Justiça para Lara! Brasileira é presa por ICE anti imigrante após sofrer aborto espontâneo

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Por Julia Cardoso, Pão e Rosas — Esquerda Diário

Mais um episódio absurdo do Imperialismo e do Patriarcado. A polícia do ICE, acionada pelo noivo da jovem, aprendeu após um aborto espontâneo. A polícia norte-americana negou o acesso a medicamentos e a deixou dormindo no chão durante a detenção. Todo repúdio ao caso. Rumo ao 28S, dia latinoamericano e caribenho pela descriminalização e legalização do aborto, gritamos também por justiça para Iara Carmo, pelo direito de termos acesso livre e gratuito a medicamentos e abortos seguros.

O caso de Iara Carmo ocorreu em Massachusetts, nos Estados Unidos. Iara teve complicações em sua gravidez de seis semanas e sofreu um aborto espontâneo. Durante uma crise emocional por conta de sua perda, seu noivo acionou o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos) que a deteve. Nesse caso a aliança do imperialismo e do patriarcado para oprimir e reprimir as mulheres, principalmente latino-americanas e negras. Assim, por um lado, vemos a política anti-imigrante americana desempenhar o papel a que veio que é o de deter, reprimir, humilhar e oprimir os imigrantes no país. Principalmente em meio ao endurecimento dessa política imperialista que viemos assistindo nesse último ano com maior grau de brutalidade do ICE internamente nos EUA, ofensiva tarifária a Cuba, invasão na Venezuela e tentativas de ingerência no Brasil.

Por outro lado, vemos também a retomada da lógica patriarcal com a detenção e repressão de Iara ter tido de como pontapé uma ligação de seu noivo que a julgava descontrolada em um momento de profundo sofrimento após ter perdido um filho. Ao invés, do Estado garantir medicamentos e meios materiais, como moradia, para acolher essa jovem, ela foi presa, jogada para dormir no chão e tendo seus medicamentos confiscados. Isso tudo tem uma razão, o Estado é capitalista e patriarcal e, quando puder, estará sempre contra as mulheres.

Esse caso deixa um recado. Enquanto o Estado ainda for burguês, ele nunca estará do lado das mulheres. A ofensiva imperialista de Donald Trump no Brasil e em toda a América Latina que quer nos transformar em seu quintal atinge brutalmente a vida das mulheres. O imperialismo no Brasil tem seus capachos, como Flávio Bolsonaro, que são os primeiros a encher a boca para atacar os direitos das mulheres, propor ataques como o PL 1904 que querem nos obrigar a ter filhos de estupradores, a PDL da Pedofilia, e avançar nas privatizações e manter a escala 6×1 para precarizar mais a nossa vida e nos tirar o direito de viver a maternidade.

Além disso, a Frente Ampla do Brasil não deixa de ser cúmplice com essa política imperialista quando quer entregar as terras raras pros braços do imperialismo norte-americano. No Brasil, vemos como o judiciário, que tampouco sequer garantiu a descriminalização, está até a cabeça envolvido na crise política do Banco Master que ocorre no Brasil, a qual nos relembra que o judiciário passa longe de ser aliado na luta pela vida das mulheres. E também quando a Frente Ampla, em nome das eleições, se nega a defender o direito ao aborto, enunciando aliás que este é assunto superado dentro do PT, o que é evidente visto que em mais de 15 anos no governo, nunca garantiu esse direito básico.

Por isso, precisamos ter claro que pela vida das mulheres que morrem por abortos clandestinos, as vítimas de violência de gênero e por mulheres como Iara que precisamos de uma luta independente dos governos e do judiciário. É preciso unificar as mulheres com cada setor em luta para levantar um Plano de emergência de combate a violência de gênero, para avançarmos em Educação Sexual para decidir, contraceptivos gratuitos para não engravidar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.

Precisamos relembrar do recado que deixou a revolta de Minneapolis contra o ICE, das argentinas que enfrentaram a Igreja e Extrema Direita patriarcal para impor a legalização do aborto. Relembrar das mulheres indígenas bolivianas que estavam na linha de frente da rebelião enfrentando os ataques de Rodrigo Paz. Das indígenas Tapajós que no Brasil se enfrentaram com os ataques do governo e das mulheres bancárias que hoje enfrentam a burocracia sindical, a Caixa e o governo para defender seu direito à saúde. É preciso retomar esses legados que questionam o patriarcado que quer nos colocar como vítimas da opressão para nos tornar sujeitas capazes de mudar não só a nossa história mas a história de toda humanidade quando enterrarmos o patriarcado e o capitalismo.

Fonte: Esquerda Diário

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