Flávio Bolsonaro envia ao STF notícia-crime contra Lula por suposto uísque de Vorcaro
Por Flávia Maia — JOTA
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, enviou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apuração do suposto recebimento de um uísque do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio solicitou o encaminhamento do pedido para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaure inquérito sobre o caso.
O Palácio do Planalto nega que o presidente tenha recebido qualquer presente de Vorcaro , que tenha articulado algo com o ex-banqueiro ou participado de suas festas.
Segundo a nota, Lula se encontrou uma única vez com Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024 . Na ocasião, o ex-banqueiro havia ido ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega. O encontro com o presidente não estava previamente agendado . Também participaram da conversa o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e atual presidente do Banco Central.
O pedido de Flávio contra Lula se baseia em matéria do jornal O Globo que revela diálogos extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Neles, o advogado Walfrido Warde — à época, defensor de Vorcaro — relata ao seu cliente sucessivas ações destinadas a aproximá-lo de Lula e de autoridades do governo federal. Segundo a reportagem, Vorcaro teria mandado um uísque para o presidente da República e o convidado para festas.
Flávio Bolsonaro alega que, a partir dos diálogos trazidos pela reportagem, Lula praticou, em tese, os crimes de corrupção passiva e de advocacia administrativa.
“Em razão disso, com base nas mensagens recentemente divulgadas pela mídia, é possível concluir, ao menos em tese, que o presidente Lula teria utilizado de seu cargo de presidente da República como forma de atender interesses ilícitos de Daniel Vorcaro junto ao governo federal, inclusive mediante o recebimento de vantagem indevida (presentes)”, diz um trecho da peça.
O pedido foi feito no inquérito do Banco Master, onde há dúvidas sobre quem pode despachar nos autos. O presidente do STF, Edson Fachin, afastou temporariamente Mendonça da condução das investigações do Master e do INSS, mas não assumiu o comando dos casos. Portanto, existe um limbo jurídico : o presidente não está tomando decisões porque defende que não avocou as investigações; ao mesmo tempo, Mendonça também não pode decidir, porque os autos foram enviados à presidência.
Inclusive, esse foi um dos debates travados entre Fachin e Flávio Dino no julgamento de 15 de setembro. Para Dino e Mendes, Fachin avocou as investigações para si. O presidente da Corte nega. Sem respostas, os pedidos estão parados, e os investigados, presos.
Fonte: JOTA