Xi Jinping tem arma contra Trump que pode beneficiar uma empresa no Brasil, defende BTG

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Por Giovanna FigueredoSeu Dinheiro

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Dois gigantes se sentam à mesa nesta semana. Xi Jinping, presidente da China, e Donald Trump, dos Estados Unidos, têm encontro marcado em Washington entre quarta (23) e sexta-feira (25). Naturalmente, sempre que as lideranças rivais se cruzam, surge um clima de tensão geopolítica no ar. Mas desta vez, o país asiático chega à conversa com uma arma com a qual os EUA não conseguem competir: as terras raras.

Essas matérias-primas são indispensáveis para a fabricação de itens como celulares, semicondutores, equipamentos militares, turbinas eólicas e veículos elétricos.

Devido à importância econômica, essas commodities têm se tornado tema frequente no mercado e na política, e geram mais poder para a China na barganha geopolítica, na visão dos analistas do BTG.

O Gigante Asiático é responsável por cerca de 70% da mineração global de terras raras, 85% da capacidade de refino e aproximadamente 90% da produção de ligas e ímãs feitos a partir desses minerais.

“Embora os EUA e outros países ocidentais estejam investindo na diversificação das cadeias de suprimentos, o desenvolvimento de novas minas, capacidade de processamento e produção de ímãs leva anos, mantendo a China no controle firme da cadeia de valor atualmente”, disse o banco.

Para a equipe de análise, a China deve continuar sendo a dona do jogo. Porém, há uma empresa no Brasil que está bem-posicionada nesse setor, na visão do BTG.

Trump está pegando leve com a China?

Segundo os analistas, o poder da China sobre as terras raras tem sido, inclusive, o motivo para Donald Trump estar sendo mais amigável ao país asiático antes do encontro na Casa Branca.

Essa visão vai ao encontro de uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano Reuters na segunda-feira (21).

Por enquanto, o presidente dos EUA não ameaçou impor tarifas às importações chinesas, nem proibir exportações norte-americanas — medidas comuns em outras reuniões dos dois líderes.

Em encontros anteriores com Xi, Trump já impôs tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos asiáticos e intensificou restrições a empresas chinesas, como a Huawei.

Desta vez, as medidas norte-americanas não foram tão severas e aconteceram com meses de antecedência. Por exemplo, a acusação em junho de que a Alibaba, a BYD e outras empresas auxiliam militares chineses.

À Reuters, um funcionário da Casa Branca durante o governo de Joe Biden disse que “os EUA estão mantendo a tensão baixa o suficiente para que a China não tome medidas retaliatórias realmente severas”, como no ano passado, quando restringiu as exportações de terras raras.

Segundo Peter Harrell, o funcionário, “com o impacto das terras raras, o governo Trump se sente vulnerável à coerção chinesa e busca estabilidade e acesso seguro a minerais críticos”.

A empresa que pode surfar essa onda no Brasil

Na visão do BTG, embora os países ocidentais estejam se movimentando para diversificar as cadeias de suprimentos, a China deve continuar como líder desse setor.

Para os analistas, esse desequilíbrio deve continuar impulsionando financiamentos governamentais, parcerias estratégicas e investimentos em projetos de terras raras ​​fora da China por muitos anos.

Nesse cenário, o banco defende que uma empresa que atua no Brasil pode se destacar: a Viridis Mining, companhia australiana de exploração e desenvolvimento de minerais listada na bolsa de valores da Austrália com a ação VMM.

Ela é dona do projeto Colossus, um empreendimento de mineração e refino de terras raras na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, uma das maiores reservas do segmento fora da China.

A companhia adquiriu os direitos minerários da área em 2023 e aguarda licença ambiental. A expectativa da Viridis é um investimento de R$ 2 bilhões no projeto.

O BTG destaca que a empresa está em etapas decisivas para tirar a operação do papel e pode se beneficiar pelo projeto Colossus incluir elementos que são considerados escassos.

Para o banco, o caso da Viridis tem destaque porque poucos projetos fora da China têm condições de entrar em operação ainda nesta década. Ou seja, companhias capazes de oferecer uma fonte alternativa tendem a atrair interesse de governos, fabricantes e investidores.

A expectativa do banco é que o Colossus continue avançando rumo ao financiamento, à decisão final de investimento e à construção, com o início da produção previsto para 2028.

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Fonte: Seu Dinheiro

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