Augusto Cury perde fôlego nas pesquisas e encolhe como potencial aliado no 2º turno

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Por Vinícius NunesCarta Capital

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Desidratação do candidato do Avante reduziu o interesse do PT em buscar seu apoio formal; petistas veem a possibilidade de neutralidade da sigla como suficiente e tentam atrair outros partidos do Centrão para evitar uma adesão a Flávio Bolsonaro

A queda de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas eleitorais mudou o peso atribuído por aliados do presidente Lula (PT) a uma eventual aproximação com o candidato para o segundo turno. 

Depois de surpreender em agosto e no início de setembro, quando chegou a dois dígitos em levantamentos de intenção de voto e passou a ocupar a terceira posição na disputa presidencial, o escritor perdeu parte do eleitorado que havia conquistado e voltou a aparecer em patamares de um candidato nanico.

A retração ocorre no momento em que a campanha petista tenta ampliar sua margem de apoio para uma eventual disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A ideia de construir uma ponte com o grupo de Cury continua no radar, mas já não envolve a mesma expectativa de obter uma adesão formal do candidato . Na avaliação de interlocutores do PT, uma posição de neutralidade do Avante, sem declaração de apoio a Lula nem a Flávio, já seria um resultado relevante. O apoio de Cury seria bem-vindo, mas deixou de ser visto como determinante.

A mudança de cenário é acompanhada por uma sequência de pesquisas divulgadas ao longo de setembro. No levantamento do PoderData divulgado em 3 de setembro , Cury tinha 10% das intenções de voto no primeiro turno. Na última rodada, divulgada nesta quinta-feira 24 , o candidato aparece com 6%.

O Real Time Big Data também registrou recuo. Na pesquisa divulgada em 1º de setembro , Cury marcava 10%. No levantamento publicado nesta quinta-feira 24 , caiu para 6%. A pesquisa BTG/Nexus , divulgada em 31 de agosto , mostrava o candidato com 11%. Na rodada de 21 de setembro , o percentual havia recuado para 6%. Já a AtlasIntel apontou uma queda de 7,8% em 31 de agosto para 2,1% em 23 de setembro .

O agregador de pesquisas CartaCapital/Collecta também mostra a perda de fôlego. Cury atingiu um pico de 7,9% em 1º de setembro e agora aparece com 5,8%, conforme a tendência exibida no levantamento. A ferramenta reúne pesquisas registradas na Justiça Eleitoral e calcula uma média ponderada, considerando fatores como atualidade, tamanho da amostra e metodologia.

A queda reduz o potencial de Cury como peça de negociação para o segundo turno. O candidato chegou a ser tratado como uma das novidades da corrida presidencial depois de crescer nas sondagens de agosto, impulsionado pela repercussão de sua participação em debates e entrevistas. Agora, embora ainda apareça à frente de outros concorrentes com percentuais menores, sua posição se aproxima da de um candidato com influência limitada sobre a disputa nacional.

A aproximação com o Avante também esbarra nas declarações do próprio Cury. O escritor tem rejeitado publicamente a possibilidade de apoiar Lula em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Em 10 de setembro, durante um evento da Genial Investimentos, afirmou que não apoiaria o petista “ em hipótese nenhuma ” e condicionou uma eventual adesão ao senador do PL a explicações sobre o financiamento do filme Dark Horse , que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, e à comprovação de que Flávio não é corrupto.

Na sabatina da revista Veja , na terça-feira 22, Cury voltou a descartar apoio a qualquer um dos dois adversários e afirmou que deseja disputar o segundo turno contra Lula. Na ocasião, disse acreditar que o presidente derrotaria Flávio caso os dois chegassem à etapa final. “ Se o pai perdeu, o filho também vai perder ”, afirmou. Também declarou que Lula “ vai destruir Flávio ” e defendeu que sua própria candidatura avance à fase decisiva da eleição.

Ele também minimizou a queda nas pesquisas e disse que os números não correspondem ao que tem observado em suas viagens pelo País. “É estranho. Onde eu vou, por exemplo, se eu vou numa feira, se eu vou no Mercado Municipal de São Paulo, se eu vou em qualquer outro estado, Rio Grande do Sul, se eu vou em Minas, agora nós vamos para o Nordeste. O que tem de pessoas nos abraçando coletivamente, dizendo que vão votar em mim? É uma coisa surpreendente”, afirmou.

As falas ajudam a explicar por que o PT passou a trabalhar com a hipótese de neutralidade, em vez de concentrar esforços em uma declaração de apoio de Cury. A avaliação é que não faz sentido insistir publicamente em uma aproximação com um candidato que rejeita Lula e cuja capacidade de transferir votos diminuiu com a queda nas pesquisas . A campanha petista considera que uma posição sem alinhamento explícito com Flávio já poderia contribuir para reduzir a concentração de forças em torno do adversário.

A estratégia faz parte de uma articulação mais ampla para o segundo turno. Aliados de Lula buscam uma posição de neutralidade nacional do PSD, partido de Ronaldo Caiado , e tentam evitar que legendas do Centrão se juntem formalmente à candidatura de Flávio Bolsonaro. A conversa com o PSD passa pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab , que também integra a chapa de Caiado como candidato a vice. A expectativa é que uma decisão nacional de não apoiar nenhum dos dois candidatos facilite a aproximação com lideranças regionais do partido que já estão alinhadas ao petista.

O cálculo dos petistas é que a neutralidade de partidos e candidatos que não estejam alinhados a Lula, mas também não queiram aderir a Flávio, possa abrir espaço para uma disputa mais equilibrada no segundo turno. Nesse cenário, a campanha não precisaria necessariamente converter apoios formais em declarações públicas de voto, mas evitar que adversários derrotados no primeiro turno reforcem a candidatura do senador do PL.

O PT já considera, entretanto, que os candidatos Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) devem apoiar o filho de Jair Bolsonaro.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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