Violência no trânsito mata quase 3 pessoas por dia no Espírito Santo

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A Gazeta

A  violência nas estradas  continua crescendo no Espírito Santo desde o fim da pandemia de Covid-19 . De janeiro a agosto deste ano, ocorreram 674 mortes no trânsito no Estado, um aumento de 25,2% em relação ao mesmo período de 2022, de acordo com dados do Observatório da Segurança Pública. As principais vítimas são os motociclistas, que representam metade das mortes nas ruas, avenidas e rodovias capixabas. O número equivale a 2,7 óbitos, quase três vidas perdidas por dia.

Os dados chamam a atenção na semana do Dia Nacional do Trânsito, comemorado nesta sexta-feira (25). A data faz referência à promulgação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), criado em 1997, e marca uma série de discussões sobre conscientização para motoristas, motociclistas e pedestres. O objetivo da agenda é diminuir os acidentes que, de acordo com o Atlas da Violência/Ipea , colocam o Espírito Santo em 9º lugar do país no número de mortes por 100 mil habitantes.

Mapa da morte no trânsito em 2026

A maioria dos óbitos concentra-se nas cidades mais populosas do Estado. Sexto município mais populoso, Linhares registrou 42 mortes no trânsito neste ano, duas a mais que a Serra, município mais populoso do Espírito Santo, que aparece em segundo lugar no levantamento, com 40 óbitos.

Colatina ocupa a terceira posição, com 37 mortes registradas. Em julho, o município teve 10 óbitos, o maior número registrado em um único mês nos últimos dez anos. A Rodovia ES 442, que faz a ligação com Linhares, é apontada como o principal palco dos acidentes fatais.

Confira o top 10 de municípios com mais mortes em acidentes em 2026:

  1. Linhares – 42
  2. Serra – 40
  3. Colatina – 37
  4. Vila Velha – 37
  5. Cachoeiro de Itapemirim – 35
  6. Cariacica – 32
  7. São Mateus – 27
  8. Aracruz – 26
  9. Vitória – 21
  10. Guarapari – 17

* 27 acidentes tem localização classificada como desconhecida

Legenda:
Alto (≥ 26)
Intermediário (10–25)
Baixo (5–9)
Muito baixo/nulo (0–4)

Período: janeiro a agosto de 2026 · Fonte: SESP/ES

Qual o perfil das vítimas?

O motociclista é quem está mais suscetível à fatalidade em acidente de trânsito, com 338 mortes, praticamente metade das mortes em 2026. Em seguida, aparecem o condutor de carro, com 94 mortes, e o pedestre, com 76 mortes. Os homens são a maior parte das vítimas, representando 8 em cada dez vítimas.

Entre as pessoas que perderam a vida no trânsito,  38,28% tinham menos de 35 anos — q uase quatro em cada dez vítimas. A faixa de 25 a 34 anos reúne a maior parcela dos mortos, com 20,92%, seguida pela de 35 a 44 anos, com 18,99%:

  • 1º lugar – 25 a 34 anos: 20,92%
  • 2º lugar – 35 a 44 anos: 18,99%
  • 3º lugar – 15 a 24 anos: 16,62%
  • 4º lugar – 45 a 54 anos: 14,56%
  • 5º lugar – 55 a 64 anos: 14,12%
  • 6º lugar – 65+ anos: 11,89%
  • 7º lugar – 0 a 14 anos: 0,74%
  • 8º lugar – Não informada: 2,08%

Já o turno mais perigoso ao motorista é o noturno, com um pouco mais de um terço dos acidentes acontecendo das 18h às 0h. Em seguida, os períodos vespertino e matutino representam 24% dos acidentes fatais, enquanto a madrugada tem 16,47% das tragédias. Outros 2,67% não foram informados.

Acidente na BR 101 em Mimoso do Sul

Acidente na BR 101 em Mimoso do Sul
Gustavo Ribeiro

De acordo com Anthony Moraes Costa, consultor em segurança viária e capitão da Polícia Militar do Espírito Santo, o comportamento dos condutores é a principal razão para os números elevados de mortes.

“A principal causa que leva aos sinistros de trânsito é o fator humano, porque ele está relacionado ao comportamento. Quando existe negligência às normas ou agressividade no trânsito, isso reflete em mortes. O trânsito, na verdade, só mostra como nós somos enquanto sociedade. De fato, o que pode mudar esse comportamento é a educação, tanto a que vem de casa quanto aquela que é ensinada nas escolas”, analisa capitão Anthony.

Outro fator que facilita para que o acidente aconteça é a infraestrutura oferecida pela estrada. De acordo com a Pesquisa CNT 2025 , 49,6% da extensão das rodovias brasileiras apresenta sinalizações classificadas como regular, ruim ou péssima. O estudo ainda conclui que 62,2% das estradas sofrem com problemas geométricos, como curvas perigosas e ausência de faixas adicionais, o que dificulta a dirigibilidade do condutor.

Distribuição das mortes por tipo de via :

  • Estadual: 36,96%

  • Federal: 25,66%

  • Municipal: 24,55%

  • Em Branco: 9,9%

  • Desconhecido: 2,93%

*Este conteúdo foi escrito por um aluno do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob supervisão da editora Mikaella Campos

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Fonte: A Gazeta

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