Empresário que enviou dezenas de milhões para Dark Horse a pedido de Flávio Bolsonaro teria ganho 570 vezes na loteria

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, aparece como ganhador em 570 registros de prêmios e apostas, que somaram R$ 176,4 milhões entre 2020 e 2025, segundo documentos citados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). As movimentações foram comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por apresentarem características consideradas atípicas.

Freixo ganhou projeção nacional por sua participação nas movimentações financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em delação premiada homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário afirmou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, e declarou que os repasses foram determinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro após pedidos e cobranças de Flávio Bolsonaro em 2025. Flávio afirmou anteriormente que os recursos solicitados a Vorcaro foram destinados integralmente à produção do filme.

570 registros em cinco anos

Segundo a investigação paulista, Freixo figura como “ganhador” em 570 comunicações envolvendo prêmios e apostas no período de cinco anos. O valor exato apontado nos documentos é de R$ 176.454.302. Os dados constam de relatórios de inteligência financeira mencionados na decisão judicial que autorizou medidas da Operação Carbono Oculto.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que as operações possam ter sido utilizadas para dissimular a origem de recursos. Segundo a apuração, terceiros realizariam apostas e os valores dos prêmios seriam posteriormente transferidos para contas de empresas relacionadas ao empresário, entre elas a Cactus Assessoria e Serviços.

A frequência e o volume das operações levaram os promotores a investigar se os registros representavam efetivamente ganhos decorrentes da sorte ou se poderiam integrar uma estratégia de lavagem de dinheiro. As loterias, entretanto, não são investigadas e não são apontadas como participantes do suposto esquema.

Operação Carbono Oculto

Freixo foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo MP-SP. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. O empresário é dono da Entre Investimentos, empresa que também aparece nas investigações relacionadas ao antigo Banco Master.

Além dos registros de apostas, documentos da investigação apontam movimentações imobiliárias de aproximadamente R$ 1,67 bilhão associadas ao empresário e operações em dinheiro vivo de cerca de R$ 1,21 milhão.

Outro ponto analisado pelos investigadores é um repasse de R$ 620 mil da Entre Investimentos à Quimicolor, empresa mencionada na apuração de pagamentos relacionados a metanol que teria sido desviado para adulteração de combustíveis. A existência dessa transação, isoladamente, não comprova participação de Freixo na organização criminosa investigada.

Ligação com Dark Horse e Banco Master

Freixo também foi alvo da Operação Compliance Zero, relacionada às investigações sobre o Banco Master. Sua colaboração premiada tornou-se uma das peças da apuração sobre o caminho percorrido pelo dinheiro destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro.

A Entre Investimentos realizou remessas ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal identificou transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025.

Com as novas informações da Operação Carbono Oculto, os investigadores passam a analisar também a origem e a natureza das movimentações financeiras atribuídas a Freixo, incluindo os 570 registros de prêmios e apostas que, em apenas cinco anos, alcançaram R$ 176,4 milhões.

Fonte: Brasil 247

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