Grupo dos 77+China defende mais poder de decisão para países em desenvolvimento
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – Os países em desenvolvimento precisam participar da definição das regras internacionais e ter mais acesso a financiamento e tecnologia. Essa foi a posição defendida pelo ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, em reunião do G77+China realizada em Nova York, durante a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
Segundo a agência Prensa Latina, Lubetkin presidiu o encontro na condição de representante do Uruguai, que exerce a presidência temporária do grupo. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também participou da reunião. O chanceler descreveu o G77+China, que reúne 134 países, como o “principal fórum de negociação do mundo em desenvolvimento” nas Nações Unidas.
Ao defender mudanças na governança internacional, Lubetkin afirmou: “Um sistema que distribui representação, recursos e poder de decisão de forma desigual perde legitimidade”. Para ele, os países em desenvolvimento devem ajudar a formular as regras, em vez de apenas se adaptar a decisões tomadas sem sua participação.
O endividamento e a falta de recursos para o desenvolvimento estiveram entre as principais preocupações apresentadas pelo ministro. Ele observou que pobreza, fome e desigualdade persistem a quatro anos do prazo estabelecido pela ONU para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2030.
“Não podemos aceitar que a dívida substitua investimentos essenciais em saúde, educação, proteção social ou ação climática”, declarou Lubetkin.
A inteligência artificial também entrou na pauta. O chanceler reconheceu o potencial da tecnologia para acelerar o desenvolvimento, mas alertou que seus benefícios podem ficar concentrados se os países em desenvolvimento forem reduzidos à condição de consumidores. O Uruguai defende uma governança internacional inclusiva e acesso mais equilibrado a dados, recursos e infraestrutura digital.
O G77+China deve adotar uma declaração ministerial sobre o tema para orientar a atuação conjunta de seus integrantes.
Fonte: Brasil 247