China e Brasil celebram aniversário da fundação da República Popular e reforçam “Parceria de Ouro”
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, realizou, na quinta-feira (24.09), em Brasília (DF), uma recepção oficial por ocasião do 77º aniversário da fundação da República Popular da China. O evento reuniu autoridades, diplomatas e representantes de diferentes setores em um momento de celebração tanto à trajetória de desenvolvimento da China quanto às perspectivas de suas relações internacionais, ressaltando a Parceria Estratégica Global Para A Comunidade De Futuro Compartilhado construída entre os países sob o governo atual.
O embaixador celebrou a “parceria de ouro” entre China e Brasil, a disposição chinesa de projetar sua estabilidade econômica para o mundo, a preferência da China pela construção de parcerias em vez de alianças e pela não interferência nos assuntos internos de outros países, além da afirmar que as relações sino-brasileiras não se abalam por intempéries. O embaixador sintetizou: “nosso futuro será certamente melhor”.
Entre os presentes de alto nível estavam embaixadores de diversos países, representantes das Forças Armadas do Brasil e da China, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o ministro da Agricultura, André de Paula, e a secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, Susan Kleebank, além de representantes do Congresso Nacional e de partidos políticos.
Ao relembrar as circunstâncias históricas que marcaram o nascimento da República Popular da China, o embaixador Zhu Qingqiao ressaltou o papel da liderança do Partido Comunista da China na transformação do país:
“Senhores e senhoras, 77 anos atrás, o povo chinês, sob a liderança do Partido Comunista da China, através de uma luta grandiosa e árdua, derrubou o imperialismo, o feudalismo e o capitalismo burocrático, fundou a República Popular da China e tornou-se, pela primeira vez na história milenar, o dono do seu próprio país”.
A trajetória da nova China de desenvolvimento econômico acelerado levou à manutenção da estabilidade social:
“Ao longo dos 77 anos da nova China, essa liderança do Partido Comunista da China uniu a nação num esforço que desbravou e consolidou o caminho do socialismo com características chinesas. A jornada gerou dois feitos miraculosos: que é o crescimento econômico acelerado e a estabilidade social de longo prazo, impulsionando o salto no qual o nosso povo se reergueu, enriqueceu e se fortaleceu”.
Ao tratar da confiança chinesa, o embaixador destacou a autonomia da China, e sua determinação e controle sobre o próprio:
“Tomando o destino nas próprias mãos, os chineses mearcham para um futuro promissor com autoconfiança, autonomia e determinação”.
As turbulências contemporâneas não modificariam tendências históricas centrais:
“Apesar do crescente turbulência do cenário internacional, a trajetória histórica não se desvia por oscilações temporárias. Os anseios globais continuam ancorados na busca por paz, progresso e cooperação de ganhos compartilhados”.
A estabilidade chinesa não é apenas como um objetivo interno, como também como um elemento de sustentação em meio às incertezas da economia mundial:
“Em 2024, ano inaugural do nosso 15º plano quinquenal, a China mantém os pés no chão para cuidar bem de seus próprios assuntos, ao mesmo tempo em que projeta sua estabilidade econômica como um pilar de sustentação para o mundo”.
O avanço tecnológico é uma das dimensões dessa transformação, com ênfase nas aplicações de novas tecnologias:
“Inovações em inteligência artificial e robótica florescem rapidamente e oferecem novos produtos com tecnologias úteis e acessíveis a todos os povos do mundo”.
Ao lado da inovação, a estratégia chinesa é dar continuidade do processo de abertura econômica de alta qualidade:
“Indo além das fronteiras científicas, o país aprofunda uma abertura de alto padrão”.
Diante das transformações aceleradas do sistema internacional, surge uma questão central para a comunidade internacional:
“As mudanças profundas da situação mundial, nunca vistas em um século, estão evoluindo de forma acelerada. A comunidade internacional se pergunta: qual rumo a seguir?”.
A China manterá sua política externa independente, promoverá o desenvolvimento pacífico e a construção de parcerias, e rejeitará a hegemonia e o expansionismo:
“A China responde a isso de forma firme e clara, reafirmando o compromisso de construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade. Mantemos uma política externa independente e trilhamos o caminho do desenvolvimento pacífico. Construímos parcerias em vez de alianças, não interferimos em assuntos internos de outros países. E, independentemente do nosso nível de progresso, jamais buscaremos a hegemonia ou praticaremos o expansionismo”.
O embaixador defendeu o sistema das Nações Unidas, o direito internacional e o multilateralismo:
“Defendemos com firmeza o sistema internacional centrado nas Nações Unidas e a ordem global alicerçada no direito internacional. Defendemos e praticamos o multilateralismo, rejeitamos a lógica da governança de grandes potências, repudiamos a intimidação hegemônica e o confronto de blocos, e combatemos a regra além do seu”.
As relações da China com os países do Sul Global baseiam-se na coexistência pacífica, na estabilidade e no desenvolvimento mútuo:
“Em contrapartida, esforçamo-nos para estruturar as relações entre os grandes países do Sul, os princípios de coexistência pacífica, de estabilidade geral e de desenvolvimento integrado. Além disso, mantemos nossas raízes fincadas no Sul Global e defendemos nos assuntos internacionais a equidade e a justiça para os países do Sul Global”.
A cooperação sino-latino-americana não está direcionada contra terceiros, disse o embaixador, ao reforçar a soberania dos países da região:
“Como partes do Sul Global, a cooperação entre a China e a América Latina não visa terceiros, nem aceita interferências externas. Os recursos latino-americanos pertencem aos povos da região. A via de desenvolvimento é da escolha soberana de seus cidadãos. A definição de parcerias internacionais cabe aos seus povos”.
A relação da China com a região é baseada na igualdade entre os países, no benefício mútuo e na ampliação de projetos de cooperação voltado às pessoas:
“A China trata as nações da região com igualdade e busca o benefício mútuo. Desejamos dar as mãos à América Latina para alavancar os cinco grandes projetos voltados a promover solidariedade, desenvolvimento, intercâmbio civilizacional, paz e a aproximação popular, assegurando que os benefícios dessa parceria cheguem diretamente à população”.
O embaixador Zhu Qingqiao destacou o papel dos presidentes Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva na aproximação bilateral:
“Como maiores países em desenvolvimento dos hemisférios Oriental e Ocidental, China e o Brasil cultivam uma proximidade ímpar, a despeito de enorme distância geográfica. Sob a orientação estratégica do Presidente Xi Jinping e do Presidente Lula, nossas relações ultrapassaram o marco histórico ao passarem de parceria estratégica global para a comunidade de futuro compartilhado. Vivemos o melhor momento diplomático bilateral e projetamos uma influência global estratégica de longo prazo”.
“Essa maturidade reflete-se no contínuo aprofundamento da confiança política. A nossa parceria de ouro se baseia no sucesso mútuo e caminha com frutos cada vez mais concretos. Neste ano, os presidentes Xi e Lula conversaram por telefone em duas ocasiões para melhor orientar os rumos das relações sino-brasileiras na nova era”.
Os investimentos da China no Brasil ultrapassam o comércio bilateral e alcançam áreas tecnológicas emergentes:
“Além de trocas de bens, somos uma fonte importante de investimento no Brasil. Nossos aportes sedimentaram uma base forte em setores tradicionais: da energia à agricultura, telecomunicações e infraestrutura. E estão se diversificando em direção à economia digital e verde, aos veículos elétricos, à biotecnologia, à inteligência artificial e à indústria aeroespacial”.
A abertura do mercado chinês a produtos brasileiros é outra frente para a expansão da cooperação econômica entre os dois países:
“O mercado chinês estará sempre aberto ao Brasil e ao mundo. Encorajamos mais empresários brasileiros a levarem seus produtos à China para que também capturem as oportunidades geradas pelo nosso crescimento”.
“Vivemos uma era de transformação profunda no mundo em rápida mutação. O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade eternizou num verso: ‘O presente é tão grande, não nos afastemos, vamos de mãos dadas’”.
Os países convergem na defesa compartilhada de soberania, independência, justiça e modernização:
“China e Brasil compartilham trajetórias de desenvolvimento e experiências históricas semelhantes. Ambos mantêm a tradição orgulhosa de independência e soberania, a crença na justiça e na equidade, e o sonho comum pela modernização”.
A China está confiante de que irá consolidar ainda mais sua parceria com o Brasil.:
“As relações sino-brasileiras não se abalam pelas intempéries, não se desviam por ruídos e não se rendem às dificuldades. Nosso futuro será certamente melhor”.
China e Brasil devem atuar em conjunto em favor de uma ordem internacional mais justa, do desenvolvimento sustentável e de novas fronteiras de cooperação:
“A China deseja trabalhar junto com o Brasil para aprofundar a construção da nossa comunidade de futuro compartilhado por um mundo mais justo e um planeta mais sustentável. Atuaremos como desbravadores no caminho do progresso e abriremos perspectivas mais amplas para a nossa cooperação”.
Fonte: Brasil 247