Amigos, amigos, negócios à parte: o que Trump e Xi acertaram (e o que ficou na gaveta) no 2º dia dos encontros

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Por Carolina Gama — Seu Dinheiro

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Entre xícaras de chá na Sala Vermelha da Casa Branca, Donald Trump e Xi Jinping entregaram muita coreografia diplomática, sorrisos fartos e promessas de amizade. Nos bastidores, no entanto, o segundo dia da cúpula revelou uma estratégia política clássica: empurrar as decisões mais espinhosas para o futuro.  

Os dois dias de encontros entre os presidentes de EUA e China em Washington entregaram aos mercados um alívio temporário, marcado pela extensão de uma trégua tarifária e acordos fragmentados, mas deixaram claro que os impasses estruturais entre as duas maiores economias do mundo continuam na mesa. 

O Seu Dinheiro fez um resumo do que aconteceu no primeiro dia e você conferi aqui e também separou os pontos mais importantes do último dia do encontro, que você acompanha a partir de agora.  

Trégua e acordos em pílulas 

A notícia central para os investidores é a renovação da atual trégua comercial por mais dois meses, com o prazo limite empurrado para 10 de janeiro de 2027.  

O Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, definiu esse prazo como um “período de conformidade”, uma janela para avaliar se Pequim honrará compromissos anteriores, a incluem a soja norte-americana e as terras raras. 

Apesar da cautela, a cúpula destravou um acordo específico para um subconjunto de bens não sensíveis. Sob o novo mecanismo do Conselho de Comércio, produtos agrícolas e dispositivos médicos norte-americanos, bem como bens de consumo chineses, terão condições tarifárias mais favoráveis e ficarão blindados de futuras disputas de segurança nacional. Os detalhes operacionais serão divulgados na segunda-feira (28). 

Ainda que a paz seja temporária, as tarifas dos últimos anos já redesenharam as cadeias globais. O déficit comercial de bens dos EUA com a China caiu quase 40%, mas o espaço foi rapidamente ocupado pelo México. Apenas em julho, as importações norte-americanas vindas do país vizinho bateram o recorde de US$ 60,6 bilhões. 

Contenção de danos da IA 

Longe de propostas rigorosas para regular os modelos de fronteira — algo que nem Trump nem Xi demonstram interesse em fazer —, o avanço na tecnologia limitou-se à contenção de danos.  

EUA e China alinharam a criação de um mecanismo de notificação e canais diretos de comunicação para gerenciar crises envolvendo inteligência artificial (IA).  

Trump, que defende deixar o setor “exatamente onde está”, comemorou na rede Truth Social que Xi foi receptivo ao seu termo preferido para a área: superinteligência. 

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Pendências e calendário 

A Capital Economics escreveu em uma análise que, em questões que realmente importam, a visita de Xi a Washington ofereceu “pouco além de uma breve trégua”. 

“A recepção elaborada e a cerimônia em torno da visita de Estado do presidente Xi aos EUA não conseguiram ocultar a falta de progresso substantivo”, disse a consultoria britânica, descrevendo a dinâmica cheia de pompa como “desconfiança mútua”. 

Enquanto resultados concretos não saem, as diplomacias de China e EUA já agendaram os próximos rounds para resolver o que ficou pendente. 

Xi e Trump voltam a se encontrar durante a cúpula da Apec, em novembro, em Shenzhen, na China. O foco paralelo será um painel sobre segurança em inteligência artificial. 

Um outro encontro presencial durante a cúpula do G20, em Miami, em dezembro, momento em que o futuro da paz econômica voltará a ser testado, também está programado.  

Vale lembrar que o governo norte-americano mantém na gaveta a possibilidade de aplicar novas tarifas de 7,5% sobre a China, focadas na questão do excesso de capacidade industrial.  

A medida está pausada, provavelmente aguardando o desfecho das eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA, que acontecem em novembro, devido à impopularidade das taxas entre os norte-americanos. 

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Fonte: Seu Dinheiro

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