Atlas: 6 em cada 10 brasileiros não confiam no STF

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – A desconfiança dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 60%, enquanto 34% dos entrevistados afirmam confiar na Corte, segundo levantamento Atlas/Estadão divulgado nesta terça-feira (22).

Os dados colocam a confiança no Supremo no menor patamar numérico da série histórica da AtlasIntel, iniciada em janeiro de 2023. Naquele mês, 42% dos brasileiros afirmavam confiar no STF. A pesquisa mais recente ouviu 1.852 pessoas entre 17 e 21 de setembro.

O levantamento foi realizado após a sessão do Supremo em que os ministros discutiram a possível abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes em meio às revelações sobre suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A análise do caso foi adiada após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Confiança no STF cai ao menor nível da série

A série histórica da Atlas registra uma redução da confiança no Supremo nos últimos anos. O índice passou de 49% em agosto de 2025 para 35% em março de 2026. Agora, está em 34%.

A variação entre março e setembro, entretanto, está dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Quando a pergunta trata especificamente do trabalho e dos ministros do STF, 61% afirmam não confiar, 27,8% dizem confiar e 11,1% não souberam responder.

Nesse indicador, a confiança caiu 6,2 pontos percentuais entre março e setembro, passando de 34% para 27,8%.

A Atlas também avaliou a percepção dos brasileiros sobre outras 12 instituições. O Congresso Nacional apresentou o maior índice de desconfiança, de 81%. As polícias Civil, Federal e Militar, por outro lado, registraram os maiores percentuais de confiança entre as instituições avaliadas.

Trabalho dos ministros também enfrenta desconfiança

A percepção sobre o trabalho dos integrantes do Supremo varia de maneira significativa entre diferentes segmentos pesquisados.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 81,9% afirmam não confiar no trabalho e nos ministros da Corte. O percentual de desconfiança chega a 77,9% entre os evangélicos.

Também há uma diferença expressiva conforme o voto declarado pelos entrevistados no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre aqueles que disseram ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 93,7% manifestam desconfiança. Entre os entrevistados que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual é de 28,9%.

Imparcialidade recebe a pior avaliação

A AtlasIntel também pediu aos participantes que avaliassem o desempenho dos ministros do STF em nove aspectos, incluindo defesa da democracia, combate à corrupção e imparcialidade no julgamento de casos envolvendo grupos políticos rivais.

A imparcialidade apresentou o resultado mais negativo. Para 75% dos entrevistados, a atuação dos ministros nesse quesito é ruim ou péssima. Apenas 9% a classificam como ótima ou boa.

O combate à corrupção aparece em seguida. Nesse item, 66% avaliam o desempenho dos ministros como ruim ou péssimo, enquanto 17% consideram a atuação ótima ou boa.

Entre os nove aspectos avaliados, os melhores resultados foram registrados na defesa da democracia e no respeito ao Poder Legislativo.

Caso Master está no centro da crise no Supremo

A divulgação da pesquisa ocorre em meio às repercussões das investigações relacionadas ao Banco Master e às informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro.

Mensagens obtidas pela PF mostram Vorcaro procurando o ministro do STF Alexandre de Moraes para tratar das investigações envolvendo o banco. O material também reúne informações sobre contratos firmados entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Um dos contratos tinha valor de R$ 131 milhões. O material também registra um segundo negócio, de R$ 50 milhões, envolvendo a transferência de cotas de duas aeronaves.

As mensagens ainda registram que o Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro.

Após a divulgação das informações, André Mendonça, então relator do caso no Supremo, retirou o sigilo do documento. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a distribuição aos gabinetes dos demais ministros da íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

Outros ministros aparecem nas conexões de Vorcaro

O material também registra contatos ou relações envolvendo outros integrantes do STF, entre eles Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, André Mendonça e Gilmar Mendes.

No caso de Nunes Marques, as informações incluem referências ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro. Segundo o jornal, houve pagamento de R$ 500 mil, por intermédio de outra empresa, ao escritório de Kevin.

Em sessão do STF, Nunes Marques declarou-se impedido de participar da discussão sobre uma eventual investigação de Moraes. O ministro afirmou que nunca julgou casos de interesse do Banco Master e que nem ele nem seu filho receberam recursos da instituição financeira.

Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, também aparece nos diálogos. SEgundo os dados divulgados, Vorcaro pediu ao advogado para “ajudar em um caso” e bancou a entrada dele e de familiares em um camarote durante o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Dias Toffoli é mencionado no contexto das informações envolvendo o resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento pertenceu formalmente a familiares do magistrado e, segundo o Estadão, tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

André Mendonça confirmou ter se reunido com Vorcaro na sede do instituto educacional mantido pelo ministro. Após a repercussão do caso, Mendonça deixou a sociedade da instituição.

Gilmar Mendes também confirmou um encontro com Vorcaro, acompanhado por dois advogados do Banco Master, para tratar de uma causa de interesse do banqueiro.

Pesquisa ouviu 1.852 brasileiros

O levantamento Atlas/Estadão ouviu 1.852 brasileiros por meio de recrutamento digital aleatório entre 17 e 21 de setembro.

A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Fonte: Brasil 247

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