Starlink promete turbinar internet para barcos em alto-mar; entenda
Por Bruno Bertonzin — Canaltech
A Starlink prepara um salto importante na velocidade de sua internet para barcos em alto-mar. A SpaceX anunciou que clientes marítimos selecionados poderão receber conexões próximas a 1 Gbps até o final de dezembro, junto ao início da operação da nova geração de satélites Starlink V3.
Neste primeiro momento, a novidade será restrita a clientes corporativos que utilizam a antena Starlink Performance Gen 3, vendida por cerca de US$ 2.000. Na conversão direta, o equipamento custa aproximadamente R$ 10,6 mil.
A expectativa é que a velocidade máxima de download passe dos atuais 475 Mbps para cerca de 950 Mbps. O limite de upload do equipamento hoje fica em 75 Mbps.
Starlink V3 promete ampliar capacidade da rede
O aumento de velocidade está ligado à chegada dos satélites Starlink V3, uma nova geração desenvolvida para ampliar consideravelmente a capacidade da constelação da SpaceX.
O primeiro lançamento operacional está previsto para 28 de setembro, com 26 unidades transportadas pela Starship. No futuro, a empresa pretende aumentar esse número para até 60 satélites V3 por lançamento.
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Segundo dados divulgados pela SpaceX, cada V3 oferece cerca de 10 vezes mais capacidade de downlink e 22 vezes mais de uplink que os atuais V2. Com isso, um único lançamento da Starship poderá adicionar aproximadamente 20 vezes mais capacidade à rede que uma missão do Falcon 9 com satélites V2.
A chegada da internet próxima de 1 Gbps, porém, pode depender do ritmo desses lançamentos. Elon Musk afirmou anteriormente que seriam necessários pelo menos 1.000 satélites V3 em órbita para que a rede apresentasse ganhos perceptíveis em maior escala. A expectativa é alcançar esse número no segundo trimestre de 2027.
E quem usa a Starlink em casa?
Por enquanto, a promessa de quase 1 Gbps não se estende aos clientes residenciais. A Starlink ainda não informou se as velocidades maiores exigirão uma nova antena para consumidores comuns ou se haverá mudança nos preços dos planos.
Mesmo assim, a expansão da constelação V3 pode trazer benefícios indiretos. Com mais capacidade disponível, a tendência é aliviar regiões congestionadas, nas quais muitos assinantes disputam a banda fornecida pelos mesmos satélites.
As antenas residenciais mais recentes já são capazes de alcançar picos na faixa de 375 a mais de 400 Mbps, mas a velocidade real depende da capacidade disponível em cada região. Nos Estados Unidos, áreas mais congestionadas podem registrar taxas entre 100 e 150 Mbps.
Starlink também prepara mudanças nos planos empresariais
A SpaceX também planeja uma reformulação dos serviços corporativos a partir de 1º de dezembro. O plano Local Priority passará a se chamar Business Plan, enquanto o Global Priority será rebatizado como Global Business Plan.
A mudança virá acompanhada de reajustes em alguns mercados. No Reino Unido, por exemplo, o custo do tráfego de dados do plano global terá aumento superior a 50%. A taxa cobrada pelo acesso do terminal também deve subir.
Outra novidade será a oferta de IP estático, opção importante para empresas que precisam manter serviços e equipamentos acessíveis sempre pelo mesmo endereço de rede. Até então, a Starlink trabalhava com IP público dinâmico.
O recurso, porém, não será liberado para todos os clientes empresariais. A princípio, o IP estático ficará restrito a grandes implementações corporativas, sem disponibilidade para empresas menores que contratam o serviço diretamente.
Além da Starlink para barcos, a empresa de Elon Musk também oferece sinal de satélite direto no celular em algumas regiões. No Brasil, o serviço ainda não está disponível, mas a Vivo já recebeu autorização da Anatel para oferecer o sinal dos satélites da Starlink para seus clientes.
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Fonte: Canaltech