China e Estados Unidos chegam a oito consensos e reforçam busca por estabilidade estratégica
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – China e Estados Unidos chegaram a oito resultados e consensos durante a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, realizada entre quarta e sexta-feira, segundo informou o Global Times. Os entendimentos abrangem desde a definição de princípios para administrar a relação bilateral até comércio, inteligência artificial, segurança e comunicação militar.
O principal resultado político foi o compromisso de avançar na construção de uma relação China-EUA construtiva e marcada pela estabilidade estratégica. Xi e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defenderam que a convivência entre as duas maiores economias do mundo seja orientada pelo respeito, pela equidade e pela reciprocidade.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, esses conceitos têm implicações concretas. Respeito significa considerar a soberania, o sistema político e os interesses centrais de cada país; equidade pressupõe buscar uma cooperação mutuamente benéfica; e reciprocidade significa tratar as duas potências em condições de igualdade.
Na frente econômica, Pequim e Washington reconheceram avanços obtidos pelos mecanismos de consulta bilateral. Entre os resultados mencionados estão a criação de um conselho comercial, um acordo envolvendo redução recíproca de tarifas sobre US$ 30 bilhões em comércio e a extensão de entendimentos alcançados anteriormente nas negociações realizadas em Kuala Lumpur.
Os dois governos também acertaram apoio mútuo a dois dos principais encontros multilaterais do calendário internacional. Os Estados Unidos apoiarão a realização da reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que será sediada pela China em novembro de 2026, enquanto Pequim apoiará a realização da cúpula do G20 organizada pelos Estados Unidos em dezembro.
Xi e Trump também discutiram questões de segurança internacional. De acordo com os consensos divulgados, ambos afirmaram que o Irã deve cumprir o compromisso de não desenvolver armas nucleares. China e Estados Unidos também defenderam que países ou instituições não imponham taxas de trânsito em vias navegáveis internacionais.
O papel da Inteligência Artificial
A inteligência artificial ganhou espaço próprio na agenda bilateral. Os dois países concordaram em estabelecer um canal de diálogo dedicado aos riscos e benefícios associados à tecnologia. Uma nova rodada dessas conversações está prevista para novembro. Também deverá ser criado um mecanismo de comunicação para lidar com eventuais incidentes relacionados à IA.
Houve ainda avanços nas áreas de segurança e defesa. Xi e Trump destacaram os resultados da cooperação bilateral no combate às drogas, enquanto as Forças Armadas chinesas e norte-americanas pretendem assinar um memorando destinado a ampliar a comunicação, reduzir riscos de erros de cálculo e prevenir crises.
Para Diao Daming, professor da Universidade Renmin da China, os resultados da visita indicam uma disposição compartilhada para preservar a estabilidade das relações entre Pequim e Washington. Segundo o especialista ouvido pelo Global Times, os consensos alcançados podem aumentar a previsibilidade não apenas para China e Estados Unidos, mas também para o cenário internacional.
Os entendimentos ocorrem em um momento em que as duas potências procuram estabelecer mecanismos capazes de administrar uma relação marcada simultaneamente por competição e interdependência. Ao criar canais permanentes de diálogo e estabelecer áreas concretas de cooperação, Pequim e Washington sinalizam a intenção de impedir que suas divergências estratégicas se transformem em crises abertas.

Fonte: Brasil 247