“Falta braço”: ministros do STF esbarram em volume de mensagens ao analisar celular de Vorcaro

0

Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O acesso à íntegra dos dados do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro levou gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a mobilizarem equipes, ainda que reduzidas, para examinar minuciosamente as conversas travadas pelo ex-proprietário do Banco Master com diversas autoridades, informa o jornal O Globo.

No entanto, interlocutores dos magistrados apontam como o maior entrave o imenso volume de conteúdos a serem auditados. Ao todo, são cerca de 510 gigabytes de informações que concentram 32,7 mil arquivos, compreendendo trocas de mensagens instantâneas, arquivos de áudio e registros detalhados de chamadas telefônicas.

Diante do vasto conteúdo de caráter estritamente pessoal e relacionado à intimidade, a primeira providência estabelecida pelos gabinetes que obtiveram liberação ao celular do ex-banqueiro foi restringir severamente o acesso ao material. A decisão visa resguardar a privacidade e evitar o vazamento de dados não correlatos às investigações oficiais.

A medida de contenção também decorre da limitação estrutural dos times de trabalho nos gabinetes. Fontes da Corte indicam que a “falta de braço” — ou seja, o contingente reduzido de servidores e assessores — impede o deslocamento de um grupo numeroso para checar os diálogos sem comprometer o andamento regular das demais tarefas processuais e julgamentos da rotina do STF.

Até o momento, os dados foram remetidos aos gabinetes dos ministros que solicitaram formalmente o acervo: Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Em função da complexidade e da quantidade massiva de arquivos, cada equipe técnica passou a avaliar estratégias e metodologias distintas de filtragem para localizar menções e nomes de interesse específico nos registros.

Entre os integrantes da Suprema Corte que tiveram acesso ao dispositivo de Vorcaro, o ministro Cristiano Zanin tem enfatizado a necessidade de cautela no manuseio das provas. Zanin defende expressamente que a documentação seja utilizada de forma estrita em relação ao objeto demandado: a apreciação dos argumentos expostos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no pedido de declaração de nulidade do relatório da Polícia Federal que tratou das mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

O histórico do ministro Zanin traz precedentes na gestão de acervos digitais de grande porte. Antes de ingressar na magistratura, como advogado de defesa do presidente Lula (PT), Zanin requereu o acesso aos elementos probatórios da Operação Spoofing, que apurou a ação de cibercriminosos contra autoridades, incluindo o ex-juiz parcial da Lava Jato Sérgio Moro. À época, com apoio nas trocas de mensagens e relatórios periciais, a defesa do presidente solicitou a anulação das condenações impostas a ele pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

A autorização de acesso no caso da Operação Spoofing havia sido concedida pelo então ministro Ricardo Lewandowski, antecessor de Zanin no STF. Em abril de 2021, Lewandowski requisitou a remessa de cópias das perícias técnicas realizadas sobre as mídias apreendidas na apuração, bem como o relatório final do caso. O acervo completo da Spoofing somava aproximadamente 7 terabytes de dados, mas o acesso da defesa de Lula foi circunscrito às mensagens que diziam respeito ao seu cliente ou às ações penais dirigidas contra ele. Na ocasião, a equipe jurídica chefiada por Zanin apresentou mais de 15 relatórios periciais ao STF detalhando os diálogos entre o ex-juiz e integrantes da força-tarefa em Curitiba.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *