Povo

O Comitê Eleitoral Central, ao mesmo tempo em que aprovou, na quarta (23) e quinta-feira (24), que partidos fascistas, que advogam a expulsão de todos os palestinos do que restou do êxodo forçado desde 1948 até os dias de hoje e pela limpeza étnica no território ilegalmente ocupado por Israel, estão aptos a concorrer, decidiu também desqualificar da disputa nas eleições que se avizinham, tanto a coalizão Lista Conjunta, uma aliança de três partidos majoritariamente árabes, incluindo o Partido Comunista de Israel, como o partido Ra’am, outra agremiação predominantemente árabe.
A decisão acontece em meio a pesquisas que indicam a derrota da coalizão que hoje está aboletada no desgoverno de Netanyahu.
Segundo estas pesquisas, divulgadas pelo jornal Haaretz, a lista apresentada pelo partido Yashar seria a mais votada, obtendo 23 cadeiras no Knesset e o bloco que ele encabeça teria 53 das 120 cadeiras, enquanto que a coalizão criminosa de Netanyahu teria seu partido Likud caindo para 19 cadeiras e seu bloco ficaria com 52 cadeiras. As demais 15 cadeiras devem ir, em sua maioria exatamente para os partidos de maioria árabe, o que, mantido este resultado, pode trazer o fim do governo do bando de Netanyahu. Basta que haja a votação de 53 a favor do bloco opositor e a abstenção dos parlamentares da Lista Conjunta e do Ra’am (12 deputados).
Esta decisão mostra, acima de tudo, um acirramento do sistema ditatorial que se implantou em Israel.
A este respeito seguem declarações de um dos candidatos desqualificados pelo Comitê Eleitoral, integrante do Partido Comunista de Israel, o deputado Ofer Cassif, o qual espera que a decisão seja anulada pela Corte Suprema israelense, permitindo que vigore sua candidatura e mandato, em entrevista exclusiva ao Hora do Povo:
HORA DO POVO: Como o deputado vê esta desqualificação dos partidos de maioria arábe?
Ofer Cassif: Essa desqualificação não deveria surpreender a ninguém, o Comitê Eleitoral Central chegou a esse veredicto de acordo com sua composição que corresponde à maioria – no atual parlamento israelense – que tem posicionamento direitista e, portanto, é hoje controlado pelas forças mais racistas e fascistas de Israel.
O que motivou a desclassificação não é somente a exclusão da minoria nacional palestina do jogo político – uma participação que é evidentemente importante – mas mira também o silenciamento das únicas vozes que se opõem decididamente à ocupação, seus crimes, assim como às guerras inúteis.
HP: Seria uma tentativa de golpe de Estado?
OC: A decisão do Comitê também reflete o desplante de impedir qualquer aspiração e possibilidade de derrubar o governo da direita fascista, no afã de perpetuar seu domínio sobre toda a sociedade.
Neste sentido, as desqualificações integram uma parte central do golpe de Estado que vem buscando perpetrar esta coalizão sob o comando de Netanyahu nos últimos três anos.
Lamento ter que dizer que tem havido um comportamento vergonhoso de parte dos que se pretendem parte da oposição ao governo fascista, se tenham somado àqueles que desqualificam e, portanto, infelizmente respaldam algumas destas tentativas de anulação destas candidaturas.
HP: Há possibilidade reverter essa decisão que aprofunda a ditadura em Israel?
OC: Eu estou convencido de que o Tribunal Superior anulará estas deploráveis decisões. Portanto, estaremos na próxima legislatura do Knesset (parlamento israelense).
HP: Qual é o eixo central de seu posicionamento no Knesset?
OC: Estou seguro de que seguiremos representando nosso público, assim como nossos valores e princípios contra a ocupação, os crimes de guerra e a violência e a favor de uma paz justa, de uma igualdade e democracia e sempre dando voz aos que combatem o genocídio e a limpeza étnica, como acontece e se acelera na Cisjordânia.
Estou certo de que termos êxito nas eleições, mas, por enquanto, como venho denunciando há mais de três anos, o genocídio em Gaza, a limpeza étnica na Cisjordânia e o fascismo dentro de Israel, incluindo a recente desqualificação de todos os representantes dos palestinos de Israel, são quatro aspectos interconectados de uma mesma realidade e fazem parte do plano de etnicídio de explicitado por Smotrich e Gvir.
HP: Grato pela entrevista Ofer e esperamos sucesso nas eleições e na derrubada desta absurda desqualificação
OC: A luta segue e, estou seguro, venceremos.
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Fonte: Hora do Povo