Bad Bunny cede música para campanha de Lula em defesa da soberania
Por Emanuela Godoy — TVT News
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou uma música do cantor porto-riquenho Bad Bunny a uma nova peça eleitoral que aborda a defesa da soberania brasileira e faz críticas à aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo de Donald Trump. Segundo a campanha petista, a equipe do artista autorizou o uso da canção. Leia em TVT News.
A faixa escolhida é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. A música aborda temas relacionados à perda territorial, à influência dos Estados Unidos, à gentrificação e à preservação da identidade cultural de Porto Rico. Na peça eleitoral, a campanha adapta a letra para apresentar a discussão sobre soberania no contexto brasileiro.
Um dos trechos utilizados no vídeo afirma: “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.
A escolha da música ocorre em meio à utilização do tema da soberania como um dos eixos da campanha de Lula.
O presidente também abordou o assunto em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira (22), quando fez críticas aos Estados Unidos sem mencionar diretamente o país.
Campanha adapta música de Bad Bunny

A propaganda eleitoral começa com a voz do ator Wagner Moura, que apresenta uma interpretação sobre a origem do sobrenome Silva e sua relação com a chegada dos portugueses ao território brasileiro.
“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma Moura na peça.
Na sequência, o ator relaciona a expressão à forma como os colonizadores identificavam as pessoas nascidas no território.
“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”, diz.
Depois da introdução, começa a versão adaptada da música de Bad Bunny. O vídeo apresenta imagens de apoiadores do bolsonarismo carregando bandeiras dos Estados Unidos e referências a medidas e declarações relacionadas ao governo Trump.
A campanha também associa Flávio Bolsonaro à aproximação com o presidente norte-americano e coloca a discussão sobre soberania nacional no centro da peça.
O vídeo termina com uma declaração de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
Bad Bunny cedeu direitos autorais para que Lula usasse uma versão de “LO QUE LE PASÓ A HAWAii” durante sua campanha presidencial em 2026, a informação foi confirmada pela equipe do artista.
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— Info Bad Bunny Brasil (@InfoBadBunnyBR) September 24, 2026
Música fala sobre Porto Rico e imperialismo dos EUA
“Lo Que Le Pasó a Hawaii” estabelece uma comparação entre processos históricos relacionados ao Havaí e a situação de Porto Rico.
Na música, Bad Bunny aborda o receio de que a ilha perca características de sua identidade diante da influência dos Estados Unidos.
A letra trata de questões como a chegada crescente de norte-americanos, a valorização dos imóveis, a transformação de bairros e costumes e o aumento do custo de vida.
O Havaí aparece como referência para discutir alterações na população local e na cultura provocadas pela ocupação estrangeira, pelo turismo e pela valorização imobiliária.
A música expressa o temor de que os porto-riquenhos possam se tornar estrangeiros em sua própria terra.
O álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS também aborda temas relacionados à colonização, ao deslocamento populacional e às mudanças culturais associadas à influência estrangeira.
A faixa escolhida pela campanha de Lula segue essa abordagem ao tratar da relação entre identidade, território e influência dos Estados Unidos.
Bad Bunny e o debate sobre identidade porto-riquenha
Bad Bunny também esteve envolvido em episódios de repercussão política nos Estados Unidos.
Em fevereiro, ele comandou o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado em Santa Clara, na Califórnia. A apresentação contou com referências à cultura porto-riquenha e à identidade latino-americana, além das participações de Lady Gaga e Ricky Martin.
O espetáculo recebeu críticas do presidente Donald Trump. Após a apresentação, Trump classificou o show como “absolutamente terrível, uma das piores DE SEMPRE!” e também criticou o fato de Bad Bunny cantar em espanhol, afirmando que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.
Antes disso, o cantor já havia criticado políticas migratórias do governo Trump. A relação entre Bad Bunny, a identidade de Porto Rico e o debate sobre a influência dos Estados Unidos passou a fazer parte da repercussão em torno de seu trabalho.
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Fonte: TVT News
