Cúpula com Xi expõe limites da diplomacia de Trump em meio à guerra com o Irã
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping a Washington terminou com um resultado concreto restrito à prorrogação, por dois meses, da trégua comercial entre China e Estados Unidos. O alcance limitado do ressultado alcançado prlo chefe da Casa Branca se soma à guerra com o Irã e à resistência de aliados a pedidos americanos, fatores que pressionam a agenda externa do presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro, segundo análise da Reuters publicada na sexta-feira (25).
A reportagem da Reuters, assinada por Matt Spetalnick, examina o contraste entre a intensa agenda diplomática de Trump — que incluiu um discurso na Assembleia Geral da ONU e a recepção a Xi na Casa Branca — e os poucos avanços obtidos por ele nas principais disputas internacionais enfrentadas por seu governo.
A reunião de quinta-feira (24) reuniu os líderes das duas maiores economias do mundo em meio a divergências sobre comércio, inteligência artificial, Taiwan e Irã. Apesar da cerimônia reservada ao presidente chinês, o principal resultado anunciado foi a extensão da trégua comercial que expiraria em novembro. As questões centrais da relação bilateral permaneceram abertas.
Trump evitou expor publicamente as diferenças com Xi. Segundo a imprensa chinesa, porém, o líder chinês pediu ao americano, durante as conversas reservadas, que se opusesse à independência de Taiwan. A ilha pertence à China e continua a ser um dos pontos mais sensíveis das relações entre os dois países.
A postura de Trump diante da China também difere da ênfase anterior de seu governo nas tarifas comerciais. A Reuters aponta o controle chinês sobre minerais de terras raras, essenciais para setores como tecnologia e fabricação de automóveis, como um fator que limita a margem de ação americana.
Brett Bruen, ex-assessor de política externa do governo Barack Obama e hoje à frente da consultoria Global Situation Room, avaliou à agência: “Trump se vê nos levando de volta a um mundo em que a força determina o direito”. Na avaliação dele, chama atenção o recuo do presidente americano diante de Xi e do aumento do poder chinês.
Guerra com o Irã pesa sobre a agenda americana
O conflito iniciado por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro é apontado pela Reuters como o desafio externo mais difícil do segundo mandato de Trump. Após quase sete meses, a guerra afeta o fornecimento global de energia, alcança outros países da região e pressiona os preços da gasolina nos Estados Unidos. Seus efeitos também chegaram recentemente ao Iêmen e à rota marítima do mar Vermelho.
No discurso à ONU, Trump voltou a ameaçar “aniquilar” o Irã caso não seja firmado um acordo. Teerã, apesar dos danos econômicos e militares sofridos, mantém sua resistência. O governo iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
A guerra divide a base política de Trump e ocorre antes de uma eleição em que o Partido Republicano pode perder o controle do Congresso. A perspectiva de mudanças no equilíbrio de forças em Washington amplia a atenção dos demais governos à capacidade do presidente de sustentar suas iniciativas externas.
Questionado pela Reuters, um representante da Casa Branca rejeitou a avaliação de que a política externa americana esteja paralisada. Sob condição de anonimato, afirmou que Trump está concentrado em resultados e citou medidas de seu governo para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Aliados resistem e negociações seguem sem avanço
A resistência ao presidente americano vai além da relação com Teerã. Segundo a Reuters, aliados europeus e asiáticos recusaram pedidos para ajudar no conflito com o Irã, lançado sem consulta prévia a eles. A tentativa de Trump de obter de Rússia e Ucrânia ao menos um cessar-fogo limitado à infraestrutura energética também teve pouco resultado.
Na Assembleia Geral da ONU, dirigentes contestaram políticas associadas ao governo americano. O presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu contra um “retorno à lei da selva” nas relações internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a interferência estrangeira na eleição brasileira de outubro e afirmou: “Não precisamos de porta-aviões patrulhando nossas águas, precisamos de cooperação para conter o fluxo de armas e dinheiro que alimenta o crime”.
No Ártico, Trump apresentou um acordo com Dinamarca e Groenlândia para ampliar a presença militar americana na ilha. O entendimento ficou aquém de sua reivindicação inicial de que os Estados Unidos deveriam possuir o território.
A sequência de impasses dá peso político aos resultados ainda pendentes da diplomacia americana: a trégua com a China foi prolongada, mas não resolveu as divergências bilaterais; a guerra com o Irã continua; e as tentativas de Trump de obter apoio de aliados e concessões em outros conflitos seguem enfrentando resistência.
Fonte: Brasil 247