Varejistas apostam em colabs para transformar jeans descartado em moda circular

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umsoplaneta

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O jeans que já teve uma vida no guarda-roupa ou que ficou parado dentro da cadeia produtiva vem ganhando novos caminhos no varejo de moda. Nos últimos meses, C&A e Riachuelo lançaram coleções em parceria com estilistas como Gustavo Silvestre e Marcelo Sommer, usando diferentes estratégias de reaproveitamento e colocando a colaboração criativa no centro de projetos de circularidade.
Na C&A, a parceria com Gustavo Silvestre resultou em uma coleção 100% circular feita a partir de jeans coletado pelo Movimento ReCiclo, programa da marca para coleta e destinação de roupas usadas. A linha chegou às lojas físicas e ao e-commerce em 15 de setembro, depois de ser apresentada no desfile de 50 anos da companhia no MASP.
A coleção reúne cerca de 15 modelos e mais de 10 mil peças e está disponível em cerca de 60 lojas da C&A pelo país. Entre os produtos estão calças oversized, peças cargo, microssaias, jaquetas e tops.
Segundo a empresa, parte do jeans utilizado veio das doações feitas nas urnas do Movimento ReCiclo. A coleção é lançada em um momento que o Movimento ReCiclo, criado pela C&A em 2017, que tem como objetivo coletar e direcionar para upcycling e reúso roupas usadas, ultrapassou a marca de mais de 510 mil peças arrecadadas. Cerca de três quartos das lojas do grupo têm urnas do programa.
A proposta, segundo a marca, é prolongar a vida útil de materiais que já circularam entre consumidores. “Queremos estender o uso das peças e gerar valor sobre um produto que, em determinado momento, deixou de ter valor para alguém”, afirmou Cyntia Kasai, gerente-sênior de ASG da C&A, durante um talk de sustentabilidade realizado em São Paulo no dia 15 de setembro.
A colaboração entre C&A e Gustavo Silvestre não começou com a coleção. Em março, o estilista criou, a partir de calças pantalona e corsets da coleção jeans da marca, o vestido usado por Carol Ribeiro no tapete vermelho do Oscar 2026. Em agosto, a parceria chegou à passarela do MASP, em São Paulo, palco do desfile em comemoração a 50 anos da C&A, justamente com a coleção focada em moda circular. Agora, com a coleção apresentada para o Rock in Rio.
A cápsula criada para o festival utiliza peças reaproveitadas do estoque da C&A. Diferentemente da coleção produzida com o jeans coletado pelo ReCiclo, essa linha é baseada em upcycling de peças que já estavam disponíveis dentro da operação da empresa. São 50 peças numeradas, de 1 a 50, com venda exclusiva nas lojas da C&A que foram instaladas na Cidade do Rock durante o festival, que aconteceu no Rio de Janeiro no início de setembro. Entre os modelos estão top cropped, calça flare, jaqueta, minissaia e calça cargo.
O processo, segundo Silvestre, impõe um desafio diferente daquele de desenvolver uma coleção convencional. A matéria-prima disponível determina parte das possibilidades de criação e uma das soluções descritas pelo estilista é juntar duas calças jeans para formar uma nova peça, trabalhando com diferenças de tamanho e aproveitando costuras e características originais.
Riachuelo aumenta escala do upcycling
Na Riachuelo, a aposta também passa por uma colaboração com um estilista, mas o ponto de partida são materiais que já estavam dentro da cadeia produtiva da companhia. A segunda coleção de upcycling Pool Loop, criada em parceria com Marcelo Sommer, reúne 25 modelos e mais de 650 peças — cerca de cinco vezes o volume do primeiro drop. Batizada de “Marés Urbanas – O encontro entre a cidade e o oceano”, a coleção utiliza roupas, tecidos e aviamentos que estavam parados em estoque ou apresentavam pequenos defeitos.
Riachuelo apresenta sua segunda coleção de upcycling Pool Loop, criada em parceria com o estilista Marcelo Sommer e que reúne 25 modelos
Riachuelo/Divulgação
Entre os materiais reaproveitados estão jeans, tule, renda, paetê, fita de cetim e sarja. A coleção inclui ainda duas bolsas produzidas com materiais reaproveitados, como uma feita com retalhos de jeans e outra com sarja.
A nova edição também amplia o alcance comercial do projeto. Pela primeira vez, as peças chegam ao e-commerce da Riachuelo, além da Pop Up da marca em São Paulo. O lançamento está previsto para 22 de setembro.
A coleção resgata referências do acervo de artes da fábrica da Riachuelo no Rio Grande do Norte, como pranchas e hibiscos, incorporadas às estampas, aplicações e modelagens. Entre os produtos estão polos, vestidos feitos a partir de camisetas, calça jeans envelope, regatas, saias e bermudas.
De acordo com a Riachuelo, o novo drop resultou na ressignificação de mais de 620 peças, 175 metros de tecidos e malhas e 557 aviamentos. No primeiro, foram 190 peças, 47 metros de tecidos e malhas e 128 aviamentos. Somados os dois projetos, a empresa afirma ter ressignificado 810 peças, 222 metros de tecidos e malhas e 685 aviamentos.
Para a companhia, o desafio está em encontrar soluções que possam ser repetidas sem eliminar a característica do upcycling. “O desafio não é apenas reaproveitar materiais, mas encontrar novas possibilidades de design para aquilo que já existe”, afirma Taciana Abreu, diretora de Sustentabilidade da Riachuelo.
A escala como desafio
Os dois projetos compartilham, uma mesma questão, cada vez mais palpitante no setor têxtil, que é como transformar circularidade em produto de varejo sem depender exclusivamente de peças únicas ou de uma produção artesanal. A escala ainda é um desafio da indústria de moda circular.
Na C&A, uma frente utiliza jeans provenientes das doações do Movimento ReCiclo e outra reaproveita peças de estoque. Na Riachuelo, a segunda edição do Pool Loop amplia o volume em relação ao primeiro drop e procura identificar soluções de design que possam ser repetidas.
É justamente aí que as colaborações com estilistas ganham espaço. Em vez de tratar o material disponível apenas como sobra, os projetos usam a criação como ferramenta para transformar aquilo que já existe em uma nova proposta de produto. No caso da Riachuelo, Marcelo Sommer descreve o projeto como uma aproximação entre o universo do slow fashion e o grande varejo. Na C&A, Gustavo Silvestre afirma que a parceria permite levar para uma escala maior um trabalho que antes tinha alcance limitado.
Os projetos, porém, ainda estão sendo apresentados pelas empresas como iniciativas em desenvolvimento. No caso da Riachuelo, a própria companhia define o Pool Loop como um “modo laboratório” e afirma que o primeiro drop ajudou a identificar soluções com potencial de repetição.
Mais do que uma mudança de matéria-prima, as coleções colocam uma questão de design para o varejo. Ou seja, o que fazer com uma roupa, um tecido ou um aviamento depois que sua primeira função termina, e como transformar esse material em algo que volte a despertar desejo de compra.
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Fonte: umsoplaneta

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