Por César FonsecaBrasil 247

Não se trata mais de ameaça: já ocorre ação direta militar na América Latina, como a que aconteceu na Venezuela, e, desta vez, o alvo é o Brasil, mesmo, sem sombra de dúvida, dados os confrontos já visíveis, expostos no discurso do presidente Donald Trump, na ONU, sem nenhum tom diplomático.

É guerra aberta, brutal.

Trump falou como se desse ordem de partida para a Quarta Frota Naval Americana singrar o Atlântico.

Botou dedo no gatilho, no mais puro estilo xerifão das Américas.

O bufão não mediu palavras e deu a entender que se algo o contrariar, como, por exemplo, eventual vitória de Lula, estará preparado para virar a mesa.

Não há como escapar do vitupério parlamentar do ditador, voltado à possibilidade concreta de não aceitar o resultado eleitoral no Brasil.

A diplomacia foi enterrada pelo imperador na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Ele vomitou fogo, e Lula escapuliu da aproximação de Marco Rubio, Secretário de Estado americano, para não se queimar.

Na próxima semana e meia da eleição presidencial em que Lula tenta quarto mandato contra o fantoche fascista da Casa Branca, senador Flávio Bolsonaro, o tiroteio do xerifão estará se intensificando.

Os disparos começaram hoje.

Imperador em cima do cavalo de fogo

A disposição trumpista geral é a de continuar botando fogo no mundo, a partir dos reveses que o imperador americano está sofrendo no Oriente Médio, cujo custo, está claro no seu discurso, será o de intensificar inflação global, impondo sacrifício aos mais pobres.

Sua fala tenta vender aos americanos o que é caro a eles: o sentimento de sua própria alma histórica de guerra e a sua representação real como a face central do poder imperial, sob comando de oligarquia financeira especulativa.

É o preço cobrado pelos Estados Unidos para continuar dando as cartas nos cinco continentes.

Sua plataforma política ficou mais clara do que nunca no discurso desta terça-feira: se os Estados Unidos renunciam a sua hegemonia, algo que Trump não aceita de modo algum, a comunidade americana se desmancha – esse é o recado essencial dele.

Trump vestiu a fantasia desgastada do cowboy do Velho Oeste, chamando quem se apresentar ao duelo, fazendo provocações.

Freud disse que as palavras servem para esconder o pensamento, e este, conforme as trovoadas trumpistas, quer dizer medo de perder poder.

É ou não a versão acabada de um tigre de papel, perguntaria o revolucionário Mao Tsé-Tung?

Porta-voz da resistência universal

Lula, com o seu discurso, atuou como um porta-voz de uma comunidade internacional ameaçada, conferindo-lhe força de resistência.

A valentia excessiva/desmedida do xerife laranjão recebeu como resposta antecipada de Lula – pois o presidente brasileiro foi o primeiro a falar – a coragem destemida em quatro palavras, no enfrentamento ao monstro: liberdade, cooperação, soberania e democracia – ameaçadas pelo imperialismo, que deixa clara sua fragilidade moral, embora cercada de bombas atômicas.

Depois do seu discurso na ONU, está exposta a obviedade que cresce de tamanho: a resistência global ao império tende a aumentar e ganhar força numa unidade mundial – só ela será capaz de interromper a escalada de insensatez do imperador.

Tal como seu antecessor romano, Nero, aperfeiçoa-se na perversidade, transformando-se num cavalo que solta fogo pelas ventas para parecer forte e invencível.

As chamas da sua ira soprarão sobre as urnas eletrônicas brasileiras para tentar embalar o fascismo bolsonarista.

Alguma dúvida?

Fonte: Brasil 247

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