Silicose representa 85% dos casos de doenças pulmonares ligadas à poeira no ES
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Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 22:07
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Falta de ar, tosse e fraqueza podem ser sinais de doenças motivadas por algo presente na rotina de muitos trabalhadores: a poeira. A inalação frequente de determinadas partículas no ambiente de trabalho pode causar as chamadas pneumoconioses, um grupo de doenças pulmonares crônicas. Entre elas está a silicose, causada pela poeira de sílica e responsável por 85% dos casos registrados no Espírito Santo em 2026.
Quando inalado por longos períodos, o pó de sílica cristalina pode se acumular nos pulmões e provocar cicatrizes que comprometem a capacidade respiratória. “Ela [poeira de sílica] causa uma inflamação crônica no pulmão, que vai levando a alguns tipos de reações em cadeia dentro do organismo que, infelizmente, são crônicas, às vezes progressivas e incuráveis”, explica o pneumologista Henrique Kruger Calvão.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), nos primeiros sete meses do ano foram registrados 47 casos de pneumoconioses. O número já se aproxima do total de 2025, quando foram notificadas 51 ocorrências. Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, concentra 70% dos casos registrados no Estado.
Entre as ocorrências de 2026, 40 são de silicose. A doença é comum entre trabalhadores do setor de rochas, principalmente aqueles que atuam em atividades de extração de pedra, areia e argila. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Mármore e Granito do Espírito Santo (Sindimármore), mais de 260 casos da doença já foram registrados entre trabalhadores do setor.
Izaias Vieira da Cruz, de 54 anos, faz parte dessa estatística. Aos 18 anos, ele começou a trabalhar no setor de rochas e, anos depois, descobriu nódulos calcificados nos pulmões ao realizar exames de rotina. Na época do diagnóstico, a silicose já se apresentava em estágio avançado.
No fim do ano passado, Izaias se aposentou. Ele conta que, hoje, por causa da doença, não consegue mais trabalhar. “Infelizmente, [sinto] cansaço, dor nos joelhos, fraqueza nas juntas. Aí você não consegue movimentar nada”, diz. Além das dores no corpo, Izaias relata falta de ar ao realizar esforço físico.
No caso de Elis Márcio Coelho, de 54 anos, o afastamento do trabalho não foi suficiente. Ele trabalhou durante 11 anos no setor de rochas e se aposentou em 2014 por causa da silicose. Anos depois, a doença agravou e Elis precisou passar por um transplante de pulmão.
O procedimento foi realizado em 2018. “Hoje vivo bem melhor que antes, quando não respirava”, afirma o aposentado.
A prevenção da silicose começa no ambiente de trabalho. O coordenador de segurança do trabalho Cleber Santana explica que, na empresa em que atua, são adotadas medidas para reduzir a inalação da poeira de sílica.
“O processo tem como medidas administrativas a aquisição de equipamentos mais modernos, nos quais não há uma exposição tão próxima do trabalhador ao corte. Esse processo também é umidificado como medida de controle. E também há medidas como o uso de equipamentos de proteção individual (EPI)”, explica.
Diante dos índices da doença, o presidente do Sindimármore, Reginaldo Celia, afirma que a entidade continua atuando na prevenção e no combate à exposição à poeira mineral.
“A gente tem encaminhado as denúncias ao Ministério Público, aos órgãos competentes. Desde 2006, o sindicato ajuizou 143 ações civis públicas para eliminar a poeira mineral do setor”, conta.
*Com informações da TV Gazeta
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