Vinte igrejas barrocas, conventos, jardins e casarões coloridos espalhados por colinas diante do Atlântico: a cidade pernambucana ligada ao ciclo do açúcar que preserva grande parte de seu traçado urbano do século XVIII

0

Por Joaquim Luppi Fernandes — Catraca Livre

Caminhar pelas ladeiras históricas de Olinda proporciona um contato direto com as raízes coloniais brasileiras. O casario colorido e os templos erguidos diante do oceano compõem um cenário encantador que preserva a identidade secular deste patrimônio reconhecido internacionalmente pela sua beleza singular.

A rica herança barroca e a arquitetura preservada transformam a paisagem urbana de Olinda em um cenário único.

Como surgiu a antiga vila de Olinda?

Estabelecida formalmente no ano de 1535 pelo donatário Duarte Coelho, a localidade expandiu sua estrutura com notável velocidade. A próspera economia ligada à produção açucareira impulsionou esse crescimento vigoroso, favorecido pela localização geográfica privilegiada que facilitava a comunicação marítima naquela época.

Os colonizadores portugueses desenharam o traçado urbano moldando ruas sinuosas conforme as elevações naturais do terreno. Essa sábia adaptação à topografia acidentada originou mirantes naturais espetaculares, oferecendo amplos pontos de observação estrategicamente voltados para o vasto panorama do oceano Atlântico.

Por que a ocupação holandesa marcou a cidade?

Durante o período de domínio neerlandês no Nordeste, severos confrontos militares atingiram duramente a povoação colonial. No ano de 1631, a vila sofreu um violento saque seguido por um grande incêndio deliberado, episódios trágicos que desestruturaram grande parte de seus antigos edifícios.

O processo formal de retomada iniciou-se plenamente apenas depois de 1654, momento em que a população local reergueu as construções destruídas. Essa admirável reconstrução devolveu a imponência urbana ao erguer dezenas de conventos seculares e suntuosos templos católicos espalhados pelas colinas.

Abaixo, um vídeo do canal Delegação do Brasil junto à UNESCO UNESCO World Heritage Centre no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:

Quais igrejas barrocas compõem o centro histórico?

A área central reúne aproximadamente vinte templos barrocos dotados de expressivo valor artístico e cultural. Entre essas edificações notáveis, destaca-se a Catedral da Sé, erguida em posição dominante para simbolizar a força religiosa e a riqueza material desenvolvida durante aquele período colonial.

No interior desses santuários imponentes, admiram-se composições ornamentais de refinada beleza estética. Os altares exibem brilhantes talhas douradas e painéis sacros elaborados com minúcia, elementos expressivos que manifestam o verdadeiro apogeu alcançado pela arte sacra católica no território brasileiro.

O que torna a paisagem urbana tão singular?

O traçado urbano preservado integra harmoniosamente a exuberante vegetação tropical com imponentes monumentos históricos. Essa união equilibrada entre a natureza litorânea e a arquitetura secular confere uma atmosfera inigualável à cidade, estabelecendo um patrimônio de inestimável valor para toda a humanidade.

Quem percorre as vias de paralelepípedos descobre residências coloniais com fachadas vivas e telhados tradicionais bem conservados. Cada subida íngreme revela detalhes construtivos surpreendentes, conectando antigas tradições construtivas portuguesas ao cotidiano contemporâneo através de uma paisagem cultural verdadeiramente encantadora.

Dentre os elementos visuais mais marcantes que caracterizam o sítio histórico destacam-se:

  • Casarões coloniais coloridos
  • Ladeiras de pedra histórica
  • Mosteiro de São Bento
Do alto de seus mirantes e mosteiros, Olinda une a exuberância natural à história viva do Brasil colonial.

Por que o Mosteiro de São Bento merece atenção?

Erguido de maneira imponente no alto de uma elevação privilegiada, o Mosteiro de São Bento constitui um dos monumentos fundamentais do município. Sua localização elevada proporciona aos frequentadores vistas panorâmicas deslumbrantes, descortinando toda a orla marítima em uma experiência visual inesquecível de pura contemplação.

Com fundação associada aos primórdios da ocupação colonial, o convento abriga expressivas preciosidades artísticas em seu interior preservado. Pesquisadores e viajantes encontram nessas dependências um conjunto raro de obras sacras, comprovando a relevância histórica contínua desta notável instituição religiosa pernambucana.

Leia mais: Fundada em 1535, saqueada e incendiada durante a ocupação holandesa e depois reconstruída: a cidade pernambucana de ladeiras, jardins e cerca de 20 igrejas barrocas que preserva um centro histórico reconhecido pela Unesco

O post Vinte igrejas barrocas, conventos, jardins e casarões coloridos espalhados por colinas diante do Atlântico: a cidade pernambucana ligada ao ciclo do açúcar que preserva grande parte de seu traçado urbano do século XVIII apareceu primeiro em Catraca Livre.

Fonte: Catraca Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *