Mensagens revelam críticas internas à cúpula do BRB por compra de ativos podres do Master
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) em celulares de executivos do Banco de Brasília (BRB) revelam que integrantes da própria instituição demonstravam preocupação com as operações realizadas com o Banco Master e atribuíam a Daniel Vorcaro, controlador do banco privado, a condução de negociações que teriam levado o BRB a absorver ativos problemáticos.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, uma das conversas ocorreu em 25 de setembro de 2025, depois de o Banco Central (BC) não aprovar a compra do Master pelo BRB. No diálogo com o então diretor de Finanças Dario Garcia, o superintendente Rodrigo Alves dos Santos criticou o então presidente do banco público, Paulo Henrique Costa.
“Vorcaro criou as condições para pegarmos todos os ativos que ele queria. Paulo é uma besta, ó senhor”, afirmou Rodrigo, conforme mensagem reproduzida no relatório da PF.
A avaliação registrada pelo superintendente, segundo a análise dos investigadores, era de que Vorcaro teria estruturado as negociações de maneira a repassar ao BRB ativos problemáticos, ilíquidos ou de difícil recuperação. A PF calcula em cerca de R$ 17 bilhões o valor das operações fraudulentas envolvendo as duas instituições.
Técnicos apontaram problemas em ativos
As mensagens expõem divergências dentro do BRB sobre a condução dos negócios com o Master. De acordo com O Globo, a equipe técnica do banco público havia identificado problemas em papéis, cotas de fundos e imóveis aceitos nas operações, incluindo inconsistências documentais e avaliações consideradas infladas.
As ressalvas ocorriam enquanto o Master enfrentava dificuldades de liquidez e atrasava repasses bilionários. Para Rodrigo, operações dessa dimensão deveriam ter recebido maior questionamento das áreas técnicas antes de serem aceitas pela instituição.
Outros documentos das investigações reforçam o tamanho da exposição do BRB ao Master. Auditoria independente apontou que o banco público adquiriu R$ 21,9 bilhões em carteiras ligadas à instituição de Vorcaro. Parte desses ativos apresentou indícios de falta de lastro, inconsistências estruturais e problemas documentais.
Em outra conversa obtida pela PF, Rodrigo voltou a criticar Paulo Henrique Costa e o chamou de “doido”. O comentário ocorreu no contexto das tentativas de apresentar ao setor de marketing uma imagem positiva das operações com o Master, apesar dos alertas do Banco Central, das auditorias e das dificuldades de liquidez.
Anúncio sobre Will Bank provocou nova reação
A tensão reaparece em uma mensagem de 17 de outubro de 2025. Rodrigo relatou a Dario Garcia uma declaração que Paulo Henrique Costa teria feito durante um evento no Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Segundo a mensagem, Costa afirmou que o BRB iria “tombar a base de clientes do WILL Bank para o BRB”. O Will Bank era uma instituição digital ligada ao conglomerado do Master e posteriormente também foi liquidado.
A declaração causou preocupação porque uma migração em massa de clientes entre instituições financeiras envolve procedimentos tecnológicos, regulatórios e de compliance. Rodrigo interpretou o anúncio como mais um confronto com a autoridade monetária e escreveu que Paulo Henrique “não cansa de desafiar o BCB”.
No relatório, a PF afirma que “Paulo Henrique possivelmente estaria repetidamente contrariando, provocando ou ignorando orientações formais ou informais do Banco Central”.
Operações estão no centro da investigação
As relações entre BRB e Master são investigadas pela Polícia Federal desde 2025. Paulo Henrique Costa comandou o banco público de 2019 até novembro daquele ano e passou a ser investigado por sua atuação tanto na tentativa de aquisição do Master quanto nas compras das carteiras oferecidas pela instituição de Vorcaro.
Documentos posteriormente obtidos pelos investigadores indicaram que as aquisições de carteiras eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e conduzidas sob pressão e urgência, segundo auditoria independente entregue à PF.
A investigação policial aponta que parte das transações teria sido estruturada com documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada. A PF estimou em aproximadamente R$ 17 bilhões as operações consideradas fraudulentas entre Master e BRB.
Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro estão presos no âmbito das investigações. Costa é investigado, entre outros pontos, por sua participação nas compras de carteiras e na tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
Fonte: Brasil 247