Na ONU, Pezeskhian diz que Irã é ‘vítima de terrorismo’ e exalta resistência frente às sanções dos EUA

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Por RedaçãoBrasil de Fato

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursou nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e denunciou o fato de que o país tem sido vítima de “terrorismo” praticado pelos Estados Unidos. O discurso vinha sendo cercado por expectativas, exatamente por ser o primeiro da autoridade iraniana após o início das operações dos EUA e de Israel contra o território iraniano, no final de fevereiro. 

“O presidente dos EUA [Donald Trump] nos descreveu como terroristas. Nós fomos vítimas de terrorismo”, disse Pezeskhian, denunciando que as forças estadunidenses “bombardearam uma escola” e que “crianças morreram sob bombas disparadas usadas pelos EUA e por Israel”.

No discurso, o presidente do Irã mencionou que o país “não baixou a cabeça e respondeu, mas não atacou populações civis”. “Eles invadiram os territórios vizinhos e atacaram nossas universidades, nossos centros de saúde, nossas escolas, nossos hospitais, nossa infraestrutura, tudo isso contra o direito internacional”, denunciou. Enquanto Pezeshkian falava, os representantes dos Estados Unidos se retiraram do plenário da ONU.

O presidente iraniano também citou a situação do Estreito de Ormuz, dizendo que não vai “permitir que alguns tenham livre acesso e obtenham seus interesses em uma hidrovia, enquanto, ao mesmo tempo, usem essa hidrovia para impor agressões contra nós, para nos impor insegurança e para proibir o acesso às nossas próprias hidrovias”. 

A situação da Palestina também foi tema do discurso de Pezeshkian. Segundo ele, o quadro continua sendo “uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional” e “um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento dos civis”. “Não podemos falar de paz ignorando a Palestina. Uma paz duradoura no Oriente Médio é impossível sem justiça para a Palestina”, explicou. 

Em linha com o que Teerã vem argumentando nos últimos meses, Pezeshkian reiterou que o país não tem planos de desenvolver armas nucleares. Entretanto, segundo a autoridade, o país teria um direito “inerente” à tecnologia para fins pacíficos. 

“Não vamos baixar a cabeça nem renunciar ao direito que nos é inerente. Deixamos isso bem claro: não às armas nucleares e não às limitações à tecnologia nuclear para fins pacíficos”, afirmou. Segundo ele, o Irã não pretende usar seu poder para fins hegemônicos. “Não buscamos nossa segurança na insegurança dos outros”, disse. Para ele, os sistemas de defesa iranianos “foram construídos de forma que ninguém possa pensar que bombardear cidades iranianas ficará sem resposta”. 

Pezeshkian também aproveitou para mencionar o discurso feito ontem por Trump na ONU, em que o republicano ameaçou “aniquilar o Irã para o inferno”. Segundo o presidente iraniano, “tudo o que foi dito […] vai contra a própria essência” da Carta da ONU. “Ele [Trump] deve saber que a resistência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, do aumento da pressão e do aumento da intimidação”, afirmou.

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Fonte: Brasil de Fato

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