Meta lança dispositivo portátil de IA e aposta em era pós-smartphone

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A Meta apresentou nesta quarta-feira (23) o Charm, um pequeno dispositivo portátil desenvolvido para interagir com seu novo assistente de inteligência artificial, o Muse. O lançamento marca uma nova etapa na estratégia da companhia de Mark Zuckerberg para ampliar sua presença no mercado de hardware e disputar a plataforma tecnológica que poderá suceder o smartphone. As informações são da Reuters.

Com dimensões próximas às de um estojo dos AirPods da Apple, o Charm possui uma tela sensível ao toque de aproximadamente duas polegadas e conexão 5G integrada. O aparelho foi concebido como uma interface física para conversar e executar tarefas com o Muse, agente pessoal de inteligência artificial desenvolvido pela Meta.

A previsão é que o produto comece a ser entregue em dezembro, a tempo das festas de fim de ano. A Meta ainda não divulgou o preço do Charm.

Meta aposta na computação pós-smartphone

O lançamento revela uma ambição mais ampla de Zuckerberg. A Meta vem investindo bilhões de dólares em dispositivos capazes de tornar a inteligência artificial uma presença constante na vida cotidiana, reduzindo progressivamente a necessidade de recorrer ao telefone celular.

O próprio Charm é descrito oficialmente pela Meta como um aparelho que cabe no bolso e leva ao usuário o Muse associado a um modelo de voz em tempo real. A companhia afirma que divulgará mais detalhes sobre o produto ainda neste ano.

A estratégia não depende de um único dispositivo. O Muse será incorporado também aos óculos inteligentes da empresa, permitindo realizar tarefas por comandos de voz e, em modelos equipados com recursos visuais, agir a partir daquilo que o usuário está observando.

O assistente poderá, por exemplo, marcar compromissos, consultar preços de voos, ajudar em compras e realizar tarefas em segundo plano enquanto o usuário pratica exercícios, dirige ou cozinha.

Novos Ray-Ban sem câmera

Outra novidade apresentada pela Meta foi o Ray-Ban Meta Audio, primeiro modelo da parceria com a EssilorLuxottica desenvolvido sem câmera. Os óculos chegam ao mercado por US$ 349, com entregas previstas para 13 de outubro.

O dispositivo pesa 43 gramas e permite ouvir músicas e podcasts, fazer chamadas e conversar com o assistente de IA. A bateria oferece até 12 horas de uso, com outras 48 horas disponíveis por meio do estojo de recarga.

A retirada da câmera também responde a uma das principais controvérsias enfrentadas pelos óculos inteligentes. A possibilidade de pessoas serem filmadas sem perceber provocou críticas e preocupações relacionadas à privacidade. O novo modelo mantém os recursos de áudio e IA, mas elimina a possibilidade de captura de imagens.

Óculos de realidade virtual chegam em 2027

A Meta também apresentou uma nova geração de óculos de realidade virtual, com lançamento previsto para 2027. O equipamento deverá custar US$ 1.299 e utiliza um módulo externo — um pequeno “puck” — para acomodar componentes como bateria e processamento, reduzindo o peso colocado diretamente sobre a cabeça do usuário.

A companhia busca tornar os dispositivos de realidade virtual mais leves e confortáveis, um dos obstáculos históricos à popularização da tecnologia. O novo equipamento também coloca a Meta em competição mais direta com produtos de computação espacial, como o Vision Pro da Apple.

A corrida para substituir o celular

Por trás dos diferentes lançamentos existe uma mesma aposta: a inteligência artificial pode modificar a principal interface utilizada pelas pessoas para acessar o mundo digital.

Durante aproximadamente duas décadas, essa função foi desempenhada pelo smartphone. A nova disputa entre as grandes empresas de tecnologia busca descobrir qual será o dispositivo capaz de ocupar parte desse espaço em uma era marcada por agentes de inteligência artificial.

A Meta aposta em uma combinação de óculos, dispositivos portáteis e assistentes capazes de compreender comandos e executar ações em nome dos usuários. Até o final deste ano, a empresa pretende oferecer mais de cem opções de óculos entre suas linhas Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses.

Com o Charm e a expansão do Muse para diferentes dispositivos, Zuckerberg tenta posicionar a Meta na linha de frente dessa transição. A questão que começa a se desenhar para a indústria de tecnologia é se a inteligência artificial permanecerá principalmente dentro do smartphone — ou se dará origem a uma nova geração de aparelhos capazes, no futuro, de torná-lo menos indispensável.

Fonte: Brasil 247

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