O tremor que fez os títulos de dívida de 30 anos dos EUA romper recordes em décadas em chegar a 5,44%

0

Por Carolina Gama — Seu Dinheiro

Pictures-Anna-3.jpg

Os yields (rendimento) dos títulos de dívida dos EUA voltaram a disparar nesta quinta-feira (24), quebrando novas barreiras em décadas, puxando as taxas globais para cima e acendendo um alerta vermelho para os mercados emergentes.

Mais cedo, o yield dos títulos de prazo mais longo, 30 anos, chegou a bater a máxima de 5,44%, o maior patamar desde 2004. O yield dos papéis de 10 anos, que servem de referência para quase tudo no mercado norte-americano, alcançou 5,10% — o maior nível desde julho de 2007. 

O movimento de venda forte não se restringiu os EUA: títulos do Japão bateram a máxima desde agosto de 1996, enquanto papéis do Reino Unido e da Alemanha também renovaram recordes em vários anos. 

Segundo especialistas, essa disparada dos yields não é mais apenas o medo do déficit das contas públicas norte-americanas. É o resultado de pressões fiscais, econômicas, geopolíticas e de oferta se encontrando ao mesmo tempo. 

O gatilho da disparada 

Os títulos do Tesouro dos EUA são considerados os investimentos mais seguros do mundo, porque quem garante o pagamento é o governo norte-americano. 

No mercado de títulos, preços e yields andam em direções opostas. Quando há um movimento de liquidação (muita gente vendendo os títulos), o preço deles cai. Para atrair novos compradores, o yield oferecido passa a ser maior. É exatamente essa alta nos yields que estamos acompanhando agora. 

Essa disparada no mercado de títulos — que não vem de agora como contamos em detalhes nessa reportagem — é resultado de uma combinação de fatores que mostram que os juros nos EUA devem ficar altos por mais tempo do que se imaginava.  

Indicadores recentes dos EUA vieram mais fortes do que o esperado, isso quer dizer que se a economia está aquecida e os preços do petróleo estão em alta no mundo, o fantasma da inflação volta a assombrar. 

Para combater essa inflação, o Federal Reserve (Fed) precisa agir. Nos últimos dias, membros importantes do banco central norte-americano engrossaram o tom.  

Michael Barr foi um deles. O diretor do Fed avisou que ajustes adicionais na política monetária devem vir por aí, enquanto John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou que é razoável esperar mais um aumento nos juros até o fim deste ano nos EUA.  

Vale lembrar que na reunião da semana passada, o banco central norte-americano aumentou os juros pela primeira vez em três anos. A alta foi de 0,25 ponto percentual (pp), o que colocou a taxa na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Você pode conferir aqui a decisão em detalhes.  

Diante desses sinais, o mercado entrou em modo de reprecificação. A chance de o Fed subir os juros já na reunião de outubro saltou de 49% na semana passada para mais de 75% nesta quinta-feira (24), segundo dados compilados pelo CME Group. Além disso, já tem trader prevendo quatro aumentos de juros por lá até o ano que vem.  

QUER INVESTIR MELHOR?

Comece o dia descobrindo o que move o mercado financeiro e os seus investimentos, de forma 100% gratuita!

Telefone

VEJA AQUI

E você com tudo isso?

A notícia internacional esbarra no seu aplicativo de investimentos. Quando os EUA passam a pagar juros cada vez maiores, ocorre um efeito aspirador no mundo financeiro. 

Isso quer dizer que se os EUA estão pagando mais juros, os grandes investidores globais tiram o dinheiro de mercados emergentes e mais arriscados, como o Brasil, e o enviam para a segurança dos Treasurys. Essa saída de dólares do nosso país faz a moeda norte-americana disparar frente ao real. 

Com juros altos lá fora, o apetite global por risco desaba. Afinal, por que um investidor gringo vai correr risco na bolsa brasileira se pode ganhar rendimentos na faixa de 5% ao ano, em dólar, com baixa chance de calote? O resultado é pressão de venda nas ações brasileiras, jogando o Ibovespa para baixo. 

Mas os efeitos não param aí. Um dólar muito alto encarece produtos importados, desde combustíveis até alimentos, o que gera inflação no Brasil. Se a inflação acelera por aqui por conta desse cenário externo, o Banco Central pode ser obrigado a interromper os cortes na taxa Selic ou até mesmo inverter o ciclo e retomar o aperto monetário.  

The post O tremor que fez os títulos de dívida de 30 anos dos EUA romper recordes em décadas em chegar a 5,44% appeared first on Seu Dinheiro.

Fonte: Seu Dinheiro

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *