Em dia de crise no PSDB, pesquisa Quaest cai como bomba para Marconi

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Por Ton Paulo — Jornal Opção

Em dia de crise no PSDB, pesquisa Quaest cai como bomba para Marconi

A apenas 10 dias do 1º turno eleitoral, o tucano Marconi Perillo pode estar atravessando seu pior momento na campanha ao Palácio das Esmeraldas. Em um mesmo dia, enquanto uma das pesquisas de intenção de voto de maior destaque apontou um aumento expressivo da vantagem de seu principal adversário, o governador emedebista Daniel Vilela, a chapa do PSDB para deputado federal passou a correr risco iminente de implosão, tendo como pivô um aliado do próprio partido.

A nova rodada da Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira, 24, chegou como uma espécie de tradução numérica do tamanho do problema que o ex-governador enfrenta. Daniel Vilela chegou a 42% das intenções de voto, enquanto Marconi aparece com 19%. Em relação ao levantamento anterior, Daniel cresceu cinco pontos, enquanto Marconi oscilou de 20% para 19%.

A distância entre os dois, que era de 17 pontos, agora chega a impressionantes 23. E, quando se olha para os votos válidos, a situação fica ainda mais complicada no ninho tucano: Daniel alcança 50% e passa a flertar numericamente com a possibilidade de liquidar a disputa ainda no 1º turno.

É preciso lembrar que o ex-governador e atual candidato ao Executivo estadual, que sempre foi um animal político, entrou na eleição justamente apostando na habilidade de recuperar terreno ao longo da campanha, com forte uso da nostalgia e de seu legado. Mas, até aqui, o movimento apontado pelas pesquisas tem sido o contrário do pretendido.

Como se não bastasse o desempenho no levantamento, Marconi ainda precisa gerir uma crise dentro da própria casa. A chapa do PSDB para deputado federal, que já vinha desidratando, entrou numa espécie de processo de autofagia, o famoso “canibalismo eleitoral”. Depois das saídas de Flávia Teles, viúva de Maguito, Henrique Arantes e Pastor Jeferson Rodrigues, três nomes considerados competitivos, Felipe Cecílio resolveu abrir fogo contra ninguém menos que Professor Alcides, colega de partido e uma das principais apostas tucanas para tentar garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Leia também: Quaest: a 10 dias da eleição, Daniel tem 42%; Marconi e Wilder estão tecnicamente empatados

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira, 24, Cecílio retomou acusações envolvendo Professor Alcides, chamou o correligionário de “abusador” e pediu aos eleitores que não votassem “na pedofilia”. Alcides já negou publicamente as acusações, e as denúncias citadas por Felipe Cecílio, claro, não equivalem a uma condenação judicial. Politicamente, porém, o estrago é difícil de ignorar.

Segundo Cecílio, a entrada de Professor Alcides no PSDB ocorreu contra sua vontade. A filiação do deputado, que deixou o PL, teve o aval direto do próprio Marconi e foi oficializada em março, em um evento com a presença do ex-governador. Ou seja, o conflito não fica restrito à nominata proporcional e respinga diretamente em uma escolha feita pela liderança do projeto tucano.

A ironia maior é que Marconi Perillo, que foi governador por quatro mandatos, conhece como poucos a construção de grupos políticos em Goiás. Por décadas, esteve no centro de uma estrutura que fez do PSDB a principal força eleitoral do Estado. Mas isso ficou no passado.

Em 2026, o partido se esfarela enquanto seu principal líder, titular da chapa majoritária, aparece 23 pontos atrás de Daniel Vilela. Ao mesmo tempo, os números da Quaest colocam o governador numericamente no patamar de uma possível definição da disputa já no 1º turno.

Faltam poucos dias para a eleição, e Marconi, que até 2018 nunca havia perdido uma disputa eleitoral, agora precisa correr contra o tempo para recuperar terreno, apagar incêndios provocados pelos próprios aliados e manter o partido inteiro… pelo menos até o fim do pleito.

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Fonte: Jornal Opção

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