Bets e a grita
Por Carol Proner — Brasil 247
Não dá para gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe – Lula.
Novidades nas eleições brasileiras sobre bets. O governo do presidente Lula torna as plataformas digitais de apostas online, as chamadas bets, ilegais a partir de hoje. O mote é: “vamos construir um país livre de bets, com mais oportunidade e futuro”. A grande imprensa – o grande capital – é contra sob argumento de que viola a segurança jurídica da atividade econômica. O que está em jogo é a segurança da vida das pessoas, uma atividade que entra na casa, na vida, destrói famílias, adoece e mata. É corajoso porque entra no debate do grande capital e das armadilhas financeiras em novos arranjos enganosos contra os mais vulneráveis.
Anúncio ao lado de três ministros – Saúde, Justiça e Economia -, em rede nacional, faltando 9 dias para as eleições, com argumentos tão potentes a favor da vida e contra o capitalismo das pirâmides de azar, ousado!
Presidentes de alguns clubes de futebol estão raivosos. Editoriais gritando. Lula resolveu apostar, com o perdão da má palavra, no tudo ou nada. Trucou, all-in, um país livre das bets é palavra de ordem nos comícios do Rio de Janeiro e em outras praças. Não sei se a estratégia vai funcionar, mas é corajoso.
No primeiro trimestre desse ano, os números aproximados mostram que essa turma das bets ganhou R$ 88,5 bilhões, pagou em apostas R$ 68,3 bilhões. Dos R$ 20 bilhões retidos, R$ 10 bilhões rendem em impostos para o governo e os outros R$ 10 bilhões, eles chamam de realização do “business” do “case” de sucesso. R$ 20 bilhões foram surrupiados da classe trabalhadora. A ludopatia, estimulada pelas bets, alcança 50 milhões de pessoas entre as classes mais vulneráveis.
61% dos jogadores dizem que apostam com dinheiro da poupança, deixando de comprar coisas, usam o cartão de crédito, emprestam dinheiro de outros ou vendem alguma coisa. Números do Ministério da Saúde declaram que o governo gasta R$ 30 bilhões por ano para tratar os efeitos da adição, depressão e suicídio.
Lula prova que uma sociedade pode ser bem diferente do que está posto como imutável, ajuda o povo a pensar em transformação, em como começar de novo, sair do vício e dar a volta por cima. Falta tratar o vício do financeiro em ganhar dinheiro fácil.
Fonte: Brasil 247