Por mariam pessahBrasil de Fato

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ARTivista feminiSta, escritora, poeta e tradutora. Autora dA saliva que umedece, poemariam – um tratado sobre línguas, 2025; Meu último poema 2023; Em breve tudo se desacomodará, 2022; entre outros. Organizadora do Sarau das minas/Porto Alegre, desde 2017, e coordenadora da Oficina de escrita e escuta feminiSta. Curadora da FestiPoa literária.

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Em uma carta que Victória Ocampo escreve a Virginia Woolf, em 5 de dezembro de 1934, afirma : “Sou uma pessoa voraz. E acredito que ter fome é tudo.” E continua : “Quero dizer que nossa fome é um elemento muito importante. Que as coisas só existem de verdade para nós quando e porque temos fome delas e na medida em que essa fome é imensa.” 

Muitas pessoas já tem utilizado essa metáfora e eu fico me perguntando de que temos fome hoje.

Eu, de Memória, Verdade e Justiça. Escrevi sem pensar. Me detenho para recordar a Amelinha Teles, uma lutadora incansável pelos direitos humanos, feminiSta, que foi presa e torturada durante a ditadura empresarial-militar. Amelinha está e estará sempre Presente entre nós. Há poucos dias, no 15 de setembro, faleceu e eu ainda não consigo nomeá-la no passado. Escrevi sobre ela aqui, quando veio a Porto Alegre e organizei uma conversa para falarmos sobre seu novo livro.

Nesses dias, uma das poucas coisas em que consigo pensar é nas eleições do 4 de outubro. Escrevo e me digo que já o mês de Outubro traz um quê revolucionário. Penso e sorrio.

Precisamos reeleger o Lula. 

É sua última eleição. Junto com isso, estamos em um momento de caos mundial. Caos, ou avanço estrepitoso da ultradireita, do fascismo. Trump tem todos os olhos mirando o Brasil, financiando a campanha do filho que, como já avisou, a primeira coisa que vai fazer é anistiar papai, ou seja, tirar o Bolsonaro da cadeia. 

Se isso acontecer, já sabemos o que vai suceder. Pela minha cabeça passam, como num filme, as pessoas morrendo durante a pandemia, enquanto o coiso negava as vacinas à população e ele andava de jet ski dando risadas. Dando risadas também das pessoas que não conseguiam respirar. O desmatamento avançava a passos de gigante, lembram do seu ministro Salles que falava em passar a boiada? Enquanto isso, também matavam e despejavam os povos originários e estupravam as mulheres. Foi um pavor! Não podemos voltar a isso. 

O presidente argentino veio dar apoio ao filhote. É só olhar para o que Milei está fazendo com Argentina. É um horror! As pessoas estão literalmente morrendo de fome, não chegam a fim de mês. Têm que escolher entre comprar comida ou medicamentos, ou pagar a luz. Penso nesta postagem que acabei de ver, na qual Milei privatizou a luz e ela aumentou um 1.768 %!

O cara do Norte que se acha um Imperador, já está, também, com suas garras na Colômbia, no Chile, na Venezuela… Vamos permitir que chegue ao Brasil entregue em bandeja pela família Bolsonaro? 

A colunista Mônica Bergamo revelou um relatório confidencial da Abin que classifica como crítico o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O documento aponta uma escalada de pressões políticas e econômicas lideradas pela gestão de Donald Trump e foi enviado a órgãos como o Palácio do Planalto e o Tribunal Superior Eleitoral.  Folha de S. Paulo

Ainda temos dúvida em quem votar?

No domingo havia uma caminhada programada com Manuela D’Ávila, na orla do Guaíba. Eu saí de casa e fui indo a pé, distribuindo panfletos e adesivos, conversando com as pessoas. Na despedida, muitas me desejavam bom trabalho. Ao que eu respondia, não é trabalho, é militância. Algumas se surpreendiam de como eu não recebia pelo que estava fazendo, uma guria, até ficou bem braba afirmando que deveriam de me pagar. Eu disse que não. Ah, tu és anarkista! Sim, sou. Sou das anarkistas que tem ciência que nossos sonhos não cabem nas urnas, porém, os pesadelos cabem na sua totalidade!  

Por isso, como tem sido nos últimos anos, eu faço campanha contra o fascismo, e converso com pessoas anarkistas para irem votar. Insisto, nossos sonhos não cabem nas urnas, mas os pesadelos sim!

Eu sonho com um mundo anticapitalista, no qual não tenhamos que medir o trabalho em moedas. Felizmente, neste momento, eu tenho casa, tenho comida e tenho sonhos e é por eles que luto. É pelos sonhos e com meus sonhos que vou pra rua durante horas. É pelos sonhos que a mesa da sala da minha casa está transformada em um comitê, cheia de panfletos e adesivos com propostas de campanha que acreditam que outro Congresso é possível. 

Não é trabalho por dinheiro, é ativismo.

Uma hora, em um bar, numa das mesas das que me aproximei para oferecer o panfleto em que aparecem Lula, Juliana e Edegar, Manuela e Pimenta, uma das moças disse : hoje não estou para a política. Respondi rapidamente, mas a política sempre está para ti. Sei que as pessoas podem não ter um bom dia ou algo estar acontecendo de muito ruim e eu não posso me meter nem invadir os seus espaços, mas é tanta gente que vejo olhando para outro lado e é tanto o que está em jogo.

Penso que não se tem consciência, mas quem diz hoje não estar para a política, é quem não une as pontas. Cada gota de chuva que caiu desde 2024, a recebemos com medo nas nossas peles, associando-a com as enchentes e a consciência de que nada foi feito desde então. O Brasil não pode eleger um negacionista climático.

Dias atrás, nosso presidente “criou uma saia justa com o governador Eduardo Leite (PSD) ao fazer cobrança sobre o atraso na entrega de obras para prevenir desastres em enchentes no Rio Grande do Sul”. Toda demora é política.

Tudo é político. Já o dissemos desde o movimento feminiSta.

Eu só não entendo qual poderia ser a dúvida entre votar em um homem que criou Universidades, as cotas para pessoas negras e população de baixa renda, Institutos Federais, defende o SUS, criou o Pé de meia, o Desenrola, … 

Qual seria a dúvida de reeleger o Lula e votar o filhote do papai que vai reproduzir os horrores que vivemos entre 2018 e 2022, com a pandemia incluída e as risadas de quem não conseguia respirar.

Sério.

Antes de me despedir, deixo um convite :

Sábado 26 de setembro, às 18 horas, haverá um Sarau com Livros e com Lula. Teremos microfone aberto. Traz teu livro e vem ser feliz. Será no Cirandar, na rua Duque de Caxias, 1297, Centro Histórico de Porto Alegre.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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