Lula usa música de Bad Bunny para reforçar discurso de soberania na campanha
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, passou a usar uma música do cantor porto-riquenho Bad Bunny em uma peça eleitoral centrada na defesa da soberania nacional, tema que ganhou força no discurso do petista na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A canção adaptada pela campanha é “Lo que pasó a Hawaii”, faixa em que Bad Bunny aborda o medo de perda de identidade cultural e de soberania em Porto Rico, usando o Havaí como referência histórica e simbólica. A música trata do impacto da presença estrangeira, do turismo, da valorização imobiliária e da transformação de costumes locais sobre populações nativas.
Na peça, a campanha de Lula associa esse debate ao mote de soberania que o presidente vem explorando na disputa eleitoral. A escolha da música ocorre após o discurso de Lula na ONU, na terça-feira (22), quando ele criticou interferências externas em processos eleitorais e defendeu o direito dos países de decidirem seus próprios rumos.
Durante a fala na Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula não citou nominalmente os Estados Unidos, mas fez críticas a pressões externas e afirmou que a democracia volta a estar sob ameaça. Em outro trecho do discurso, o presidente disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, frase que passou a ser usada como síntese de sua estratégia política de contraposição a ingerências estrangeiras.
A música de Bad Bunny tem como pano de fundo a situação de Porto Rico, território associado aos Estados Unidos, e expressa o temor de que a população local se torne estrangeira em sua própria terra. Na interpretação apresentada pelo G1, a referência ao Havaí funciona como crítica a processos de gentrificação, ocupação estrangeira e descaracterização cultural.
Ao incorporar a canção à campanha, Lula busca aproximar o debate brasileiro de soberania de uma narrativa latino-americana mais ampla, marcada pela defesa da identidade nacional e pela resistência a pressões externas. O movimento também dialoga com a retórica adotada pelo presidente em falas recentes, nas quais ele tem associado a eleição à escolha entre autonomia nacional e subordinação.
O discurso de Lula na ONU ocorreu em meio a tensões políticas com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reportagens sobre a fala do petista destacaram que ele tratou de temas internos, como bets, Pix e escala 6×1, mas também fez críticas a interferências em eleições e a “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”.
A utilização de uma música de Bad Bunny também tem peso simbólico por se tratar de um dos artistas latino-americanos de maior projeção internacional. Porto-riquenho, o cantor já abordou em sua obra temas ligados à identidade cultural, à relação de Porto Rico com os Estados Unidos e aos efeitos sociais da presença norte-americana na ilha.
Na campanha de Lula, a faixa passa a funcionar como trilha para uma mensagem política voltada à soberania do Brasil. O objetivo é reforçar a ideia de que decisões sobre o país devem ser tomadas pelo povo brasileiro, sem interferência de governos estrangeiros ou interesses externos.
Do Latim, Silva é a própria selva: a raiz que brota do solo, o verde que resiste e a força viva da terra.
Durante séculos quiseram diminuir a nossa gente, mas foi na garra, no suor e na dignidade que cada Silva construiu este país.
A nossa força não se curva, a nossa bandeira… pic.twitter.com/iwujl0ojq0
— Lula (@LulaOficial) September 23, 2026
Fonte: Brasil 247