Lula, em ato com artistas no Rio, defende uma política permanente em defesa da cultura nacional

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Por Hora do PovoHora do Povo

Personalidades como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho participaram de evento de mobilização pela reeleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de mecanismos que transformem as políticas públicas de cultura em ações permanentes de Estado, protegidas contra descontinuidades provocadas pela alternância de poder.

A declaração foi feita no ato de campanha “Cultura com Lula”, realizado na Fundição Progresso, na Lapa (Rio de Janeiro), reunindo grandes nomes da classe artística, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

O encontro ocorreu a 11 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Lula, que disputa a reeleição, afirmou que já discutiu a consolidação das políticas culturais implementadas por seus governos, mas reconheceu que a iniciativa não avançou.

“Para que a gente mantenha uma política perene a vida inteira, você teria que eleger presidente e o povo, gente que pensasse na cultura a vida inteira”, afirmou.

Lula e a primeira-dama Janja da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)

Durante o discurso, Lula sustentou que princípios relacionados à política cultural deveriam ser protegidos de mudanças provocadas pela alternância de governos. Segundo ele, uma das possibilidades seria incluir garantias na Constituição.

“É preciso que a gente coloque na Constituição aquilo que a gente quer de cultura. É a forma mais segura da gente poder garantir que não vai haver mudança de um governo para o outro”, disse.

O presidente também afirmou que o eleitor deve considerar o modelo de país que deseja antes de escolher seus candidatos.

“Eu sempre digo que votar é você primeiro votar em você. Você tem que construir na sua cabeça o país que você quer. Que educação que você quer, que cultura que você quer, que emprego que você quer”, declarou.

Na sequência, Lula relacionou esse raciocínio à escolha eleitoral e fez críticas ao desgoverno Jair Bolsonaro, lembrando que o mesmo desmontou vários ministérios, como o da Cultura, o do Trabalho e, até, o da indústria e comércio.

“Se você pensar no Brasil que deseja, fica mais fácil escolher alguém que confia que vai fazer aquele Brasil que você quer. Agora, se pensa uma coisa e vota outra coisa, o resultado é o que aconteceu no governo Bolsonaro”, afirmou.

Lula acusou Bolsonaro de desmontar estruturas administrativas durante sua passagem pela Presidência. Ao falar especificamente da cultura, lembrou que o Ministério da Cultura deixou de existir como pasta independente durante parte da gestão anterior.

Cultura com Lula https://t.co/r1Lpt49C4R

— Lula (@LulaOficial) September 23, 2026

“Bolsonaro destruiu o Ministério da Cultura, destruiu o Ministério do Trabalho, destruiu o Ministério da Indústria e Comércio, que passou a ser tudo ligado à Economia”, disse.

O presidente também defendeu a existência de ministérios destinados a diferentes segmentos sociais. Segundo Lula, essas estruturas permitem maior participação da sociedade na elaboração das políticas públicas.

“Os ministérios que a gente coloca como representação dos segmentos sociais são a coisa mais barata, é o que gasta menos, e é o que está mais próximo do ponto de vista político, que é o que permite a participação da sociedade na elaboração das decisões políticas do governo”, afirmou.

Lula disse ainda que pretende alterar a legislação para assegurar pelo menos princípios permanentes para o setor cultural.

“A gente vai ter que mudar a legislação para que a gente garanta que a política cultural seja definitiva, pelo menos alguns princípios”, declarou.

DIVERSIDADE CULTURAL

Em outro momento do discurso, Lula destacou manifestações culturais existentes fora dos grandes centros e afirmou que suas viagens pelo país permitiram conhecer atividades que muitas vezes não ganham visibilidade nacional.

“Este país é de uma dimensão cultural que não tem país do mundo que chega perto da diversidade cultural que tem o nosso país. O povo brasileiro é de uma criatividade extraordinária”, afirmou.

Segundo o presidente, atividades culturais podem ser encontradas tanto em pequenas cidades quanto nas periferias das grandes regiões metropolitanas.

Lula também recordou sua experiência no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Ele contou que, ainda na década de 1970, o sindicato mantinha teatro e promovia atividades ligadas ao cinema para trabalhadores.

O presidente relatou que grupos eram levados a sessões de cinema e, posteriormente, participavam de debates sobre os filmes. Ao lembrar da experiência, associou a cultura à formação e à ampliação da visão de mundo.

“Não tem nada para abrir mais a cabeça do ser humano do que a cultura”, afirmou.

Por sua vez, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ao fazer uso da palavra, destacou o papel fundamental da Lei Rouanet como indutora de empregos, movimentação econômica e inclusão social durante o ato político-cultural.

Ato foi na Fundição Progresso (Foto: Reprodução)

A ministra pontuou que o mecanismo de incentivo vai muito além do apoio artístico, atuando diretamente na geração de renda, na preservação da memória nacional e na criação de postos de trabalho em todo o país.

Durante os encontros e mobilizações da agenda, Margareth associou a reconstrução do Ministério da Cultura e a valorização das leis de incentivo — como a Rouanet e a Paulo Gustavo — ao fortalecimento da democracia e à resistência contra ataques e desinformação disseminados pelo bolsonarismo.

A ministra também denunciou a tentativa do governo Bolsonaro de destruir importantes instrumentos de promoção da cultura nacional e de preservação do patrimônio histórico do país, lembrando que a vitória de Lula nas últimas eleições impediu o desmonte total do setor, como queriam os bolsonaristas.

“Nós somos a cultura brasileira e temos a nossa força para fazer o presidente Lula ganhar no primeiro turno nestas eleições. O presidente Lula é o único que defende nossa soberania e nós devemos ser os mensageiros dessa mensagem”, sentenciou.

FIM DAS BETS

No ato, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri, e a cantora Daniela Mercury pediram formalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o fim das apostas online, conhecidas como bets. Só o senhor tem coragem para acabar com as bets no país”, afirmou o prefeito.

Cavalieri também denunciou os imensos prejuízos causados ao estado do Rio de Janeiro pelas gestões bolsonaristas que “promoveram a destruição no estado em todas as áreas”, inclusive na cultural, chegando a propor o fim do Carnaval. “Está na hora de derrotar esse ‘ovo da serpente’ no primeiro turno”, numa referência à possibilidade, indicada nas pesquisas, da vitória do ex-prefeito Eduardo Paes contra o candidato bolsonarista, como também de Benedita da Silva para o Senado.

O evento, que reuniu cerca de 100 artistas, apoiou a forte ofensiva do governo do presidente Lula que estuda a edição de uma medida provisória para aplicar duras restrições ou banir essas plataformas de apostas antes do primeiro turno das eleições.

PRESENÇA DE PESO DE ARTISTAS NACIONAIS

O ato na Fundição Progresso reuniu representantes de diferentes áreas da cultura. Além de Chico Buarque, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, estiveram no evento Lenine, Chico César, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Marieta Severo, Malu Mader, Cissa Guimarães, Tony Bellotto, Mestre Ciça e Leandro Vieira. De raízes nordestinas do axé, forró e baião, Russo Passapusso, Daniela Mercury e Geraldo Azevedo.

Também marcaram presença o mestre de bateria da Viradouro, Mestre Ciça, Moacyr Luz e Pixulé, intéprete da Paraíso de Tuiuti.

Além da presença dos atores Malu Mader e Humberto Carrão.

Também participaram a deputada federal Benedita da Silva (PT) e a vereadora Mônica Benício (PSOL).

Após a chegada de Lula, o hino nacional foi cantado no ritmo de samba por Pixulé.

O evento, realizado sob o mote “Cultura com Lula”, integrou a estratégia de mobilização da campanha na reta final do primeiro turno. A agenda no Rio ocorreu um dia depois da participação do presidente na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, quando afirmou em alto e bom som, que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, numa referência às tentativas do governo Trump de intervir no país para abocanhar nossas riquezas naturais, sob os aplausos do clã Bolsonaro.

Na sexta-feira (25), Lula terá outro encontro em São Paulo, desta vez com representantes do setor empresarial. São esperados mais de 200 convidados, entre empresários da indústria, do agronegócio, banqueiros e dirigentes de grandes companhias.

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Fonte: Hora do Povo

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