‘Meu eleitor é aquele que ora para alienígena e bebe detergente’, diz candidato bolsonarista ao Senado em MT em áudio vazado
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O deputado federal José Medeiros (PL-MT), candidato ao Senado por Mato Grosso, afirmou em um áudio vazado que seu eleitor é alguém que “ora para alienígena e bebe detergente”. A declaração, feita em conversa com o prefeito de Diamantino, Francisco “Chico” Mendes (União), ganhou repercussão nas redes sociais e provocou reações de aliados do próprio parlamentar. Medeiros é atualmente deputado federal pelo PL de Mato Grosso.
Segundo O Globo, a gravação foi obtida inicialmente pela imprensa de Mato Grosso e integra uma sequência de mensagens atribuídas a Medeiros e encaminhadas a Chico Mendes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Veículos locais também publicaram o áudio nesta terça-feira (22).
“O meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente”, diz Medeiros na gravação.
A fala aparece em uma conversa sobre o cenário político e as estratégias para as eleições de 2026. Publicações que tiveram acesso ao material informam que o trecho dura aproximadamente 11 segundos.
Depois da divulgação, Medeiros tratou a repercussão em tom de ironia nas redes sociais. Ao responder a uma publicação do deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT), escreveu: “Fui policial a vida toda, DETER GENTE foi o que mais fiz!”
Em outra manifestação, publicada nos stories, Medeiros afirmou: “Esse é o problema. O momento que eu falava a marca cortaram, assim como cortaram quando eu disse Havaianas não!”.
Cattani também reagiu à gravação com uma publicação irônica. O deputado estadual simulou uma repreensão ao correligionário antes de brincar com a referência feita no áudio.
“Ô Medeiros, agora não, meu irmão. Você passou de todos os limites (…) Como que você me fala que bebemos detergente? Você fala que bebemos detergente e não fala que é o Ypê? Você acha que vamos beber qualquer detergente?”, afirmou.
Veículos de Mato Grosso registraram a reação de Cattani e apontaram que o parlamentar transformou o episódio em uma brincadeira, concentrando sua resposta na referência à marca de detergente.
As referências utilizadas por Medeiros remetem a episódios associados a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A menção a “orar para alienígena” faz referência a vídeos que circularam após as eleições de 2022, nos quais manifestantes apareciam com celulares apontados para o céu. A expressão sobre detergente, por sua vez, passou a circular em publicações relacionadas à defesa da marca Ypê por grupos bolsonaristas.
Segundo áudio envolve postura sobre o STF
O episódio ocorreu um dia depois da divulgação de outra gravação de Medeiros, também referente a uma conversa com Chico Mendes. Nesse primeiro áudio, o deputado afirmou que evita ataques ao Supremo Tribunal Federal e disse ter orientado sua equipe de campanha a retirar referências à Corte de materiais preparados para divulgação.
“Eu não ataco o STF, viu, Chico? Meu marketing tinha feito um negócio… falei: ‘Quero que corte tudo’. Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF”, afirmou Medeiros.
Na mesma gravação, o candidato abriu uma exceção em relação ao ministro Alexandre de Moraes.
“Se vocês pedirem para esculhambar Alexandre de Moraes, pode me ligar até no meio da noite, que eu faço. Mas não me peça para falar de outros”, disse.
Diferentemente do novo trecho sobre o próprio eleitorado, cuja gravação passou a circular posteriormente, Medeiros confirmou ao Metrópoles a autenticidade do áudio relacionado ao STF. Na ocasião, afirmou que procura preservar a instituição, ainda que faça críticas a ministros individualmente.
Após a divulgação desse primeiro áudio, Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do candidato mato-grossense nas redes sociais. A manifestação ocorreu em meio à repercussão sobre a estratégia política descrita por Medeiros na conversa privada.
Com a circulação da segunda gravação, o foco da repercussão passou para a maneira como Medeiros descreveu seus próprios apoiadores. O candidato respondeu publicamente às referências ao detergente em tom de brincadeira, enquanto o conteúdo da conversa continuou circulando nas redes e na imprensa de Mato Grosso.
Fonte: Brasil 247