Flávio Bolsonaro aciona União-PP por aliança no 2º turno em troca de sustentação no Senado

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) procurou, nesta semana, os presidentes do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), e do União Brasil, Antônio Rueda, com o objetivo de articular o apoio formal de ambos os partidos em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, informa reportagem da Folha de São Paulo. As duas legendas, que atuam integradas por meio de uma federação partidária, analisam a composição do acordo, mas condicionam a aliança à garantia de espaço de destaque em um possível governo bolsonarista e à preservação do senador Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado Federal.

No primeiro turno, a articulação para formalizar a coligação entre o PL, o PP e o União Brasil esteve próxima de um desfecho positivo, mas acabou frustrada por falhas na negociação política, pelos desdobramentos do chamado caso “Dark Horse” e pela ofensiva do governo do presidente Lula (PT) em defesa da neutralidade dos partidos. Por estarem unificados em federação, União Brasil e PP possuem a obrigação legal e regimental de adotar uma deliberação conjunta quanto ao posicionamento nacional no pleito.

Irritação de Ciro Nogueira com Lula altera cenário no Piauí

Diferentemente da posição adotada na primeira fase da campanha, Ciro Nogueira demonstra agora disposição favorável a apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro em uma eventual etapa decisiva. Segundo aliados do parlamentar, a mudança de postura foi motivada por declarações do presidente Lula durante agenda no estado do Piauí. Na ocasião, Lula fez críticas indiretas ao dirigente do PP, classificando-o veladamente como “vira-lata” e endossando nomes adversários na disputa pelas vagas ao Senado.

Anteriormente, Ciro Nogueira mantinha um compromisso informal de não agressão com o presidente da República. Apesar de ter ocupado o cargo de ministro-chefe da Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e de manter vinculação com o ecossistema bolsonarista, o senador dependia de votos da base eleitoral lulista para buscar a reeleição no Piauí — estado no qual Lula obteve 74,25% dos votos válidos no primeiro turno da eleição anterior.

O acordo prévio estabelecia que o presidente da República evitaria ataques diretos a Nogueira e direcionaria o apoio oficial apenas ao candidato Marcelo Castro (MDB), deixando em segundo plano o nome de Júlio César (PSD). Em contrapartida, o presidente do PP asseguraria a neutralidade de sua sigla na corrida presidencial. Contudo, com o engajamento direto de Lula em prol da candidatura de Júlio César, o PP considerou extinto o pacto de neutralidade. Paralelamente, Flávio Bolsonaro buscou atrair Ciro Nogueira ao garantir que não faria agendas de campanha no Piauí antes do primeiro turno, evitando expor o aliado perante o eleitorado majoritariamente lulista do estado.

Avaliação do cenário eleitoral e desdobramentos políticos

Além dos fatores regionais, a leitura sobre o desempenho relativo dos candidatos no cenário nacional fortaleceu a reaproximação. Integrantes da ala majoritária do centrão voltaram a apontar favoritismo do senador Flávio Bolsonaro no embate direto contra a candidatura à reeleição do presidente Lula.

Na visão de lideranças partidárias do grupo, as repercussões do escândalo do Banco Master causaram impactos limitados à imagem de Flávio Bolsonaro, sobretudo quando comparadas à crise institucional envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A coordenação da campanha do PL tem atuado para vincular a imagem do magistrado à figura do presidente Lula, movimento que coincide com oscilações e dificuldades detectadas para o chefe do Executivo nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Ademais, os dirigentes da federação manifestam ceticismo quanto ao potencial de conversão eleitoral das medidas econômicas e sociais recentes promovidas pelo governo federal, sob o argumento de que foram editadas em momento muito próximo à votação. Entre as ações implementadas pelo Palácio do Planalto estão o reajuste nos repasses do programa Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro, e a assinatura de atos regulatórios voltados à contenção do preço dos combustíveis, com foco no óleo diesel.

O impasse em torno da presidência do Senado

Apesar da receptividade inicial às tratativas promovidas por Flávio Bolsonaro, a cúpula da federação União Progressista adota postura de cautela. Os dirigentes pretendem aguardar a apuração oficial do primeiro turno para confirmar se as projeções de favoritismo do candidato do PL se consolidam nas urnas, além de mapear o tamanho exato das bancadas que os dois partidos conseguirão eleger para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal.

O ponto de maior convergência e exigência da federação reside na preservação de Davi Alcolumbre no comando da Mesa Diretora do Senado, projeto que entra em rota de colisão direta com os planos do PL. A legenda liderada por Flávio Bolsonaro trabalha com a meta de construir uma maioria parlamentar capaz de conduzir um presidente do Senado alinhado às pautas da oposição, incluindo a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.

Alcolumbre, por sua vez, articula sua permanência no cargo com o apoio simultâneo de setores do centrão e do próprio governo Lula, mantendo posição contrária ao prosseguimento de medidas de afastamento de membros da Suprema Corte. A sucessão na presidência do Senado, programada para fevereiro de 2027, consolida-se assim como o principal obstáculo operacional para a formalização do acordo de segundo turno.

Para definir o posicionamento oficial da federação no cenário nacional, os presidentes do PP e do União Brasil convocaram uma reunião de trabalho para o dia 6 de outubro, em Brasília, da qual participarão os parlamentares eleitos para a nova legislatura.

Comportamento das demais siglas do centrão

Enquanto União Brasil e PP negociam os termos de um eventual apoio a Flávio Bolsonaro, outras forças políticas do centrão mantêm estratégia de observação. No Republicanos, a avaliação dominante é de que a corrida presidencial permanece aberta, razão pela qual os dirigentes trabalham para preservar a distância do partido em relação à disputa direta do Palácio do Planalto.

No PSD, o quadro apresenta divisão interna. Interlocutores do governo Lula articulam para garantir a neutralidade da legenda na segunda fase do pleito. Por outro lado, o candidato do partido à Presidência, Ronaldo Caiado, sinaliza tendência de apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Já o presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, inclina-se pela neutralidade, com o objetivo de valorizar politicamente qualquer negociação futura, enquanto lideranças da região Nordeste vinculadas à sigla defendem o alinhamento com a candidatura do presidente Lula.

Fonte: Brasil 247

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