Jorge Messias e Andrei Rodrigues teriam trocado xingamentos em reunião: ‘está me espionando?’

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – A crise aberta pelas investigações sobre o Banco Master provocou uma dura troca de acusações entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio escancarou a tensão interna no governo e os desdobramentos políticos e institucionais da apuração, que também envolve disputas no Supremo Tribunal Federal.

Segundo a coluna de Marcela Mattos, no UOL, Messias afirmou, durante a reunião no Palácio do Planalto, que suspeitava estar sendo vigiado por meio da estrutura da PF. Rodrigues negou de forma categórica qualquer monitoramento contra o chefe da AGU e reagiu em tom elevado, de acordo com relatos feitos a pessoas próximas.

De um lado, Messias dizia se sentir pressionado a contestar decisões do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, mas resistia a apresentar recursos por avaliar que isso poderia abrir brecha para as defesas tentarem anular a investigação. De outro, Andrei Rodrigues defendia que era necessário conter as decisões de Mendonça justamente para preservar a apuração.

A tensão subiu quando o chefe da PF afirmou que conversas privadas relacionadas a Messias chegavam rapidamente ao conhecimento de André Mendonça. Diante de Lula, Rodrigues negou espionagem. A interlocutores, ele relatou ter classificado a postura de Messias como “chilique” e dito que o ministro, por ser evangélico, deveria dar sermão na igreja, e não no Planalto.

Messias, por sua vez, não se convenceu da negativa e alertou que Andrei Rodrigues poderia ser cobrado formalmente por seus atos. Quatro dias depois, André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, sob a alegação de que a inteligência da corporação realizava um “monitoramento sistemático” e “ilícito” contra ele e contra Jorge Messias.

O encontro teve Lula como anfitrião em um momento em que o Palácio do Planalto tenta conter os danos provocados pela crise. Auxiliares do presidente avaliam que as investigações sobre o Banco Master ultrapassaram os limites do inquérito, produziram fissuras dentro do STF, criaram ruídos no governo e já têm reflexos na disputa pela reeleição. O objetivo do Planalto é se afastar do caso, mas esse esforço ainda não surtiu efeito.

A tensão entre integrantes do governo já havia aparecido dias antes, em uma reunião sobre a crise no Supremo. Na ocasião, o chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, afirmou que André Mendonça era “amigo” e “irmão” de Jorge Messias. O chefe da AGU reagiu com xingamentos e negou qualquer ingerência sobre atos processuais do ministro do STF.

Mendonça tem sido acusado por setores do governo e do próprio Supremo de priorizar investigações contra adversários de Flávio Bolsonaro (PL) e contra o ministro Alexandre de Moraes com objetivo eleitoral. O ministro nega as acusações. Procurados pela coluna, Messias e Rodrigues não quiseram se manifestar.

O afastamento de Andrei Rodrigues, determinado em 8 de setembro, abriu um novo capítulo da crise. Jorge Messias apresentou recurso contra a decisão de André Mendonça, mas sem o aval do delegado. Em telefonema ao chefe da AGU, Rodrigues foi direto: “Você está proibido de recorrer em meu nome”.

Messias respondeu que atuaria em nome do presidente da República. “Eu vou recorrer em nome do presidente da República”, disse. Na mesma conversa, negou ter relação com a decisão de Mendonça e ironizou: “Se eu tivesse de fazer alguma coisa com você, eu teria mandado te prender. Então, se não foi preso, não fui eu”.

Depois disso, Andrei Rodrigues recusou a assistência da AGU, contratou uma advogada particular e apresentou uma ação ao ministro Flávio Dino. Dino acolheu o pedido e reintegrou o delegado ao comando da PF em menos de 24 horas. Já a ação da Advocacia-Geral da União foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, que derrubou as decisões de Dino e de Mendonça e determinou que os envolvidos se manifestassem.

O estopim para o confronto foi um relatório de inteligência da Polícia Federal tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes. O documento questionava a atuação de André Mendonça à frente das investigações do Banco Master e apontava uma suposta omissão de Messias diante de decisões consideradas pela PF como atípicas.

Em julho, a PF pediu à AGU que recorresse de decisões de Mendonça. A Advocacia-Geral da União não atendeu ao pedido por entender que não tinha competência para atuar na esfera criminal e por avaliar que uma contestação poderia colocar a investigação em risco. A partir daquele momento, a relação entre Andrei Rodrigues e Jorge Messias ficou estremecida.

A crise se agravou quando o relatório da PF mencionou a recusa da AGU e sugeriu, entre as hipóteses para a postura de Messias, que ele e André Mendonça teriam uma “matriz religiosa comum”. O documento também citou o fato de Mendonça ter feito gestos públicos de apoio à indicação de Messias para uma vaga no STF, em uma campanha que acabou derrotada.

Com a disputa entre PF, AGU e ministros do Supremo, o caso Master passou a concentrar uma crise de múltiplas frentes: jurídica, institucional e política. No centro dela, o governo tenta evitar que o embate seja associado ao Planalto, enquanto as investigações seguem produzindo atritos entre auxiliares de Lula, integrantes da Polícia Federal e ministros do STF.

Fonte: Brasil 247

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