Maior navio de cravação de estacas do mundo deixa a China rumo à Bahia

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O CRCC Bridge Piling No. 1, apresentado como o maior navio de cravação de estacas com posicionamento dinâmico do mundo, deixou neste domingo (27) o porto de Lüsi, na província chinesa de Jiangsu, com destino ao Brasil. A embarcação será utilizada na construção da Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, informou o Global Times, citando a China Railway Construction Corporation (CRCC).

A viagem deverá durar aproximadamente 45 dias e cobrir cerca de 11.300 milhas náuticas. O navio seguirá pelo estreito de Malaca, contornará o cabo da Boa Esperança e entrará no Atlântico Sul antes de alcançar a costa brasileira. O deslocamento exigiu um plano específico de transporte, planejamento de rota e avaliações de risco devido às dimensões e características da embarcação.

Construído e financiado pela CRCC, o navio tem 130,5 metros de comprimento e conta com uma estrutura de cravação de estacas que alcança 156 metros de altura. O equipamento foi projetado para içar estacas de até 700 toneladas e trabalhar em profundidades de até 70 metros, características importantes para enfrentar as condições geológicas da Baía de Todos-os-Santos.

O desafio de engenharia é significativo. Estudos realizados no local identificaram profundidades próximas de 67 metros no canal central da baía, e as investigações do solo chegaram, em determinados pontos, a 200 metros de profundidade. Ao todo, foram feitos 105 furos ao longo do traçado para determinar as características das fundações da futura ponte.

Tecnologia chinesa na Bahia

Entre as principais tecnologias embarcadas no CRCC Bridge Piling No. 1 está um sistema que combina posicionamento dinâmico e por amarração, utilizando também o sistema chinês de navegação por satélite BeiDou. A tecnologia permite posicionar a embarcação com precisão centimétrica durante a instalação das fundações.

O navio dispõe ainda de um sistema hidráulico desenvolvido para recuperar até 40% da energia utilizada nas operações, elevando a eficiência durante os trabalhos de grande porte.

A chegada do equipamento representa mais uma etapa da participação chinesa na Ponte Salvador-Itaparica. O sistema viário completo terá 46,8 quilômetros, dos quais 12,4 quilômetros correspondem à travessia marítima. O projeto oficial prevê ainda estruturas terrestres e rodoviárias para conectar Salvador à Ilha de Itaparica e reorganizar parte importante da infraestrutura de transportes da Bahia.

A obra é executada por meio de uma parceria público-privada entre o governo baiano e a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada por grupos chineses de engenharia. Quando concluída, a travessia marítima de 12,4 quilômetros deverá se tornar a maior ponte da América Latina sobre lâmina d’água.

Nova conexão entre Salvador e a Ilha de Itaparica

A expectativa é de que a nova ligação transforme a mobilidade entre Salvador, a Ilha de Itaparica e diversas regiões do interior baiano. Segundo informações divulgadas pelas empresas envolvidas no projeto, a ponte deverá receber cerca de 28 mil veículos por dia em sua fase inicial.

A redução das distâncias está entre os principais impactos esperados. O empreendimento permitirá fazer em aproximadamente 15 minutos a travessia rodoviária entre Salvador e Vera Cruz. O sistema também deverá melhorar as conexões entre a capital e o interior e beneficiar cerca de 10 milhões de habitantes em mais de 250 municípios, segundo o governo baiano.

Além do impacto sobre os deslocamentos de passageiros, a ponte deverá criar uma nova rota logística para a Bahia, reduzindo distâncias no transporte de mercadorias entre determinadas regiões do estado e a capital. A expectativa é de estímulo a investimentos em áreas como logística, turismo, comércio, agricultura e indústria, com efeitos econômicos que deverão ultrapassar os municípios diretamente ligados pela estrutura.

A viagem do CRCC Bridge Piling No. 1 da costa chinesa até a Bahia simboliza também a dimensão tecnológica da participação chinesa no projeto. Depois de atravessar dois oceanos e contornar o sul da África, uma das maiores máquinas de engenharia marítima já construídas será empregada na implantação das fundações de uma obra destinada a transformar a infraestrutura de transportes do estado.

Fonte: Brasil 247

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